Matalascañas é exemplo de grande fracasso arquitetônico: mar invade sem aviso, reinvidicando espaço
Por décadas, a arquitetura costeira foi construída sobre uma ideia equivocada, como se a praia da infância, aquela que guardamos na memória, fosse permanecer intacta para sempre. Matalascañas é o lembrete mais recente de uma falha desse tipo: praias não são decorações imperecíveis, são fronteiras que, mais cedo ou mais tarde, são engolidas pelo oceano.
Costa mal planejada
Em Matalascañas, o mar não avança mais de forma abstrata: ele literalmente invade os pátios, demolindo bares de praia e transformando calçadões em escombros retorcidos. O que durante décadas foi uma praia ampla e estável perdeu sua areia protetora, deixando casas e infraestruturas expostas a tempestades cada vez mais frequentes e intensas.
Construída nas décadas de 1960 e 1970 numa área de alta erosão natural, sem estudos de dinâmica costeira e sistemas dunares que atuassem como barreira, a urbanização personifica o choque entre uma arquitetura projetada para um mar fixo e uma costa que sempre esteve em movimento. As tempestades de 2026 apenas aceleraram um processo anunciado há anos, gerando um sentimento de abandono e urgência nos moradores que veem como as soluções emergenciais chegam tarde e nunca são definitivas.
Exceção que se tornou rotina
O que aconteceu após a tempestade Francis não foi um episódio isolado, mas o início de uma série de eventos. Poucas semanas depois, uma nova tempestade voltou a colocar a água à porta das casas, arrastando bares de praia e reabrindo feridas que ainda não cicatrizaram.
A ...
Matérias relacionadas
Construída há 1.700 anos, a maior estrutura de tijolos conhecida fica no Sri Lanka
Como evitar que a carne solte muita água ao fritar: a culpa não é do bife