Irã critica Itália e exige foco no fim da guerra antes de discutir Estreito de Ormuz
Declaração é dada à margem de visita surpresa de Meloni a países do Golfo
A embaixada iraniana em Roma declarou nesta sexta-feira (3) que a Itália deve exigir o fim da guerra envolvendo os Estados Unidos e Israel antes de discutir a reabertura do Estreito de Ormuz, rota marítima crucial para o escoamento da produção de petróleo e gás natural do Golfo Pérsico.
"Antes de discutir a reabertura do Estreito de Ormuz, a Itália deve se opor firmemente à flagrante violação do direito internacional pelos agressores americano-sionistas", afirmou a representação diplomática em publicação nas redes sociais.
Segundo a embaixada, "a insegurança no Estreito de Ormuz é resultado direto da agressão dos EUA e de Israel, e não da autodefesa do Irã".
"Se há preocupação com a crise global de energia e fertilizantes, force os agressores a encerrar a guerra de forma completa e definitiva, para que a estabilidade possa retornar à região", concluiu a nota.
As críticas iranianas à Itália são feitas no momento em que a primeira-ministra Giorgia Meloni iniciou uma visita surpresa de dois dias a países do Golfo, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar, para tentar fortalecer a segurança energética da nação europeia.
A agenda inclui encontros com líderes regionais, como o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman.
A missão, organizada sob forte sigilo por motivos de segurança, ocorre em meio à escalada de tensões após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Segundo fontes diplomáticas, os principais temas são segurança energética, rotas comerciais e fluxos migratórios.
A região é estratégica: responde por cerca de 15% da produção mundial de petróleo e 10% do fornecimento global de energia, além de movimentar bilhões em comércio com a Itália. Meloni busca reforçar a cooperação e garantir a continuidade dos investimentos italianos, especialmente de grandes grupos como a Eni. .