Corte italiana rejeita pedido da defesa e extradição de Carla Zambelli segue em análise
Nesta terça-feira (10) a Primeira Sessão do Tribunal de Apelação em Roma decidiu rejeitar a solicitação da defesa de Carla Zambelli de substituir o colegiado de juízes atualmente responsáveis pelo processo de extradição, pedido pelo Brasil.
Gina Marques, correspondente da RFI em Roma
Durante a audiência, a portas fechadas, Zambelli estava conectada por videoconferência na penitenciária feminina de Rebibbia, nos arredores da capital italiana, onde se encontra detida desde julho de 2025. A sua participação não era prevista, mas foi uma insistência da defesa. Por esse motivo, a Corte teve que chamar um intérprete na última hora, e a audiência começou com quase três horas de atraso. A defesa de Carla Zambelli afirmou que vai recorrer da decisão à Corte de Cassação, instância máxima da Justiça italiana.
"Temos até 15 dias para apresentar recurso", declarou Angelo Alessandro Sammarco, um dos defensores de Carla Zambelli. Paralelamente, a audiência desta quarta‑feira (11), às 10h (6h em Brasília), será mantida. A sessão de amanhã julgará o mérito da extradição, enquanto a de hoje julgou (e recusou) o recurso da defesa para trocar o colegiado de juízes.
A defesa alega também que Zambelli sofre perseguição política e judicial no Brasil. De acordo com Sammarco, as prisões brasileiras não respeitam os direitos humanos. A defesa chegou a solicitar informações sobre as condições da penitenciária no Brasil onde Zambelli cumprirá a pena caso seja extraditada.
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, em dezembro passado, enviou uma documentação de 11 páginas informando as condições da penitenciária feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.
Segundo os documentos, as detentas têm acesso à saúde e a cursos de formação. A documentação inclui fotos dentro da prisão, mas a defesa afirma que faltam imagens específicas do banheiro e da cela onde Zambelli ficará presa.
Condenações
O STF condenou Zambelli em dois processos. Ambos estão com trânsito em julgado (sem possibilidade de novos recursos), o que torna imediato o início do cumprimento da pena. No primeiro processo, ela foi sentenciada a cumprir dez anos de prisão por contratar um hacker para inserir um mandado de prisão falso contra Alexandre de Moraes no sistema da Justiça. Além disso, foi condenada a cinco anos e três meses de detenção por apontar uma arma e perseguir um homem em São Paulo, na véspera da eleição presidencial de 2022.
Zambelli renunciou ao mandato de deputada federal em 14 de dezembro. Após a CCJ votar pela cassação de Zambelli, o plenário da Câmara decidiu manter o mandato, mas o STF anulou a sessão da Câmara, e a reação de Zambelli foi apresentar sua carta de renúncia.
Em outubro, o Ministério Público italiano se manifestou a favor da extradição.