Caso Epstein envolve diplomata francês e gera nova crise na França
O caso Epstein continua provocando polêmicas na França, com a revelação do envolvimento de novas personalidades francesas com o criminoso sexual americano. Após o ex‑ministro socialista Jack Lang, obrigado a renunciar à presidência do Instituto do Mundo Árabe devido à divulgação de seus contatos com o financista, o escândalo atinge agora o Ministério das Relações Exteriores, relata a imprensa francesa.
O diplomata francês Fabrice Aidan aparece quase 200 vezes nos arquivos de Epstein divulgados pela Justiça americana. O ministro das Relações Exteriores francês, Jean‑Noël Barrot, afirmou ter encaminhado o caso à Justiça, descrevendo os fatos como "presumidos". Ele também abriu uma investigação administrativa e um procedimento disciplinar contra o diplomata.
Aidan, que atuou no Quai d'Orsay por 25 anos a partir dos anos 2000 e trabalhava no grupo Engie, foi suspenso pela empresa após as revelações. Os documentos indicam que Epstein chegou a emprestar seu apartamento em Paris ao diplomata e que ambos mantinham contato regular.
Até o momento, os documentos divulgados não o vinculam diretamente aos crimes sexuais cometidos por Epstein, mas apontam para sua participação ativa em um sistema de trocas e favores que permitia ao financista circular em meios diplomáticos e acessar informações internas da ONU.
A advogada de Aidan afirmou que seu cliente contesta "todas as acusações contra ele". "Nunca houve qualquer consulta a sites de pornografia infantil. O FBI já investigou o caso sem apresentar qualquer acusação, e as investigações realizadas na França chegaram à mesma conclusão", declarou Jade Dousselin, em um comunicado à imprensa enviado à AFP.
Segundo Le Figaro, dois músicos franceses aparecem de forma destacada nos documentos: o pianista Simon Ghraichy e o maestro Frédéric Chaslin, citados cerca de 1.500 vezes e envolvidos em relações de mecenato e troca de serviços com Epstein.
Atuação na ONU
O jornal Libération analisou as informações reveladas pelos documentos. Segundo o jornal, Fabrice Aidan teria atuado como intermediário operacional entre o financista americano e o diplomata norueguês Terje Rød‑Larsen, figura de alto escalão da ONU. Os arquivos revelam trocas intensas entre os três, envolvendo informações diplomáticas, favores pessoais e arranjos de acesso a círculos diplomáticos e econômicos internacionais.
Aidan trabalhou por anos ao lado de Rød‑Larsen na ONU e no Instituto Internacional para a Paz. Documentos indicam que o norueguês teria transmitido a Epstein materiais diplomáticos não públicos, como relatórios da ONU e informações sigilosas, violando normas internas da organização. Em troca, Rød‑Larsen e sua família teriam recebido benefícios financeiros, hospedagem, viagens e presentes de luxo associados a Epstein.
O francês Aidan também foi alvo, em 2013, de uma investigação do FBI e da ONU por suspeita de consulta a sites de pornografia infantil, o que resultou em sua saída do cargo na ONU, embora sem condenação. Mesmo assim, manteve vínculos com Epstein, prestando favores como facilitar contatos, organizar viagens e intermediar compras e pagamentos.
Segundo Le Parisien, as revelações são "terríveis", e o governo francês teme agora que o escândalo seja explorado por redes conspiracionistas.
O caso já provocou na França a renúncia do ex‑ministro socialista Jack Lang do Instituto do Mundo Árabe.