Alemanha se junta à França e pede renúncia de relatora da ONU para a Palestina, após declarações
A Alemanha juntou-se à França nos pedidos para que a relatora especial da ONU para os Territórios Palestinos, Francesca Albanese, renuncie ao cargo, após declarações recentes dela sobre Israel serem consideradas antissemitas.
"Albanese já fez inúmeros comentários inadequados no passado. Condeno suas recentes declarações sobre Israel. Ela não está apta para ocupar este cargo", declarou o ministro das Relações Exteriores alemão, Johann Wadephul, nesta quinta-feira (12).
A controvérsia começou na terça-feira (10), após uma carta de um grupo de parlamentares franceses para o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, denunciando declarações "antissemitas" de Albanese e exigindo que Paris "trabalhe" para que ela seja destituída de todos os seus mandatos na ONU. Segundo os deputados, a relatora teria designado "Israel como um inimigo comum da humanidade" em um discurso público.
Questionado na quarta-feira por uma parlamentar, Barrot pediu a renúncia de Albanese por suas "declarações ultrajantes e repreensíveis que visam não o governo israelense, cujas políticas podem ser criticadas, mas Israel como povo e como nação, o que é absolutamente inaceitável".
Albanese nega acusações
Francesca Albanese denuncia as acusações como "falsas" e uma "manipulação" de suas declarações. No último sábado, falando por videoconferência em um fórum organizado em Doha pela Al Jazeera, ela se referiu a um "inimigo comum" que, segundo ela, possibilitou um "genocídio" em Gaza.
"O fato de que, em vez de deter Israel, a maioria dos países do mundo o armou, lhe forneceu pretextos políticos, proteção política e apoio econômico e financeiro, é um desafio", afirmou. Questionada na quarta-feira pelo canal de notícias France 24 sobre essa controvérsia, ela declarou: "Eu nunca, jamais, jamais disse que 'Israel é o inimigo comum da humanidade'".
"Falei sobre os crimes de Israel, o apartheid, o genocídio, e condenei como inimigo comum o sistema que impede que Israel seja levado à justiça e que seus crimes sejam postos em prática", acrescentou.
Associação de juristas franceses defende relatora
Uma associação de juristas franceses anunciou que apresentou uma queixa judicial por "divulgação de informações falsas" a respeito de declarações atribuídas "fraudulentamente" por membros do parlamento à relatora especial da ONU para os Territórios Palestinos. Para a associação Juristas pelo Respeito ao Direito Internacional (Jurdi), essas acusações "constituem um grave ataque ao princípio da independência dos mecanismos da ONU e levantam a questão da disseminação de informações imprecisas por autoridades públicas".
A Jurdi afirmou que, consequentemente, apresentou "uma denúncia ao Ministério Público de Paris sobre ações que provavelmente constituem o crime previsto em lei de disseminação de notícias falsas, em vista das declarações fraudulentamente atribuídas à Sra. Francesca Albanese".
Parlamentares e líderes ambientais também enviaram uma carta na quinta-feira ao ministro Barrot, pedindo-lhe que esclarecesse sua declaração e retirasse seu pedido de renúncia de Albanese. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da França enfatizou na quinta-feira que "a França, em diversas ocasiões, expressou sua preocupação com as posições de Albanese nos últimos anos".
"É o conjunto de suas declarações que levou o ministro a pedir sua renúncia", afirmou Pascal Confavreux, observando que, embora as declarações recentes dela sejam "inaceitáveis", o ministro não havia "pronunciado essa expressão ('inimigo comum')" na Assembleia Nacional.
Com AFP