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Vídeo em que criança relata cenas de canibalismo não tem relação com Epstein; depoimento é falso

IMAGENS SÃO DE EPISÓDIO DE 2014 EM QUE CRIANÇAS BRITÂNICAS FORAM COAGIDAS A MENTIR E ACUSAR O PAI DE ABUSO E SATANISMO

11 fev 2026 - 16h35
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Nota: a reportagem contém descrições de violência.

Vídeo não possui relação com caso de Jeffrey Epstein.
Vídeo não possui relação com caso de Jeffrey Epstein.
Foto: Reprodução/Instagram / Estadão

O que estão compartilhando: vídeo em que uma criança relata ter participado de uma festa em que houve canibalismo com crianças. Postagens afirmam que a gravação faria parte dos arquivos relacionados ao caso do financista Jeffrey Epstein.

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. O vídeo viral não tem relação com a rede de exploração de menores organizada por Epstein. As imagens são de 2014 e mostram a falsa acusação de uma criança contra o seu pai. Uma investigação policial provou que a criança e o irmão dela foram forçados pela mãe e padrasto a mentir. Elas inventaram que o pai liderava um grupo de abusos contra menores e rituais satânicos envolvendo canibalismo. O caso ficou conhecido como Hampstead Hoax.

Saiba mais: O vídeo que viralizou no Facebook e Instagram mostra uma criança citando detalhes de um suposto ritual satânico do qual ela teria sido vítima. No relato, o menino afirma que o pai "mata bebês e come a carne" em festas organizadas. Ele também diz que foi "chutado e machucado", que teve as "partes íntimas machucadas" e que foi sedado.

As descrições chocantes foram compartilhadas com a alegação de que o menino seria uma das vítimas de Epstein. O americano foi apontado como líder de uma rede de exploração e tráfico sexual de menores de idade, junto com sua ex-namorada Ghislaine Maxwell.

Mas o vídeo viral não tem relação com o caso Epstein. Por meio de busca reversa (veja aqui como fazer), encontramos um clipe no YouTube da cena que aparece nas redes. A duração total do vídeo é de quatro horas.

A legenda do vídeo afirma se tratar de um depoimento policial de uma criança sobre uma rede de abuso infantil e rituais satânicos em uma igreja no bairro Hampstead, em Londres. Esse caso tornou-se famoso em 2014 pelo teor das acusações. Posteriormente, descobriu-se que era tudo mentira.

Mãe e padrasto coagiram crianças a mentir sobre o pai

Notícias sobre o caso mostram que duas crianças, de oito e nove anos, acusaram o pai de liderar um grupo de pedofilia satanista que incluía pais, professores e líderes religiosos em um bairro nobre de Londres.

As supostas reuniões aconteceriam na escola das crianças e em uma igreja adjacente. A polícia não encontrou provas das acusações.

Uma investigação sobre o caso concluiu que na verdade as crianças foram forçadas pela mãe e pelo padrasto a acusar falsamente o pai biológico de liderar uma seita satânica.

Os vídeos e o relato foram classificados como "infundados" e uma juíza responsável pelo caso disse em sentença que as crianças foram forçadas a mentir. Ela acrescentou que os relatos foram resultados de "pressão emocional e psicológica implacável e de abuso físico significativo por parte do novo parceiro da mãe, em conluio com ela". Os dois fugiram do Reino Unido para a Espanha.

Uma busca na biblioteca de arquivos do caso Epstein resulta em sete ocorrências para a palavra "Hampstead" - bairro onde a história aconteceu. Alguns dos registros são duplicados.

Não há nada que relacione os relatos das crianças ao bilionário. As menções a Hampstead em e-mails do financista incluem um link para uma incursão urbana no bairro, uma notícia sobre roubo de carros e uma notícia e uma notícia sobre plantas.

Não há comprovação de canibalismo em arquivos de Epstein

O vídeo analisado pelo Verifica afirma terem ocorrido rituais canibais envolvendo crianças organizados por Epstein. Mas não há confirmação desse tipo de crime nos arquivos relacionados às investigações sobre o financista americano.

Entre os documentos da investigação sobre o financista, há o testemunho de um homem não identificado sobre assassinato de crianças e cenas de violência. Contudo, o Serviço de Inteligência dos EUA, o FBI, não investigou a acusação por falta de provas.

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Estadão
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