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Do fígado às vias biliares: o que a icterícia revela sobre o corpo

A icterícia é uma alteração visível na cor da pele e dos olhos que costuma chamar atenção imediatamente. Saiba mais!

15 fev 2026 - 09h32
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A icterícia é uma alteração visível na cor da pele e dos olhos que costuma chamar atenção imediatamente. O amarelecimento ocorre pela elevação da bilirrubina no sangue, uma substância produzida naturalmente durante a quebra das hemácias. Porém, quando o organismo não consegue eliminar esse pigmento de forma adequada, ele se acumula nos tecidos e provoca a coloração amarelada característica.

O problema pode surgir em diferentes fases da vida, do recém-nascido ao idoso, e está associado a doenças do fígado, das vias biliares ou do sangue. Em alguns casos, a icterícia é passageira e se resolve com acompanhamento simples. Porém, em outros, indica quadros graves, como hepatites virais, cirrose ou tumores, exigindo investigação e tratamento rápidos para reduzir riscos.

Em recém-nascidos, a chamada icterícia neonatal é frequente nos primeiros dias de vida – depositphotos.com / sserdarbasak
Em recém-nascidos, a chamada icterícia neonatal é frequente nos primeiros dias de vida – depositphotos.com / sserdarbasak
Foto: Giro 10

O que é icterícia e por que ela acontece?

A palavra icterícia descreve um sinal clínico, não uma doença isolada. Afinal, ela indica que há excesso de bilirrubina circulando no organismo. Em condições normais, esse pigmento é processado pelo fígado, modificado quimicamente e eliminado pela bile no intestino. No entanto, quando ocorre falha em alguma etapa desse caminho, a bilirrubina se acumula no sangue.

As principais causas envolvem três mecanismos: produção aumentada de bilirrubina, dificuldade de o fígado processá-la ou bloqueio na saída da bile. Assim, problemas hematológicos que destroem glóbulos vermelhos em excesso, inflamações hepáticas como as hepatites A, B e C, uso de certos medicamentos, consumo abusivo de álcool e cálculos na vesícula são exemplos de situações que podem levar à icterícia.

Quais são os tipos e causas mais comuns de icterícia?

Na prática clínica, a icterícia costuma ser dividida em três grandes grupos: pré-hepática, hepática e pós-hepática. Portanto, essa classificação ajuda a localizar o problema e orientar os exames necessários.

  • Icterícia pré-hepática: ocorre quando há destruição aumentada das hemácias, como em algumas anemias hemolíticas. A produção de bilirrubina sobe além da capacidade de processamento do fígado.
  • Icterícia hepática: está ligada a doenças que lesam diretamente o fígado, como hepatites virais, hepatite alcoólica, cirrose, uso de certos remédios e infecções. O órgão inflamado ou danificado não consegue metabolizar a bilirrubina adequadamente.
  • Icterícia pós-hepática (obstrutiva): surge quando a bile não consegue sair do fígado para o intestino. Pode ser causada por cálculos na via biliar, tumores de pâncreas, vias biliares ou vesícula, além de estreitamentos e inflamações nesses canais.

Em recém-nascidos, a chamada icterícia neonatal é frequente nos primeiros dias de vida. Na maioria dos casos, está relacionada à imaturidade do fígado e se resolve com acompanhamento pediátrico. Contudo, valores muito altos de bilirrubina podem causar danos neurológicos, por isso a monitorização é fundamental.

Icterícia é perigosa? Quais sintomas exigem atenção imediata?

O grau de perigo da icterícia depende da causa e da velocidade com que ela aparece. Assim, quando surge de forma súbita, associada a dor abdominal intensa, febre, alteração da cor da urina e das fezes, o quadro pode estar ligado a obstrução de vias biliares ou inflamação aguda do fígado, situações que exigem atendimento rápido.

Além da pele amarelada, outros sinais costumam acompanhar a icterícia:

  • Olhos amarelados (escleras de cor amarela);
  • Urina escura, semelhante a chá forte;
  • Fezes muito claras ou esbranquiçadas;
  • Coceira intensa na pele;
  • Cansaço e mal-estar generalizado;
  • Perda de apetite e emagrecimento não intencional;
  • Dor ou sensação de peso do lado direito do abdômen.

O risco maior ocorre quando há falência hepática, infecções graves, tumores ou níveis muito altos de bilirrubina, especialmente em bebês. Sem tratamento adequado, podem surgir complicações como sangramentos, alteração da consciência, acúmulo de líquido no abdômen e infecções sistêmicas.

O grau de perigo da icterícia depende da causa e da velocidade com que ela aparece – depositphotos.com / dariakulkova.gmail.com
O grau de perigo da icterícia depende da causa e da velocidade com que ela aparece – depositphotos.com / dariakulkova.gmail.com
Foto: Giro 10

Como é feito o diagnóstico e o tratamento da icterícia?

O diagnóstico começa pela observação da pele e dos olhos, mas a confirmação depende de exames de sangue que medem a bilirrubina e avaliam o funcionamento do fígado. Exames de imagem, como ultrassom e tomografia, ajudam a identificar cálculos, tumores ou obstruções nas vias biliares.

O tratamento não é único, pois a icterícia é apenas a manifestação de um problema de base. Em linhas gerais, o manejo pode incluir:

  1. Correção da causa hematológica, quando há destruição excessiva de glóbulos vermelhos.
  2. Tratamento de hepatites virais, suspensão de medicamentos tóxicos ao fígado e controle do consumo de álcool.
  3. Cirurgias ou procedimentos endoscópicos para retirada de cálculos ou desobstrução das vias biliares.
  4. Fototerapia em recém-nascidos, reduzindo os níveis de bilirrubina no sangue.

Em casos avançados de cirrose ou falência hepática, pode ser necessária avaliação para transplante de fígado, medida que segue critérios rígidos e acompanhamento em centros especializados.

Como prevenir a icterícia e quando procurar atendimento médico?

Algumas medidas podem reduzir o risco de doenças que levam à icterícia. Entre elas, destacam-se a vacinação contra hepatite A e B, o uso de preservativo nas relações sexuais, o cuidado com seringas e materiais perfurocortantes, além da moderação rigorosa no consumo de bebidas alcoólicas. A adoção de uma alimentação equilibrada e o controle de doenças crônicas também ajudam a proteger o fígado.

É recomendável buscar atendimento médico sempre que houver amarelecimento da pele ou dos olhos, especialmente se vier acompanhado de febre, dor abdominal, urina escura, fezes claras, confusão mental ou sangramentos. Em bebês, qualquer icterícia que apareça nas primeiras 24 horas de vida, que se intensifique rapidamente ou que se prolongue além dos primeiros dias deve ser avaliada com urgência.

O reconhecimento precoce da icterícia como sinal de alerta permite investigar a causa com mais rapidez e iniciar o tratamento adequado. Essa atitude pode evitar complicações graves e contribuir para preservar a função do fígado ao longo da vida.

Giro 10
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