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Olhar o olhar

23 mai 2019
09h00
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Olhar e olhar o olhar. Olhar é mecânico, ver. Olhar o olhar, aprofundar, guardar, trocar, trata-se de coisa diferente — pede aprofundar a concentração, o afetivo, o emocional, o espiritual. 

Olhar o olhar
Olhar o olhar
Foto: iStock

Para olhar o olhar não basta a simples atenção do enxergar. Movimenta uma série de outros mecanismos — além do cerebral, além do psicológico —, depende de despertar mecanismos de sensibilidade profunda, da comunhão de alma. 

Olhar o olhar é buscar identificar e entender como o olhar do outro (e o seu próprio olhar para o olhar do outro) diz tanta coisa. É encontro com intensidades ambíguas: revelações invasivas ou vulneráveis, alegres ou tristes, felizes ou infelizes, eufóricas ou deprimidas, brilhantes ou opacas.

Olhar o olhar é atravessar a porta pela qual o mundo flui para dentro e jorra para fora — metafórica porta da percepção, da alma. Por rápida fração de segundos, ao cruzar, o olhar o olhar espia dentro do cofre secreto — depósito resguardado de tudo de mais precioso que a outra pessoa possui, tudo o que ela é... 

Assim é o tênue e significativo contato com o olhar alheio. Um contato especial, diáfano: apenas um “com”, sem o “tato”, sem qualquer toque físico? Por isso mesmo, mais especial, mais misterioso, mais apaixonante. Apenas o rápido do relance, quase um raspão, resvala, tangencia, por um triz.

Quando se realiza em profundidade, é experiência transformadora, difícil de ser esquecida. Você olha o olhar, desliza por ele e ele desliza por você. Como dois navios que, no largo oceano, cruzam. Rápida passagem, mas suficiente para que sinais sejam trocados.  

Resta, geralmente, o mistério. Ah, claro que havia mais coisas lá dentro! Tanta coisa, tanta substância em estoque. O mistério e o gostinho de quero mais, o desejo de repetir, de vasculhar com calma, explorar detalhadamente todas as perspectivas. 

Olhar o olhar revela amostras de quem somos, do que queremos que as pessoas sejam, do que achamos que as pessoas querem que sejamos. É oportunidade rara poder olhar um olhar, mergulhar na interioridade, focalizar, projetar, clarear, identificar, permitir que a mente se ajuste e possa entender, num relance, o que somos no outro que também é. 

Basta um instante, fugaz, efêmero, para julgar a riqueza de uma vida toda? Para que os laços de alma se amarrem?

Quer saber mais sobre o trabalho de Marina Gold ou entrar em contato com ela, clique aqui.

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Fonte: Marina Gold
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