Mais de um em cada três franceses considera tortura 'aceitável' em certos casos, aponta pesquisa
Uma pesquisa do instituto francês Ifop, publicada nesta quinta-feira (5), mostrou que 38% dos franceses consideram "aceitável" o uso da tortura dependendo da situação. O estudo foi encomendado pela associação Ação dos Cristãos pela Abolição da Tortura (Acat), que lamentou "uma banalização preocupante".
O dado revela uma tendência comportamental que se consolidou nos últimos dez anos. Em 2016, o número registrado foi de 36%, segundo um levantamento feito após a onda de atentados extremistas de 2015, contra 25% em 2000.
Cerca de 1.502 pessoas responderam a um questionário online entre 26 de novembro e 1º de dezembro de 2025. "Essa evolução reflete uma mudança de mentalidade, alimentada por medo e ansiedade coletivos e pela instrumentalização da segurança nacional", diz Luc Bellière, presidente da ACAT‑France, em comunicado.
A pesquisa aponta uma "forte segmentação política" em relação à aceitação da tortura. "77% dos simpatizantes de esquerda ainda a consideram inaceitável, contra apenas 38% dos simpatizantes do RN‑Reconquête", dois partidos de extrema direita, revela o estudo.
"A tolerância à tortura se apoia em parte numa crença persistente em sua eficácia para obter confissões, informações ou prevenir o terrorismo", explica a pesquisa. Um em cada dois franceses considera que a tortura "é eficaz" para impedir um ato terrorista.
Tortura se justificaria diante de ameaça terrorista
Segundo a pesquisa, 57% acreditam que ela "permite obter confissões" e 46% que fornece "informações confiáveis", embora "estudos empíricos" tenham demonstrado o contrário.
Quase seis em cada dez entrevistados (59%) acreditam, por exemplo, que é "justificado em certos casos" que um policial aplique choques elétricos em uma pessoa suspeita de ter colocado uma bomba prestes a explodir - embora 92% reconheçam esse procedimento como um ato de tortura.
Além disso, quase um em cada dois franceses (49%) acredita que atos de tortura já foram praticados pela polícia na França. Esse número está em queda em relação a abril de 2016 (57%) e setembro de 2000 (76%). A pesquisa foi realizada por meio de um questionário online entre 26 de novembro e 1º de dezembro, com uma amostra representativa de 1.502 pessoas de 18 anos ou mais.
Com agências