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Sinal de Frank e risco cardiovascular: o que a ciência realmente mostra

O sinal de Frank, que também tem o nome de prega diagonal do lóbulo da orelha, é uma marca em forma de linha oblíqua que atravessa o lóbulo auricular. Saiba o que diz a ciência sobre a associação entre esse sinal e o risco cardiovascular.

12 fev 2026 - 23h32
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O sinal de Frank, que também tem o nome de prega diagonal do lóbulo da orelha, é uma marca em forma de linha oblíqua que atravessa o lóbulo auricular. Em geral, ele vai da borda externa em direção ao tragus. Essa marca costuma aparecer de forma espontânea, sem dor ou inflamação, e pode surgir em apenas uma orelha ou em ambas. Com o tempo, o sinal ganhou fama por uma possível associação com doenças do coração, especialmente a doença arterial coronariana.

Na prática clínica, observa-se o sinal de Frank durante o exame físico, muitas vezes de forma casual, enquanto o profissional avalia a cabeça e o pescoço do paciente. Porém, essa dobra no lóbulo não é considerada uma doença em si, mas um achado físico que pode levantar suspeitas adicionais. Apesar disso, especialistas destacam que a presença da prega não significa, por si só, que existe um problema cardíaco. Ademais, ressaltam que muitos indivíduos saudáveis também podem apresentá-la.

O Sinal de Frank ganhou fama por uma possível associação com doenças do coração, especialmente a doença arterial coronariana – depositphotos.com / ArturVerkhovetskiy
O Sinal de Frank ganhou fama por uma possível associação com doenças do coração, especialmente a doença arterial coronariana – depositphotos.com / ArturVerkhovetskiy
Foto: Giro 10

O que é o sinal de Frank e por que se fala tanto nele?

O sinal de Frank é uma prega diagonal bem visível, que corta o lóbulo da orelha em um ângulo aproximado de 45 graus. Assim, a palavra-chave principal que se associa a esse tema é sinal de Frank, que com frequência é alvo de buscas em conjunto com termos como "infarto", "coração" e "doença coronariana". Ele passou a chamar a atenção de cardiologistas na década de 1970, quando ocorreu a publicação de estudos sugerindo uma maior frequência dessa prega em pessoas com obstruções nas artérias coronárias.

Algumas hipóteses tentam explicar essa possível conexão. Uma delas sugere que alterações no colágeno e na elasticidade dos vasos sanguíneos também ocorreriam em estruturas como o lóbulo da orelha, gerando a dobra. Outra hipótese relaciona o sinal ao envelhecimento vascular precoce, já que é mais comum em pessoas mais velhas. Mesmo assim, não existe um mecanismo totalmente comprovado que ligue diretamente o sinal de Frank ao desenvolvimento de placas de gordura nas artérias do coração.

Qual é a relação entre o sinal de Frank, infarto e doença arterial coronariana?

Em diversos estudos observacionais, a presença do sinal de Frank foi associada a maior prevalência de doença arterial coronariana, infarto do miocárdio prévio e aterosclerose em outros territórios, como artérias carótidas. Em algumas pesquisas, indivíduos com a prega no lóbulo apresentaram maior chance de ter artérias coronárias obstruídas em exames como angiografia ou tomografia de coronárias, quando comparados a pessoas da mesma idade sem o sinal.

Para tornar esse quadro mais compreensível, costuma-se relacionar o sinal de Frank com outros fatores conhecidos de risco cardiovascular:

  • Hipertensão arterial
  • Diabetes mellitus
  • Colesterol elevado
  • Tabagismo
  • Sedentarismo e obesidade
  • História familiar de infarto precoce

De forma geral, estudos indicam que, quando a prega da orelha aparece em pessoas com vários desses fatores de risco, a probabilidade de existir doença coronariana significativa pode ser maior. Ainda assim, o sinal de Frank não substitui exames específicos, como eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico ou exames de imagem das artérias coronárias.

O que dizem os estudos científicos sobre o sinal de Frank?

Pesquisas realizadas em diferentes países apontam uma associação estatística entre o sinal de Frank e doença arterial coronariana. Alguns trabalhos mostraram que a prega auricular estaria ligada não apenas à presença de placas nas coronárias, mas também a maior risco de eventos cardiovasculares, como infarto e morte de causa cardíaca. Em certas análises, essa relação permaneceu significativa mesmo após ajuste para idade, sexo e outros fatores de risco.

Por outro lado, a literatura científica também apresenta resultados divergentes. Alguns estudos não encontraram uma correlação forte, ou observaram que a associação ficava bem mais fraca quando se considerava o envelhecimento e doenças concomitantes. Além disso, muitos desses estudos são observacionais e com amostras selecionadas, o que limita a capacidade de definir uma relação de causa e efeito. Em resumo, existe evidência de associação, mas não há consenso de que o sinal seja um marcador independente robusto.

Quais são as limitações do sinal de Frank como marcador clínico?

Entre as limitações mais relevantes, destacam-se:

  1. Baixa especificidade: muitas pessoas apresentam o sinal de Frank sem ter doença arterial coronariana.
  2. Dependência da idade: a prega no lóbulo é mais comum com o passar dos anos, o que dificulta separar o efeito da idade do possível risco cardíaco.
  3. Influência genética e étnica: características da orelha variam entre indivíduos e populações, o que pode interferir na interpretação clínica.
  4. Variação na definição: alguns estudos consideram apenas pregas bem profundas e bilaterais; outros incluem marcas discretas, o que gera resultados diferentes.
  5. Subjetividade na avaliação: a observação é feita a olho nu e pode variar entre examinadores.

Esses pontos reforçam que o sinal de Frank não deve ser encarado como diagnóstico de infarto ou de doença coronariana. Ele é, na melhor das hipóteses, um elemento adicional que pode chamar atenção para o risco cardiovascular global, mas sempre inserido em um contexto clínico mais amplo.

Quando o sinal de Frank deve ser valorizado na prática médica?

Na prática, a presença do sinal de Frank costuma ser valorizada quando aparece associada a outros fatores de risco ou sintomas sugestivos de problema cardíaco. Em consultas de rotina, o achado pode funcionar como um lembrete para revisar de forma mais detalhada o perfil cardiovascular do paciente, sobretudo em indivíduos de meia-idade ou idosos.

Algumas situações em que esse achado ganha relevância incluem:

  • Pessoa com dor no peito, falta de ar ou cansaço aos esforços, associando a prega da orelha a um quadro de suspeita de isquemia do miocárdio.
  • Indivíduo com múltiplos fatores de risco (hipertensão, diabetes, tabagismo, colesterol alto) em que o sinal de Frank pode reforçar a necessidade de investigação mais aprofundada.
  • Pacientes sem queixas, mas com história familiar de infarto precoce, em que qualquer pista adicional de risco é levada em conta na abordagem preventiva.

Ainda assim, o achado isolado não determina condutas por conta própria. Ele deve ser interpretado junto com a história clínica, exame físico completo, dados laboratoriais e, quando indicado, exames cardiológicos. O sinal de Frank não substitui acompanhamento regular, controle de pressão, glicemia e colesterol, nem afasta a necessidade de procurar avaliação médica diante de sintomas.

Na prática clínica, observa-se o sinal de Frank durante o exame físico, muitas vezes de forma casual, enquanto o profissional avalia a cabeça e o pescoço do paciente – depositphotos.com / HayDmitriy
Na prática clínica, observa-se o sinal de Frank durante o exame físico, muitas vezes de forma casual, enquanto o profissional avalia a cabeça e o pescoço do paciente – depositphotos.com / HayDmitriy
Foto: Giro 10

O sinal de Frank serve como alerta, não como diagnóstico

O consenso entre especialistas é que o sinal de Frank pode atuar como um possível marcador de alerta para doença arterial coronariana, especialmente em pessoas com outros fatores de risco. Porém, não possui valor diagnóstico isolado, não confirma nem exclui infarto, e não deve ser usado como único critério para decisões médicas.

Diante de qualquer dúvida sobre risco cardiovascular, seja pela presença da prega no lóbulo da orelha ou por sintomas, a recomendação é buscar avaliação profissional para uma análise completa. O foco principal continua sendo o controle dos fatores de risco conhecidos, a adoção de hábitos saudáveis e o seguimento médico adequado, independentemente da presença ou ausência do sinal de Frank.

Giro 10
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