Câncer de cólon: a nova ameaça mortal entre jovens adultos
Tradicionalmente, o câncer de cólon se associava mais a pessoas acima dos 50 anos. No entanto, pesquisas recentes indicam que a faixa etária abaixo dos 50, e até mesmo abaixo dos 40 anos, vem registrando crescimento proporcionalmente maior da doença. Saiba por que isso está acontecendo.
O câncer de cólon, que tem o nome de câncer colorretal quando envolve reto e intestino grosso, é um tumor que se desenvolve na parte final do aparelho digestivo. Na maioria das vezes, esse tipo de câncer se forma a partir de pequenos pólipos na parede interna do intestino, que vão sofrendo alterações ao longo dos anos até se tornarem malignos. Nos últimos tempos, estudos internacionais e levantamentos em diferentes países mostraram um aumento importante de casos em pessoas mais jovens. Assim, isso chama atenção de especialistas e de órgãos de saúde.
Tradicionalmente, o câncer de cólon se associava mais a pessoas acima dos 50 anos. No entanto, pesquisas recentes indicam que a faixa etária abaixo dos 50, e até mesmo abaixo dos 40 anos, vem registrando crescimento proporcionalmente maior da doença. Em alguns relatórios, o tumor de cólon e reto já aparece entre as principais causas de morte por câncer em adultos jovens, especialmente por causa do diagnóstico tardio. Portanto, esse cenário motiva debates sobre rastreamento precoce, mudanças de estilo de vida e maior atenção aos sinais do corpo.
O que é exatamente o câncer de cólon e como ele se desenvolve?
O câncer de cólon caracteriza-se pela multiplicação descontrolada de células anormais na mucosa do intestino grosso. Em grande parte dos casos, o processo começa com um pólipo adenomatoso, uma espécie de "caroço" benigno que pode permanecer estável por algum tempo. Porém, com o passar dos anos e o acúmulo de alterações genéticas, esse pólipo pode se transformar em um tumor maligno. Assim, ele invade camadas mais profundas da parede intestinal e, em estágios avançados, alcançando vasos sanguíneos e linfáticos.
A localização no cólon pode variar: lado direito (cólon ascendente), lado esquerdo (cólon descendente), região central (cólon transverso) ou porção final antes do reto (cólon sigmoide). Ademais, a posição do tumor costuma influenciar os sinais que surgem. Quando detecta-se o câncer de cólon ainda em fase de pólipo ou em estágio inicial, as chances de controle são significativamente maiores. Por esse motivo, a prevenção e o rastreamento são pontos-chave no enfrentamento desse tipo de câncer.
Por que o câncer de cólon preocupa tanto entre os jovens?
A expressão "câncer que mais mata os jovens" em relação ao câncer de cólon aparece em relatórios e estudos que apontam esse tumor como um dos principais responsáveis por morte por câncer em adultos jovens em vários países. Em parte, essa realidade liga-se ao fato de que, nessa faixa etária, o diagnóstico costuma ser mais tardio. Afinal, muitos pacientes jovens não fazem exames de rastreamento, e sintomas iniciais podem ser confundidos com problemas intestinais comuns, como hemorroidas, síndrome do intestino irritável ou infecções.
Pesquisas recentes discutem possíveis fatores que podem estar associados ao aumento de câncer de cólon em pessoas mais novas, entre eles:
- Alimentação rica em ultraprocessados, carnes processadas e gorduras saturadas.
- Sedentarismo e permanência prolongada em posição sentada.
- Excesso de peso e alterações metabólicas, como resistência à insulina.
- Tabagismo e consumo frequente de bebidas alcoólicas.
- Disbiose intestinal (desequilíbrio da microbiota), ainda em estudo.
Ao mesmo tempo, há evidências de que fatores genéticos e hereditários também desempenham papel importante, principalmente quando o câncer de cólon aparece antes dos 50 anos.
Quais são os principais sintomas e sinais de alerta do câncer de cólon?
Os sintomas do câncer de cólon podem variar conforme a localização e o estágio da doença. Em fases iniciais, muitas pessoas não apresentam qualquer queixa, o que reforça a importância do rastreamento. Quando surgem, os sinais mais descritos incluem alterações persistentes no funcionamento do intestino e sangramento nas fezes.
- Presença de sangue nas fezes, seja em pequenas listras, seja em quantidade maior.
- Mudança no hábito intestinal, com diarreia ou prisão de ventre que persistem por semanas.
- Fezes muito finas ou em "fita", indicando possível estreitamento da luz intestinal.
- Dor abdominal recorrente, cólicas ou desconforto ao evacuar.
- Sensação de evacuação incompleta, mesmo após ir ao banheiro.
- Perda de peso involuntária e cansaço, muitas vezes por anemia.
Em pessoas jovens, esses sinais podem ser atribuídos inicialmente a problemas menos graves. Por isso, estudos recentes destacam a importância de não ignorar sintomas persistentes, principalmente quando há histórico familiar de câncer de cólon ou de pólipos intestinais. A investigação adequada permite identificar a doença em fase mais precoce.
Como é feito o diagnóstico e o rastreamento do câncer de cólon?
O diagnóstico do câncer de cólon passa, em geral, por algumas etapas. O primeiro passo é a avaliação clínica, na qual o profissional de saúde colhe informações sobre sintomas, histórico familiar e fatores de risco. Em seguida, podem ser solicitados exames de fezes para detecção de sangue oculto e exames de imagem.
- Colonoscopia: é o principal exame para rastreamento e diagnóstico, permitindo visualizar todo o intestino grosso e retirar pólipos suspeitos.
- Retossigmoidoscopia: avalia a parte final do intestino, podendo detectar alterações em regiões mais baixas.
- Exames de imagem como tomografia e ressonância ajudam a avaliar a extensão da doença.
- Biópsia: o material coletado durante a colonoscopia é analisado em laboratório para confirmar se há células malignas.
Em muitos países, diretrizes de rastreamento do câncer colorretal vêm sendo revistas, com redução da idade inicial recomendada para colonoscopia em pessoas sem sintomas e sem fatores de risco importantes. Já em grupos com histórico familiar de câncer de cólon, síndromes hereditárias ou doenças inflamatórias intestinais, a investigação costuma começar ainda mais cedo.
É possível prevenir o câncer de cólon ou reduzir o risco?
Estudos apontam que uma parcela considerável dos casos de câncer de cólon pode ser evitada ou identificada em estágios iniciais por meio de mudanças no estilo de vida e de programas de rastreamento. A prevenção se apoia em dois pilares: hábitos saudáveis e detecção precoce de pólipos e lesões suspeitas.
Entre as atitudes mais associadas à redução do risco de câncer de cólon estão:
- Manter alimentação rica em fibras, com maior consumo de frutas, verduras, legumes e grãos integrais.
- Reduzir o consumo de carnes processadas e de alimentos ultraprocessados.
- Praticar atividade física regular, adaptada à rotina e às condições de saúde de cada pessoa.
- Evitar tabaco e limitar o uso de bebidas alcoólicas.
- Acompanhar o peso corporal e outros fatores metabólicos, como glicemia e colesterol.
- Realizar exames de rastreamento conforme orientação médica, especialmente em caso de histórico familiar.
O câncer de cólon, apesar de ser apontado em vários estudos como um dos tumores que mais mata jovens na atualidade, é também um dos tipos em que o diagnóstico precoce faz grande diferença. Informações claras, atenção aos sintomas e adesão ao rastreamento indicado para cada perfil de risco tendem a ter impacto direto nos desfechos, permitindo que mais pessoas tenham a chance de tratar a doença em estágios menos avançados.