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'Subestimaram o Irã': Trump prepara saída da guerra pressionado pela retaliação e falhas operacionais, diz analista

As bolsas europeias abriram em forte alta nesta quarta-feira (1º), após o presidente dos Estados Unidos ter dito, na véspera, que a retirada das tropas americanas da guerra contra o Irã poderá ocorrer brevemente. A expectativa é grande para o pronunciamento de Donald Trump, nesta quarta-feira (1), em que o líder americano promete "novas e importantes informações" sobre o conflito no Oriente Médio. Segundo analistas, a mudança de rumo ocorre porque Washington teria subestimado a capacidade de retaliação do Irã e enfrenta falhas operacionais que expuseram a vulnerabilidade das forças americanas na região.

1 abr 2026 - 07h21
(atualizado às 07h39)
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Em conversa com jornalistas na Casa Branca na terça-feira (31), o republicano afirmou que os Estados Unidos se retirarão da guerra em breve, "em duas ou três semanas", segundo suas palavras, e mesmo sem acordo.  

Fumaça vista em uma área do aeroporto internacional do Kuwait após um suposto ataque de drone. Em 1º de abril de 2026. A autoridade de aviação civil do Kuwait afirmou que o aeroporto internacional do país do Golfo foi alvo de um ataque de drone iraniano que resultou em um grande incêndio em um depósito de combustível.
Fumaça vista em uma área do aeroporto internacional do Kuwait após um suposto ataque de drone. Em 1º de abril de 2026. A autoridade de aviação civil do Kuwait afirmou que o aeroporto internacional do país do Golfo foi alvo de um ataque de drone iraniano que resultou em um grande incêndio em um depósito de combustível.
Foto: AFP - - / RFI

Donald Trump fará um pronunciamento à nação na noite de quarta-feira às 21h, horário local (quinta-feira, 1h da manhã, horário de Brasília). O presidente irá "fornecer novas informações importantes sobre o Irã", anunciou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt. 

O jornalista especializado em defesa da RFI, Franck Alexandre, aponta contradições nas declarações de Trump, que evita mostrar que estaria jogando a toalha. As últimas declarações do republicano contrastam fortemente com as do secretário da Defesa, Pete Hegseth, que, por sua vez, afirma não descartar a possibilidade de enviar tropas para solo iraniano. Com 50.000 soldados, um destacamento terrestre seria limitado. Acima de tudo, os militares americanos parecem ter subestimado a capacidade de retaliação do Irã.  

Autoridades sauditas e americanas confirmaram ao Wall Street Journal que a Base Aérea Príncipe Sultan, na Arábia Saudita, foi alvo de um míssil iraniano na sexta-feira (27) e que várias aeronaves de reabastecimento da Força Aérea dos EUA foram danificadas. "Um equipamento ainda mais valioso, um avião radar AWACS" também. Para Franck Alexandre, o fato de os EUA não terem conseguido protegê-los demonstra uma falta de controle operacional e que "o aventureirismo de Washington está começando a custar caro às suas Forças Armadas". 

Nos últimos dias, o presidente americano multiplicou as declarações sobre o fim da guerra, alegando que os objetivos foram atingidos e que teria havido até mesmo uma mudança no regime iraniano.

"Campanha não acabou" 

Ao contrário de seu aliado Donald Trump, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que "a campanha não acabou". O exército israelense anunciou ter realizado uma "onda de ataques em larga escala" contra infraestruturas do governo iraniano "em Teerã". 

A televisão estatal iraniana noticiou explosões no norte, leste e centro da capital, referindo-se a "ataques contra Teerã".  

No Líbano, sete pessoas morreram em ataques israelenses contra o movimento pró-Irã Hezbollah no sul de Beirute, informou o Ministério da Saúde libanês. O Exército de Israel havia anunciado o lançamento de dois ataques na região contra líderes do Hezbollah. 

Quatorze pessoas ficaram feridas em Israel, incluindo uma menina de 11 anos que está em estado grave, segundo os serviços de resgate israelenses, após novos ataques com mísseis iranianos contra o país. 

Incêndios no Kuwait e Bahrein  

A autoridade de aviação civil do Kuwait informou que o aeroporto internacional do país foi atacado, nesta quarta-feira (1º), por drones iranianos pertencentes a fações armadas apoiadas por Teerã, que causaram "um grande incêndio" em tanques de combustível. Não houve relatos de vítimas. 

No Bahrein, o Ministério do Interior declarou no portal X que "a Defesa Civil está trabalhando para extinguir um incêndio que começou nas instalações de uma empresa após a agressão iraniana". 

Um navio-tanque da Qatar Energy foi atingido por um míssil em águas territoriais do Catar, disseram as autoridades, responsabilizando o Irã pelo ataque. O Catar foi alvo de três mísseis "lançados do Irã", escreveu o Ministério da Defesa no portal X, observando que dois deles foram interceptados. 

Houthis mantêm ofensiva 

Os houthis no Iêmen, aliados do Irã, reivindicaram nesta quarta-feira a responsabilidade por seu terceiro ataque com mísseis contra Israel, afirmando terem como alvo "locais sensíveis" no sul do país. O exército israelense informou ter detectado o lançamento de um míssil vindo do Iêmen. Segundo a mídia israelense, o projétil foi interceptado e não houve relatos de feridos. 

Com RFI e agências

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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