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Candidato socialista vence direita radical e é eleito presidente de Portugal, indicam projeções

António José Seguro, de centro-esquerda, foi eleito presidente de Portugal neste domingo (8/2), segundo as projeções de boca de urna, batendo André Ventura, do Chega

8 fev 2026 - 17h29
(atualizado às 18h03)
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Seguro será o presidente de Portugal
Seguro será o presidente de Portugal
Foto: REUTERS/Rita Franca / BBC News Brasil

Em uma campanha em que apelou ao voto moderado, o socialista António José Seguro foi eleito presidente de Portugal neste domingo (8/2), segundo as projeções de boca de urna.

Ex-secretário-geral do Partido Socialista (PS), de centro-esquerda, Seguro teria entre 68% a 73% dos votos, segundo a projeção da Universidade Católica feita para a emissora pública RTP.

Com 80,30% das urnas apuradas às 17h30 deste domingo (horário de Brasília), Seguro reunia 64,16% dos votos.

Assim, Seguro teria vencido confortavelmente o candidato André Ventura, líder do Chega, da direita radical, que concorreu com um forte discurso anti-imigração.

Logo após o anúncio das projeções, Ventura reconheceu a derrota. "Ele venceu. Desejo-lhe um excelente mandato", disse ao sair de uma missa.

O líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, também assumiu a vitória da esquerda, mas disse que seu partido é "o grande vencedor da direita". "Provamos que vínhamos para ser diferentes" e contra o sistema "que se uniu contra nós".

Seguro é visto como uma figura centrista e moderada e vai ter que atuar em momento polarizado na política portuguesa.

Portugal tem um regime semipresidencialista de matriz parlamentar. Isso quer dizer que, embora o presidente seja eleito por voto direto, o poder executivo é exercido pelo primeiro-ministro, indicado após eleições legislativas e que depende de apoio mínimo no Parlamento.

Desde 2024, o primeiro-ministro de Portugal é Luís Montenegro, da coligação de centro-direita liderada pelo Partido Social Democrata (PSD).

O papel do presidente, porém, está longe de ser protocolar, já que exerce um poder moderador crucial.

O presidente pode vetar leis, devolvendo-as ao Parlamento, e tem a prerrogativa de dar posse ao primeiro-ministro. Em casos extremos, também pode dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas — medida conhecida como "bomba atômica".

Seguro, então, pode ser decisivo para garantir a estabilidade do governo minoritário de centro-direita liderado pelo PSD — e Seguro é, afinal, o candidato melhor posicionado para ocupar o cargo.

O novo presidente foi eleito com o apoio de várias figuras políticas portuguesas moderadas, entre eles Aníbal Cavaco Silva, presidente entre 2006 e 2016 e primeiro-ministro entre 1985 e 1995.

Também o apoiaram os prefeitos de Lisboa, Carlos Moedas, e do Porto, Pedro Duarte, ambos do PSD. Luís Marques Mendes, candidato apoiado pelo PSD no primeiro turno, afirmou que votaria em Seguro por seu alinhamento com a "defesa da democracia" e a "moderação política".

A votação deste domingo ocorreu com o país em estado de "calamidade pública", em meio a uma onda de fortes tempestades. Ventura chegou a pedir o adiamento da eleição, mas autoridades eleitorais afastaram essa possibilidade, admitindo apenas adiamentos pontuais em alguns municípios.

Segundo os primeiros resultado, o comparecimento no segundo turno foi semelhante ao do primeiro turno.

Da direita radical, André Ventura perdeu a eleição
Da direita radical, André Ventura perdeu a eleição
Foto: Anadolu via Getty Images / BBC News Brasil
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