O que é Sinal de Frank, marca na orelha de Madeirite, influencer que morreu de infarto
Caso de Henrique Maderite chama atenção para a linha no lóbulo da orelha
A morte repentina do influenciador digital Henrique Maderite, vítima de um infarto fulminante, colocou em pauta um problema pouco perceptível para grande parte da população: os chamados infartos silenciosos. Esses quadros podem evoluir de forma discreta, sem sintomas claros, e muitas vezes têm como primeira manifestação um evento fatal.
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De acordo com o cardiologista Marcelo Bergamo, situações como essa costumam estar relacionadas a alterações progressivas no funcionamento do coração, que passam despercebidas ao longo do tempo. "O infarto silencioso é especialmente perigoso porque o paciente não reconhece os sintomas ou os confunde com desconfortos leves, como cansaço ou indigestão".
No caso de Henrique, um aspecto observado após sua morte chamou a atenção de especialistas: a presença do sinal de Frank, uma linha diagonal no lóbulo da orelha. Embora não seja um diagnóstico médico, esse sinal é associado, em diversos estudos, a um risco aumentado de doença arterial coronariana e funciona como um alerta clínico importante.
O que é o sinal de Frank?
O sinal de Frank é caracterizado por uma linha ou dobra diagonal no lóbulo da orelha, geralmente profunda e facilmente visível. Pesquisas indicam que pessoas com essa característica apresentam maior incidência de aterosclerose, condição marcada pelo acúmulo de placas de gordura nas artérias, considerada a principal causa de infartos.
"O sinal de Frank é um marcador físico que pode indicar alterações nos vasos sanguíneos, inclusive nas artérias do coração. Ele não causa a doença, mas pode sinalizar que o paciente merece uma investigação cardiovascular mais cuidadosa", afirma o cardiologista.
"Quando identificamos esse sinal, especialmente em adultos a partir dos 40 anos, o ideal é avaliar fatores como colesterol, pressão arterial, diabetes, histórico familiar e hábitos de vida", orienta.
Não há tratamento específico para o sinal de Frank, mas sim para os fatores de risco associados. O acompanhamento médico regular é considerado essencial. "A conduta envolve mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do estresse e, quando necessário, uso de medicações para colesterol, pressão ou glicemia", explica.
Os sinais de risco
O especialista ressalta que o infarto raramente ocorre de forma súbita e isolada. "Os principais sinais de risco são pressão alta, colesterol elevado, especialmente LDL alto, diabetes, tabagismo, obesidade abdominal, sedentarismo e histórico familiar de infarto precoce. Esses fatores favorecem o acúmulo de placas nas artérias do coração ao longo dos anos".
Conforme o cardiologista Thiago Marinho, outros fatores de risco têm chamado atenção. "Nas últimas décadas alguns outros fatores de risco ganharam importância, como o transtorno de ansiedade e depressão".
Bergamo acrescenta que sinais físicos podem ajudar na identificação do risco, mas não substituem exames médicos. "Alguns achados físicos, como xantelasma nas pálpebras ou até o sinal de Frank na orelha, podem funcionar como marcadores de risco, mas não fecham diagnóstico sozinhos".
Entre os principais sinais de alerta de um infarto em andamento estão dor ou aperto no peito, que pode irradiar para o braço ou para a mandíbula, falta de ar, sudorese fria e náuseas. Diante desses sintomas, a recomendação é buscar atendimento médico imediato.
Para o cardiologista, o caso reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. "O coração costuma dar sinais, ainda que sutis. A morte de uma pessoa aparentemente saudável mostra que prevenção não é opcional, é essencial".