Autismo em idosos: diagnóstico tardio ainda é um desafio
A geriatra e pesquisadora Uiara Ribeira explica por que há mais idosos autistas no país do que apontam os dados oficiais
Uma pesquisa desenvolvida pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná identificou o desafio que representa a realidade de adultos mais velhos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil.
Além do reconhecimento desse transtorno ser mais difícil em idosos, as políticas públicas específicas ainda são insuficientes para atender a essa população.
No vídeo, a médica geriatra Uiara Ribeiro, que também é pesquisadora da PUC do Paraná, fala sobre o assunto. Segundo ela, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2022 aponta a existência de 0,68% de indivíduos com mais de 60 anos dentro do espectro. Porém, ela acredita em subnotificação, ou seja, há mais idosos autistas no País do que os dados oficiais registram.
Uiara explica que pessoas que envelhecem no espectro sem um diagnóstico tendem a apresentar redução na expectativa de vida e alta prevalência de comorbidades psiquiátricas, como ansiedade e depressão.
Também podem estar mais suscetíveis a declínio cognitivo e de condições clínicas, incluindo taxas mais elevadas de doenças cardiovasculares e disfunções metabólicas. Ela reforça a necessidade de trazer mais
visibilidade ao TEA em idosos para que essas pessoas possam envelhecer com mais qualidade de vida.
Dificuldades na comunicação
Segundo o Ministério da Saúde, o autismo é caracterizado pela alteração das funções do neurodesenvolvimento do indivíduo, que pode interferir nas capacidades de comunicação, linguagem, interação social e comportamento. O diagnóstico do transtorno é clínico e costuma ser feito por uma equipe multiprofissional, uma vez que não existem marcadores biológicos ou exames que confirmem o espectro.
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