Carnaval infantil: como maquiagem afeta a saúde das crianças
Saiba como proteger a saúde das crianças no Carnaval, escolhendo maquiagens e fantasias seguras e evitando riscos à pele e ao desenvolvimento.
O Carnaval é tempo de cor, fantasia e diversão. Mas também é momento de atenção redobrada com a saúde infantil. Maquiagens, glitters e fantasias podem parecer inofensivos.
Ainda assim, o uso inadequado traz riscos para a pele, para o desenvolvimento hormonal e até para a forma como a criança enxerga a própria infância.
O alerta é da endocrinologista pediatra Dra. Lívia Franco, docente de Medicina do Centro Universitário Max Planck (UniMAX Indaiatuba).
Pele infantil é mais sensível
A pele da criança é mais fina, sensível e permeável que a pele adulta.
Isso significa que:
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Irrita com mais facilidade.
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Absorve mais substâncias químicas.
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Reage mais rápido a produtos inadequados.
Por isso, maquiagens feitas para adultos não são a melhor escolha para o público infantil.
Mesmo em uso pontual, podem causar problemas de saúde da pele.
Riscos de maquiagens de adultos em crianças
Produtos de maquiagem para adultos podem conter:
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Fragrâncias em excesso.
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Conservantes em concentração elevada.
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Corantes pouco indicados para peles sensíveis.
Segundo a especialista, isso aumenta o risco de:
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Dermatites de contato.
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Vermelhidão e coceira.
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Irritação nos olhos.
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Reações alérgicas mais intensas.
Na prática, aquela maquiagem "inofensiva" de Carnaval pode resultar em dias de desconforto, uso de pomadas e até necessidade de atendimento médico.
Desreguladores endócrinos: impacto na saúde hormonal
Outro ponto importante está dentro dos frascos, mas não aparece a olho nu.
São os desreguladores endócrinos.
Essas substâncias podem interferir no funcionamento normal dos hormônios.
Em cosméticos, podem estar presentes em alguns tipos de:
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Conservantes.
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Fragrâncias.
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Plastificantes e outros componentes.
Na infância, o sistema hormonal ainda está em desenvolvimento.
Somado a isso, a pele é mais permeável.
Resultado: a criança fica mais vulnerável à absorção desses compostos.
O uso eventual de um produto não significa, sozinho, um problema de saúde.
Mas a exposição a desreguladores endócrinos é cumulativa ao longo da vida.
Por isso, a orientação é clara: evitar ao máximo produtos que não sejam específicos para o público infantil.
Glitter e tintas faciais: brilho que pode machucar
O glitter comum e algumas tintas faciais também podem oferecer riscos à saúde.
Os problemas mais comuns incluem:
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Microlesões na pele, causadas por partículas ásperas.
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Dermatites e irritações, especialmente em peles sensíveis.
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Irritação ocular, caso escorra ou seja esfregado perto dos olhos.
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Infecções de pele em regiões já machucadas.
Em crianças menores, existe ainda o risco de inalação ou ingestão acidental.
Basta uma mão suja indo à boca ou ao nariz.
Sempre que possível, o ideal é:
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Evitar glitter comum.
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Priorizar produtos com indicação infantil e rotulagem clara.
Fantasias e calor: atenção à pele e ao conforto
As fantasias também têm impacto direto na saúde da pele.
Muitas peças são feitas com:
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Tecidos sintéticos.
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Materiais pouco respiráveis.
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Modelos apertados, com muitos elásticos.
Em dias de calor, como costuma acontecer no Carnaval, isso favorece:
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Assaduras.
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Coceiras e irritações.
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Dermatites.
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Infecções de pele, principalmente em áreas de dobra.
Regiões mais afetadas:
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Pescoço.
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Axilas.
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Virilhas.
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Atrás dos joelhos.
Em bebês e crianças pequenas, o risco é ainda maior.
Calor, suor e atrito formam um combo perigoso para a pele delicada.
Adultização precoce: quando a fantasia passa do ponto
Além da pele e dos hormônios, existe outro ponto de atenção: a adultização infantil.
A médica alerta para o uso de:
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Maquiagens pesadas.
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Roupas muito justas ou reveladoras.
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Fantasias sexualizadas ou inspiradas em estéticas adultas.
Esse tipo de escolha pode antecipar comportamentos e expectativas que não combinam com a fase da infância.
A criança pode ser exposta a olhares, comentários e contextos para os quais não está pronta.
A infância deve ser um tempo de:
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Brincar.
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Imaginar.
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Se expressar de forma lúdica, segura e adequada à idade.
Como escolher opções mais seguras para o Carnaval infantil
Para conciliar festa e saúde no Carnaval, algumas escolhas simples fazem grande diferença:
Na maquiagem:
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Use apenas produtos com indicação infantil.
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Verifique rótulo, validade e procedência.
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Evite maquiagens de adultos e produtos sem informação clara.
No glitter e nas tintas:
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Prefira versões próprias para crianças.
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Evite aplicar perto dos olhos.
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Descarte produtos sem rotulagem ou com cheiro forte estranho.
Nas fantasias:
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Dê preferência a tecidos leves, como algodão.
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Evite roupas muito apertadas ou com elásticos que marcam a pele.
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Observe se a criança está suando demais ou reclamando de coceira.
Depois da folia: cuidados para proteger a saúde infantil
Os cuidados não terminam na saída do bloco.
Ao chegar em casa, é importante:
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Retirar a maquiagem o quanto antes.
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Usar sabonete suave, indicado para o público infantil.
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Enxaguar bem o rosto e o corpo.
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Observar a pele nas horas seguintes.
Se aparecer vermelhidão intensa, coceira persistente, inchaço ou desconforto nos olhos, é fundamental procurar orientação médica.
Carnaval saudável, divertido e no tempo da infância
Com informação e prevenção, é possível viver um Carnaval colorido e, ao mesmo tempo, cuidadoso com a saúde das crianças.
Escolher produtos específicos para o público infantil, evitar desreguladores endócrinos, cuidar da pele em dias de calor e respeitar a fase da infância são atitudes que protegem o corpo e também o desenvolvimento emocional.
Como resume a especialista, o cuidado começa na preservação da infância.
Assim, as crianças podem aproveitar a folia de forma leve, protegida e adequada à idade.