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Ucrânia lança maior ataque com drones contra Moscou em dois anos e atinge refinaria

A Ucrânia lançou nesta quinta-feira (18) o maior ataque com drones contra Moscou dos últimos dois anos, provocando incêndios na capital russa e arredores, além de afetar a operação dos principais aeroportos, com centenas de voos atrasados. A ofensiva incluiu o segundo ataque em uma semana à principal refinaria de petróleo de Moscou, em meio à escalada do conflito após bombardeios russos contra Kiev.

18 jun 2026 - 09h53
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O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, classificou a ofensiva como um ataque "em larga escala", mas não detalhou a dimensão dos danos. Segundo ele, vários drones conseguiram atingir a refinaria, e um shopping center também sofreu danos menores.

Densas colunas de fumaça com chamas se elevam de uma refinaria de petróleo, em Moscou, após o que as autoridades russas afirmam ser um ataque de drone ucraniano. 18 de junho de 2026
Densas colunas de fumaça com chamas se elevam de uma refinaria de petróleo, em Moscou, após o que as autoridades russas afirmam ser um ataque de drone ucraniano. 18 de junho de 2026
Foto: © Reuters / RFI

Grandes colunas de fumaça foram vistas na periferia sul da capital. A refinaria MNPZ, localizada no distrito de Kapotnia, registrou um incêndio de grandes proporções.

De acordo com o Ministério da Defesa russo, 555 drones ucranianos foram abatidos em todo o país durante a madrugada, sendo 180 nos arredores de Moscou, segundo Sobyanin.

Desde o início do ano, a Ucrânia intensificou os ataques de longo alcance contra a Rússia, o terceiro maior produtor de petróleo do mundo, mirando principalmente instalações petrolíferas estratégicas. Essas ofensivas já provocaram interrupções no abastecimento e escassez de combustível em regiões como a Crimeia.

Zelensky fala em "resposta justificada"

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou nas redes sociais que o ataque é uma "resposta plenamente justificada aos ataques russos contra nossas cidades".

"O mais importante é que o povo russo comece a perceber que é (Vladimir) Putin quem trava esta guerra, enquanto as pessoas comuns pagam o preço", declarou. "Nós não queremos esta guerra e jamais a quisemos. Mas se a Ucrânia queima, a sua Moscou também vai queimar."

Aeroportos fechados e voos afetados

O ataque forçou o fechamento temporário dos aeroportos de Moscou e provocou atrasos em centenas de voos. O aeroporto internacional de Sheremetyevo informou que os passageiros foram levados a "locais seguros" durante a ofensiva. As operações foram retomadas por volta das 11h (5h em Brasília).

Também houve impactos em áreas residenciais: um drone atingiu um edifício na região de Zhukovsky, enquanto destroços de outro provocaram um incêndio em um centro comercial, segundo autoridades locais.

Esta é a segunda grande ofensiva ucraniana em junho durante eventos internacionais na Rússia. No início do mês, drones já haviam atingido a região de São Petersburgo durante um fórum econômico.

Intensificação de ataques

Nos últimos meses, Kiev intensificou os ataques contra refinarias de petróleo, consideradas fundamentais para o esforço de guerra russo. Zelensky descreve essas ações como "sanções de longo alcance" e voltou a defender uma solução diplomática para o conflito.

Do outro lado, a Rússia lançou mais de 200 drones e vários mísseis balísticos contra a Ucrânia entre a noite de quarta-feira (17) e a manhã de quinta-feira (18), segundo a Força Aérea ucraniana. Autoridades russas afirmam ter derrubado 180 drones que se dirigiam a Moscou e mais de 500 em todo o país durante a madrugada.

Outro ataque ucraniano na região russa de Rostov deixou um morto e dois feridos, de acordo com o governador local.

Guerra se prolonga sem solução

Apesar das represálias e dos impactos econômicos e sociais da guerra, o presidente Vladimir Putin tenta projetar uma imagem de normalidade ao participar de eventos internacionais, como a reunião com líderes do Sudeste Asiático em Kazan. Ainda assim, medidas de segurança vêm sendo reforçadas, incluindo restrições ao espaço aéreo e à divulgação de imagens de ataques.

No cenário diplomático, o conflito segue sem perspectiva de solução imediata. Durante reunião do G7 nesta semana em Évian, na França, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a pressionar Moscou por um acordo e mencionou a possibilidade de restabelecer sanções ao petróleo russo.

Iniciada em fevereiro de 2022, a ofensiva russa contra a Ucrânia já deixou centenas de milhares de mortos e é considerada o maior conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Troca de corpos mantém canal mínimo entre Rússia e Ucrânia

Em paralelo aos ataques, Rússia e Ucrânia realizaram mais uma troca de corpos de combatentes, uma das raras frentes de cooperação entre os dois países desde o início da guerra. Kiev anunciou ter recebido 522 corpos, enquanto Moscou informou a devolução de 33. Segundo autoridades ucranianas, a maioria dos restos mortais ainda precisa ser identificada. Essas operações, muitas vezes mediadas por organismos internacionais, são um dos poucos resultados concretos das negociações entre os dois lados ao longo do conflito.

Com agências

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