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Censura de 'Deadpool 2' é a melhor coisa que podia acontecer

Ministério da Justiça decidiu que nenhum menor de idade pode ver o filme do Deadpool nem com os pais. E isso é bom.

17 mai 2018
14h30
atualizado às 15h16
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Nos últimos anos, as liberdades no Brasil têm sido cada vez mais atacadas. Inclusive a liberdade de expressão. Mas não só. Grupos organizados estão lutando contra nossa liberdade de se informar, de se educar, de se expressar. E até de se divertir.

É gente querendo censurar a educação nas escolas, como faz o movimento Escola Sem Partido. É gente querendo censurar qualquer manifestação política que fuja do que eles acham bonito. É gente boicotando palestrantes, tentando calar a boca dos outros à força. Isso vai além da direita e da esquerda. Aliás, muita gente que se diz "liberal" ou "progressista", no que se trata de censura, é igualzinho: censor.

Em 2017, uma exposição sobre sexualidade, patrocinada por um grande banco, foi alvo de muitas críticas, porque seria "blasfema". Acabou sendo interrompida. Foi mais um caso do Brasil se rendendo à censura, no caso ao fundamentalismo religioso.

Mas sabe como é: perseguição dos outros não importa. Só importa quando chega à gente.

Agora chegou num grupo que gosta muito de ter liberdade, mas que geralmente ainda não aprendeu que liberdade não é uma coisa que a gente tem. É uma coisa que se conquista, se arranca de quem quer nos aprisionar. E depois tem que ser defendida com unhas e dentes, cotidianamente, para sempre.

E foi assim que o Ministério da Justiça, nesse país tão injusto, de tantas maneiras, decidiu que nenhum menor de idade poderá ver Deadpool 2. Nem acompanhado dos pais.

Assim, o governo federal ataca não só a liberdade dos jovens, mas a liberdade de seus pais. Diz, em resumo, que eu, pai, não tenho direito de mostrar determinadas coisas para meu filho.

Foto: Fox / Divulgação

Eu vi no cinema todos os filmes da Marvel com meu filho, desde que ele tinha quatro anos, o primeiro Homem de Ferro. E inclusive o primeiro Deadpool . Eu ia comprar hoje ingresso para Deadpool 2, quando soube de mais esse ato autoritário desse regime que nos foi imposto.

Isso é especialmente patético, nesses dias digitais, em que qualquer garoto pode baixar o filme na hora da internet e ver o que quiser.

Mas também achei útil. De uma certa maneira, a melhor coisa que podia acontecer.

Porque agora, o crescente cerceamento da liberdade que o Brasil vive ficou explícito para os adolescentes de elite, que é quem tem dinheiro para ir ao cinema, para pagar pipoca e refrigerante caro.

Agora, não tem como eles fazerem de conta que o problema é dos outros. Agora, a censura passou a ser problema deles. (e, claro, dos pais deles, como eu, que queriam curtir junto com os filhos o besteirol de Deadpool ).

O primeiro passo para derrotar um inimigo é reconhecer que ele existe, está aqui, é perigoso e nos está causando dano. A censura é insidiosa, é um vilão maquiavélico, que vai enganando as pessoas que está fazendo o bem, que vai dominando a situação. Não é Thanos. É Loki.

E dependendo de quem for eleito esse ano para presidente, e para o congresso, a censura vai aumentar. E vai aumentar muito.

Derrotar o autoritarismo é a missão de todo herói. Agora é dos garotos e garotas que não podem ver Deadpool 2. Quem sabe, a sua.

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