Plano do governo francês para conter dívida inclui congelamento de salários e supressão de feriados
O primeiro-ministro francês, François Bayrou, revelou, nesta terça-feira (15), em uma entrevista coletiva, seu plano para economizar € 43,8 bilhões no orçamento de 2026. Para enfrentar o que chamou de "maldição" do "superendividamento" da França, ele apresentou um pacote de medidas que inclui o congelamento dos gastos do governo, dos salários dos funcionários públicos e aposentadorias. Uma das soluções apresentadas foi a eliminação de dois feriados, gerando reações da classe política.
O primeiro-ministro francês, François Bayrou, revelou, nesta terça-feira (15), em uma entrevista coletiva, seu plano para economizar € 43,8 bilhões no orçamento de 2026. Para enfrentar o que chamou de "maldição" do "superendividamento" da França, ele apresentou um pacote de medidas que inclui o congelamento dos gastos do governo, dos salários dos funcionários públicos e aposentadorias. Uma das soluções apresentadas foi a eliminação de dois feriados, gerando reações da classe política.
"Há momentos na história dos povos em que eles têm um encontro consigo mesmos, e este é um desses momentos", declarou o primeiro-ministro. "Este é o nosso momento da verdade", acrescentou na presença da maioria de seu governo.
"O superendividamento", que obriga o país a "tomar empréstimos todos os meses para pagar aposentadorias ou salários de funcionários públicos", "é uma maldição sem saída", insistiu na terça-feira, enfatizando que "a cada segundo, a dívida da França aumenta em € 5.000". Economistas estimam que este valor é ainda mais alto, calculado em € 5.800 por segundo.
Bayrou afirmou que a França se transformou em um Estado "viciado em despesa pública" como introdução para a apresentação de um plano dividido em duas partes: a primeira para deter a progressão da dívida, e a segunda para estimular a produtividade.
O déficit público do país atingiu 5,8% do PIB em 2024, e a dívida pública representa quase 114% do PIB, a terceira maior da zona do euro, atrás apenas da Grécia e da Itália.
O plano plurianual começará a ser aplicado em 2026 e tem o objetivo de estabilizar a dívida em quatro anos. O primeiro-ministro afirmou que todos terão que apertar o cinto, mas garantiu que a austeridade não colocará em risco a competitividade das empresas francesas.
Esforços de "guerra"
Em princípio, o corte no orçamento deveria ser de € 40 bilhões, mas teve que ser revisto para incluir as novas despesas com defesa anunciadas pelo governo, chegando agora a quase € 44 bilhões.
"A guerra voltou e não podemos deixar nossos cidadãos submetidos apenas às escolhas americanas", argumentou Bayrou em seu discurso, citando o conflito na Ucrânia para justificar investimentos em um "esforço de rearmamento que mobiliza todas as nações europeias".
Bayrou afirmou que o Estado mostrará o exemplo sem gastar mais em 2026 do que em 2025. Segundo o primeiro-ministro, nenhum ministério será poupado, com exceção da pasta da Defesa. Algumas agências devem ser desmanteladas e a fusão de ministérios não foi descartada.
O plano também prevê uma redução no reembolso de medicamentos à população e uma melhor gestão de materiais nos hospitais, além de investimentos em prevenção de doenças, por meio da vacinação, que poderiam gerar economias de € 5 bilhões, em 2026, conforme o chefe de governo. O governo francês também prevê combater todos os tipos de fraude: ao sistema de saúde, fiscal e às ajudas sociais.
Congelamento de pensões e fim de feriados
O congelamento dos salários de funcionários públicos e das aposentadorias durante o ano de 2026 marca uma das principais medidas do plano, mas os programas de assistência social serão mantidos.
Além disso, um "imposto de solidariedade" para os mais ricos foi anunciado. Bayrou afirmou que "o esforço da nação deve ser equitativo", embora os detalhes da contribuição ainda não estejam claros.
Ao mesmo tempo, o primeiro-ministro também propôs uma medida que já está gerando repercussão: a eliminação de dois feriados, que poderiam ser a Segunda-feira de Páscoa e o 8 de Maio, dia em que se comemora a vitória dos aliados contra a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial. O objetivo seria impulsionar a atividade econômica, considerada insuficiente na França.
Bayrou também indicou que proporá aos sindicatos que abram novas negociações sobre o seguro-desemprego e a legislação trabalhista.
Críticas
O primeiro-ministro concluiu o discurso afirmando que "tomou a decisão" de envolver "todos". Sem maioria, ele reconheceu estar "à mercê da oposição", que, se unirem as vozes da esquerda e da extrema direita, poderá derrubá-lo, como aconteceu em dezembro com seu antecessor Michel Barnier, justamente devido aos textos orçamentários. Mas ele afirmou que queria "mudar as coisas", "independentemente do risco" de censura.
No entanto, as reações iniciais sugerem que a batalha parlamentar será difícil.
A eliminação de dois feriados é uma "provocação" e "um ataque direto à nossa história, às nossas raízes e aos trabalhadores da França", protestou o presidente do partido de extrema direita Reunião Nacional (RN), Jordan Bardella. "Se François Bayrou não revisar seu plano, apresentaremos uma moção de censura", alertou Marine Le Pen.
"Bayrou está declarando uma guerra social", declarou Mathilde Panot, líder do partido de esquerda radical, A França Insubmissa (LFI).
Não está claro se o "imposto solidário" para "rendas mais altas" garantirá o voto do Partido Socialista, já que, caso o LFI e o RN decidirem derrubar o governo, seu destino dependerá do PS.
"As propostas orçamentárias feitas por François Bayrou são inaceitáveis para nós", reagiu o deputado socialista Philippe Brun na terça-feira, pedindo ao primeiro-ministro que "altere consideravelmente seu plano" se ele "quiser salvar seu orçamento".