Lula e Trump se cumprimentam durante evento social no G-7
Governo já havia descartado uma reunião bilateral entre os presidentes
ENVIADA ESPECIAL A ÉVIAN-LES-BAINS - Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se cumprimentaram durante um evento social na noite de terça-feira, 16, na cúpula do G-7 em Évian-les-Bains. Os dois participaram de um coral organizado pelo governo francês seguido por um jantar, momento que eles teriam trocado os cumprimentos.
Uma das maiores expectativas para esta viagem do presidente aos Alpes Franceses era a possibilidade de Lula se reunir com o americano, onde trataria da ameaça de um novo tarifaço ao Brasil. Rapidamente, o Itamaraty descartou que uma bilateral estivesse em negociação.
Esperava-se então que os dois trocassem algumas palavras nos corredores da cúpula. Até o evento social, os dois mal haviam interagido nos momentos em que estiveram juntos.
Segundo relatos, Trump e Lula trocaram os cumprimentos em algum momento entre o coral e o jantar organizado por Emmanuel Macron. O evento foi restrito a chefes de Estado e não houve registros em imagens do momento.
Durante a chamada foto de família do G-7 ampliado, que inclui os países convidados, Lula e Trump ficaram distantes e não interagiram. O mesmo ocorreu durante a reunião do G-7 ampliado sobre solidariedade internacional, quando Lula proferiu um discurso com críticas veladas ao americano.
Sem citar diretamente Washington, Lula criticou medidas protecionistas adotadas por países ricos e defendeu que o combate ao crime organizado deve respeitar a soberania nacional de cada país - uma retórica que tem lhe rendido dividendos eleitorais nas últimas semanas.
"O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias. Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas", disse o presidente.
"Outros temas, como o combate aos crimes transnacionais, também devem fazer parte da agenda de desenvolvimento. Um deles é o desafio do crime organizado, que aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas. Esse esforço deve levar em conta o respeito à soberania dos Estados", disse Lula.
Lula sentou praticamente de frente para Donald Trump na mesa de reunião. O republicano é um cético do multilateralismo e tem adotado medidas protecionistas nos Estados Unidos, como os tarifaços, criando o que chama de "Doutrina Donroe", em referência à Doutrina Monroe.
Desde o ano passado, quando Trump impôs pesadas tarifas ao Brasil durante o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por golpe de Estado, Lula tem apostado no discurso da soberania de olho em dividendos eleitorais.
Neste ano, dobrou a aposta nessa retórica após o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro ter visitado Trump na Casa Branca, dias antes do anúncio das tarifas e da inclusão das facções criminosas brasileiras na lista de grupos terroristas.
Nesta quarta, o presidente faz um novo discurso na reunião "Relançar um crescimento econômico equilibrado, compartilhado e sustentado em benefício de todos", que já comelou atrasada.
Também está prevista uma bilateral com o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi e um almoço de trabalho sobre inteligência artificial envolvendo Big Techs.
O presidente ucraniano Volodmir Zelenski solicitou uma reunião bilateral com Lula, que se mostrou disposto a recebê-lo. Nesta quarta, o governo disse que o encontro estaria previsto, mas havia o risco de ser cancelado caso os eventos anteriores atrasassem.
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