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G7 reforça coordenação sobre inteligência artificial e debate acesso global a modelos avançados

Entre os temas estratégicos discutidos na cúpula do G7 em Évian-les-Bains, a inteligência artificial ganhou espaço nas conclusões finais, com os líderes das principais economias industrializadas prometendo reforçar a coordenação internacional diante dos riscos e oportunidades associados à tecnologia. O assunto foi destaque na declaração conjunta divulgada nesta quarta-feira (17).

17 jun 2026 - 16h01
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Em uma declaração conjunta, o grupo das economias mais desenvolvidas, fora a China, anunciou que pretende mobilizar autoridades financeiras, reguladores e especialistas em segurança cibernética para avaliar o impacto dos modelos de IA de ponta sobre a estabilidade financeira, a produtividade e os mercados de trabalho. A iniciativa reflete a crescente preocupação com os efeitos sistêmicos dessas ferramentas, que avançam rapidamente e ainda operam em um ambiente regulatório fragmentado.

Foto oficial dos líderes do G7 e dos países convidados. Em 16 de junho de 2026, em Evian-les-Bains, França.
Foto oficial dos líderes do G7 e dos países convidados. Em 16 de junho de 2026, em Evian-les-Bains, França.
Foto: © 美联社图片 / RFI

Um dos pontos centrais das discussões foi o acesso internacional aos modelos mais avançados desenvolvidos por empresas americanas, como a Anthropic. O tema ganhou relevância após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, solicitar à empresa, na semana passada, que limitasse o uso dessas tecnologias por cidadãos estrangeiros, citando razões de segurança nacional.

"Parceiros confiáveis"

A medida provocou reações entre os aliados e impulsionou o debate, dentro do G7, sobre a criação de um programa de "parceiros confiáveis". A proposta prevê um mecanismo que permita a países considerados seguros acessar ferramentas avançadas de inteligência artificial, contornando, ao menos em parte, as restrições impostas por Washington.

Na Europa, a discussão se insere em um movimento mais amplo de tratar a inteligência artificial como uma questão de soberania tecnológica e segurança econômica. A Comissão Europeia apresentou recentemente planos para a criação de "gigafábricas" dedicadas à IA e à infraestrutura de grande escala, com o objetivo de garantir acesso autônomo à capacidade computacional.

Paralelamente, o bloco propôs novas legislações para fortalecer setores estratégicos como computação em nuvem, semicondutores e inteligência artificial, buscando reduzir a dependência das big techs americanas, ainda que analistas considerem que a Europa esteja vários anos atrás dos Estados Unidos nesse campo.

Durante um almoço com líderes do setor de tecnologia, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu uma abordagem cooperativa entre aliados. "Utilizamos as tecnologias comprovadas uns dos outros e nossos sistemas financeiros estão interligados", afirmou, ressaltando que é de interesse mútuo que a União Europeia tenha acesso aos melhores modelos disponíveis. Von der Leyen também elogiou as medidas adotadas pelos Estados Unidos para incentivar o uso responsável dessas tecnologias.

O presidente francês, Emmanuel Macron, reforçou a dimensão geopolítica do debate ao afirmar que "modelos de inteligência artificial de ponta não devem cair nas mãos de regimes autoritários; as democracias devem cooperar nessa questão".

As discussões no G7 evidenciam que, além do seu potencial econômico, a inteligência artificial se consolida como um eixo central de disputa estratégica entre potências, envolvendo questões de segurança, influência tecnológica e governança global.

Com AFP

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