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Após semanas de crise, governo boliviano abre canal de diálogo com centrais sindicais

A Bolívia enfrenta uma prolongada onda de protestos que já dura semanas e pressiona o governo do presidente Rodrigo Paz. Com bloqueios, mobilizações e desgaste crescente nas ruas, diferentes setores sociais começam a sinalizar abertura para negociações em meio à crise política. O porta-voz presidencial, José Luis Gálvez, informou que representantes da Central Obrera Boliviana (COB), principal organização sindical do país, são esperados na manhã desta quarta-feira na sede da Presidência, para iniciar um diálogo.

17 jun 2026 - 08h25
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Pedro Pannunzio, em La Paz

O presidente boliviano, Rodrigo Paz, em uma estrada reaberta pelas autoridades, que leva à capital La Paz, em 5 de junho de 2026.
O presidente boliviano, Rodrigo Paz, em uma estrada reaberta pelas autoridades, que leva à capital La Paz, em 5 de junho de 2026.
Foto: © Claudia Morales / REUTERS / RFI

Na sétima semana de protestos, as manifestações na Bolívia dão sinais de desgaste, enquanto importantes organizações começam a se abrir ao diálogo com o presidente Rodrigo Paz. Desde o início de maio, diferentes grupos exigem a renúncia do mandatário.

Na terça-feira (16), a Central Obrera Departamental (COD) de Santa Cruz, braço político da COB no Estado, reuniu-se com Paz para discutir a crise boliviana. Após o encontro com dirigentes da COD de Santa Cruz, o presidente anunciou que visitará o Estado nas próximas semanas para se reunir com representantes da entidade e de outros setores produtivos, com o objetivo de discutir demandas específicas da região.

"Peço à Central Obrera Departamental de Santa Cruz e às demais centrais operárias do país que mantenham o diálogo. Para aqueles que não desejam dialogar, existe a Constituição e a lei", afirmou o presidente.

Mais tarde, a COB enviou uma carta ao governo com uma série de reivindicações. Entre elas, a defesa da soberania econômica e das empresas públicas, com oposição a qualquer processo de privatização.

A entidade também pede a proibição da participação de empresas transnacionais na gestão de recursos estratégicos do Estado e rejeita condicionantes financeiras impostas por organismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Promessas de campanha não cumpridas

Os sindicatos ainda cobram o cumprimento das promessas feitas durante a campanha eleitoral e exigem garantias para suas organizações e para a pacificação do país. A pauta inclui a rejeição aos projetos de lei antibloqueios, a revogação de normas que consideram restritivas ao direito de mobilização e o fim de acusações generalizadas de terrorismo e narcotráfico contra organizações sociais sem apresentação de provas. A carta também pede a libertação de pessoas detidas durante os conflitos.

O chanceler Fernando Aramayo elogiou o chamado ao diálogo feito pela COB e afirmou que a decisão representa um sinal de "maturidade política e democrática".

Diálogo adia estado de emergência

Na semana passada, Rodrigo Paz sancionou uma lei que regulamenta o estado de exceção no país, após o Congresso aprovar em tramitação acelerada o projeto. Havia expectativa de que o presidente decretasse estado de emergência, o que abriria espaço para a atuação das Forças Armadas na contenção dos protestos.

Durante a cerimônia de sanção da lei, Paz enviou um recado aos militares, afirmando que as Forças Armadas deveriam agir com firmeza, mas respeitando os direitos humanos.

Apesar das expectativas, o presidente não decretou o estado de sítio e optou por apostar no desgaste gradual das organizações mobilizadas. A estratégia parece começar a produzir resultados.

Depois de semanas com mais de 100 pontos de bloqueio, a Bolívia registrava, na noite de terça-feira, 47 bloqueios nas estradas do país.

Crise de abastecimento

Apesar da redução da tensão, La Paz, sede do governo, ainda enfrenta desabastecimento severo e mantém alguns pontos de bloqueio.

O desabastecimento continua a afetar a rotina dos moradores. Filas para a compra de produtos básicos permanecem comuns em diferentes regiões da cidade. Nos postos de combustível, motoristas seguem enfrentando longas esperas e, em muitos casos, passam a noite nas filas para conseguir abastecer.

A inflação permanece como uma das principais preocupações dos moradores da cidade.

Na terça-feira, autoridades locais organizaram uma venda de frango a preços subsidiados. O resultado foi a formação de longas filas e a frustração de consumidores que deixaram o local sem conseguir adquirir o produto. Houve confusão entre moradores, e a polícia interveio.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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