Operação conjunta EUA-Venezuela mata líder de Tren de Aragua, gangue que agia em toda América do Sul
O líder da organização criminosa transnacional Tren de Aragua, Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como "Niño Guerrero", foi morto nesta sexta-feira (12) durante uma operação conjunta dos Estados Unidos e da Venezuela, anunciaram os dois países.
A morte de Guerrero, de 42 anos, é mais um sinal da retomada da cooperação entre Washington e Caracas após anos de tensões diplomáticas.
Segundo o ministério da Comunicação da Venezuela, a operação ocorreu no sul do país e resultou no desmantelamento de estruturas do crime organizado.
"Ocorreram confrontos com membros dessas estruturas criminosas, durante os quais Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como Niño Guerrero, foi neutralizado", informou o governo venezuelano em comunicado.
Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que forças americanas realizaram um ataque "rápido e letal" contra o líder da organização.
Em publicação na rede Truth Social, Trump disse que a ação foi conduzida "em estreita coordenação" com o governo venezuelano liderado interinamente por Delcy Rodríguez e declarou que os integrantes da Tren de Aragua "não têm mais refúgio seguro na Venezuela nem em qualquer outro lugar".
A publicação foi acompanhada por um vídeo de dez segundos que mostra uma explosão em um edifício cercado por vegetação.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, também confirmou que o ataque atingiu uma instalação ligada ao grupo criminoso.
Operações espalhadas pela América do Sul
Fundada em 2014 no estado venezuelano de Aragua, a Tren de Aragua é considerada pelos Estados Unidos uma organização terrorista. Segundo relatórios de inteligência, a rede criminosa expandiu suas atividades para diversos países da América do Sul, incluindo Colômbia, Peru, Chile e Brasil.
A organização é acusada de tráfico de drogas, tráfico de pessoas, assassinatos, sequestros, roubos, extorsão e mineração ilegal, além de controlar negócios aparentemente legais.
Guerrero era procurado pela Justiça americana. Em 2025, ele e outros 69 supostos integrantes da organização foram denunciados em Nova York por ordenar, dirigir e facilitar atos de terrorismo e violência nos Estados Unidos.
O Departamento de Estado americano oferecia recompensa de US$ 5 milhões por informações que levassem à sua captura.
Segundo promotores americanos, Guerrero foi o principal responsável por transformar a Tren de Aragua de uma gangue carcerária venezuelana em uma das mais poderosas organizações criminosas da América Latina.
Relatórios do centro de estudos Insight Crime apontam que ele consolidou seu poder enquanto estava preso no complexo penitenciário de Tocorón.
Sob sua liderança, a prisão se tornou uma das mais notórias da Venezuela. O local chegou a abrigar zoológico, piscina, parque infantil, restaurante e até uma discoteca, financiados pelos lucros das atividades criminosas da organização.
Em setembro de 2023, o governo de Nicolás Maduro afirmou ter desmantelado completamente a Tren de Aragua após retomar o controle militar da prisão de Tocorón.
A operação que matou Niño Guerrero ocorre em meio à aproximação entre Estados Unidos e Venezuela. Os dois países restabeleceram relações diplomáticas em março deste ano, após um rompimento iniciado em 2019.
Washington também vem flexibilizando gradualmente algumas sanções contra o país sul-americano, enquanto Caracas promove reformas para ampliar a participação privada nos setores de petróleo e mineração.
com AFP

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