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Existe risco de uma nova Guerra Mundial? Especialista avalia cenários após ataque dos EUA na Venezuela

Por mais que ato de Trump tenha ‘passado por cima’ de regras do direito internacional, ele não é o primeiro a fazer isso; entenda

10 jan 2026 - 04h59
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Risco de uma nova Guerra Mundial? Especialista avalia cenários após ataque dos EUA na Venezuela:

O bombardeio dos Estados Unidos na Venezuela, no último sábado, atraiu a atenção do mundo para a captura do então líder político Nicolás Maduro pelo governo Trump. O cenário é complexo, com acusações de violação de princípios do direito internacional e o medo de que ataques do tipo se repliquem em outros países. Mas risco de que o ato desencadeie uma nova Guerra Mundial? Muito improvável. É o que aponta o coordenador do mestrado profissional em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais da PUC-SP, Tomaz Paoliello, em entrevista ao Terra.

Quando se fala em Guerra Mundial, é preciso que se trate de um conflito que envolva todas as grandes potências. Hoje em dia, como aponta o especialista, são nações reconhecidas com esse alcance internacional os Estados Unidos, a China e a Rússia – estando a China em ascensão e a Rússia em decadência, considerando o poder que o país já teve em séculos passados. E, para eles, a situação segue cômoda.

“A gente pode sempre considerar que existe uma possibilidade. Agora, eu diria que é muito improvável um conflito com essa característica de Guerra Mundial. Pelo contrário, o que eu acho que tem transparecido na política externa do Donald Trump é um reconhecimento de um mundo dividido em esferas de influência, cada potência exercendo poder na sua esfera de influência. Me parece que nesse momento a Rússia e a China estão achando, na verdade, muito cômodo que os Estados Unidos estejam vendo o sistema internacional dessa maneira”, explica Tomaz.

Nesse contexto, a América Latina aparece como um pedaço do mundo que é da esfera de influência dos Estados Unidos. E para a Rússia e a China, até o momento, isso não está sendo motivo de nenhuma grande movimentação em contraponto – nem mesmo com relação ao petróleo, o grande trunfo buscado pelo governo Trump na Venezuela.

A Rússia não precisa de importação de combustível ou petróleo bruto, pelo contrário, ela é uma grande exportadora de petróleo, explica. Já a China, por mais que dependa muito da importação do petróleo, não é dependente da Venezuela como fonte. 

“A China compra, por exemplo, muito petróleo da Rússia, ainda mais agora que a Rússia está embargada por conta da guerra da Ucrânia. Nenhum desses países é dependente da Venezuela em termos de petróleo. Há outras fontes de petróleo no Oriente Médio e até mesmo na América Latina, inclusive o Brasil”, afirma o especialista, que não vê a Venezuela como motivo de briga entre as potências neste aspecto.

Na noite de sexta-feira, 9, inclusive, Donald Trump reforçou que os Estados Unidos serão um dos principais beneficiários do petróleo da Venezuela durante entrevista com grandes companhias de petróleo na Casa Branca. Ele afirmou, também, que se o seu governo não tivesse agido, a China ou a Rússia teriam feito o mesmo e disse que a China “pode comprar quanto de petróleo quiser” dos EUA e da Venezuela.

Caracas, capital da Venezuela, segue em uma calmaria tensa após captura de Maduro pelos EUA
Caracas, capital da Venezuela, segue em uma calmaria tensa após captura de Maduro pelos EUA
Foto: Carlos Becerra/Getty Images

Há risco de guerra na Venezuela?

Para Tomaz Paoliello, a estratégia de Trump para a Venezuela tem sido minimizar o risco de que aconteça um conflito interno. Ele retirou a "cabeça" do regime, mas manteve o restante da estrutura: os militares, o setor administrativo e a vice, Delcy Rodríguez, que agora assumiu como presidente interina. 

“O Trump foi cauteloso nesse sentido. A Venezuela já estava em uma crise humanitária há algum tempo. Mas uma guerra, obviamente, produziria um tipo de estrago muito maior. Podemos interpretar que uma das motivações do caminho de manter o regime chavista no poder é exatamente evitar uma tragédia maior, que eventualmente acabaria puxando os Estados Unidos para dentro da Venezuela”, avalia.

Mesmo assim, não há garantias sobre o futuro venezuelano. “No Oriente Médio, os Estados Unidos fizeram medidas assertivas de mudança de regime e isso levou a uma série de guerras civis. O caso da Líbia é bastante lembrado. No caso do Iraque, nem se diga. Na Síria, que chacoalhou o governo do Assad, os Estados Unidos apoiaram vários dos combatentes que tentavam derrubar o governo e isso produziu uma guerra civil violentíssima, uma tragédia humanitária”, relembra o especialista.

Em seu mandato atual, Trump tem evitado o envio de tropas para ocupação de territórios e tem adotado uma postura de “pacificador”, querendo ser reconhecido como o presidente norte-americano que mais “acabou com guerras”. Mas, enquanto ele diz querer “libertar o povo da Venezuela”, não fala diretamente sobre construir uma democracia por lá. Trump desconversou quando questionado sobre eleições e não tem colocado como um dos objetivos centrais de seu governo construir uma democracia no país.

A ideia de construir democracias, regimes semelhantes ao regime americano em outros lugares do mundo, é um tópico comum na política externa dos Estados Unidos, pelo menos desde o século 20, explica Tomaz. Mesmo assim, os EUA também apoiaram diversos regimes autoritários ao longo dos últimos anos.

“Pode ser que ele esteja satisfeito em manter um regime autoritário que simplesmente bata a bola com ele, que obedeça de alguma maneira.Eu acho que é o caso, pelo menos para o momento. O que o governo Trump vai tentar, e o governo dos Estados Unidos vai tentar garantir na Venezuela? Um regime que cumpra as ordens, cumpra as determinações dos Estados Unidos. Eles vão começar a incorporar garantias, digamos assim, de que o governo venezuelano vai obedecê-los. Sobre o risco de esse governo não jogar o jogo com os Estados Unidos e ser derrubado de novo. Essa ameaça já está posta na mesa”, aponta.

Trump não é o primeiro a ‘passar por cima’ do direito internacional, diz especialista:

E o restante da América Latina?

A Venezuela foi atacada sob o pretexto de captura de Maduro, que agora será julgado pelas acusações de conspiração para o narcoterrorismo, para o tráfico de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, além de conspiração para a posse de armas de uso restrito destinadas ao narcotráfico, conforme aponta o Departamento de Justiça norte-americano. E sob a mesma ótica da guerra contra o tráfico de drogas, Trump chegou a declarar que uma nova operação militar contra a Colômbia “soava bem”.

Antes da operação para captura de Maduro, Trump havia acusado Gustavo Petro, o presidente colombiano, de ser um “traficante de drogas” e a dizer ser “melhor ele ficar esperto, ou será o próximo”. As ameaças culminaram em uma ligação por telefone durante esta semana e, conforme anunciado nesta sexta, eles devem se reunir na Casa Branca em fevereiro.

"Tenho certeza de que tudo correrá muito bem para a Colômbia e para os EUA, mas a entrada de cocaína e outras drogas nos Estados Unidos precisa ser IMPEDIDA", escreveu Trump em suas redes sociais.

Para o especialista em relações internacionais, tudo isso mostra que já não se trata de apenas um risco a possibilidade de novos ataques na América Latina.

“A gente já viu a influência dos Estados Unidos aumentar na América Latina a partir do governo Trump. Seja tentando influenciar eleições, seja se aproximando de alguns governos para negociar, aumentando tarifas como fez com o Brasil, a aprovação de um pacotão de ajuda financeira para a Argentina… Então a gente tem visto os Estados Unidos mais presentes na América Latina, e o caso da Venezuela ‘subiu um degrau’ dessa atuação do governo dos Estados Unidos na região. Então pode ser que a gente veja novas intervenções, sim”, avalia.

Com relação a cenários de possíveis novas intervenções, o estudioso considera que o governo Trump deve manter seu compromisso de não realizar ações de ocupação militar nos países. “Mas já deu para perceber que ele não tem muito pudor em atuar, por exemplo, com bombardeios e intervenções como essa da captura de Maduro”.

Nicolás Maduro foi capturado na Venezuela e levado para Nova York para ser julgado por vários crimes, entre eles por narcotráfico.
Nicolás Maduro foi capturado na Venezuela e levado para Nova York para ser julgado por vários crimes, entre eles por narcotráfico.
Foto: REUTERS - Eduardo Munoz / RFI
Fonte: Portal Terra
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