Doenças cardiovasculares, respiratórias e mutações ligadas ao câncer: especialistas da França alertam para os perigos do "vape"
A Agência Nacional de Segurança Sanitária da França (Anses) publica nesta quarta-feira (4) a primeira grande análise na França sobre os riscos relacionados ao cigarro eletrônico. O "vape" é usado por cerca de três milhões de pessoas na França.
"Cigarro eletrônico: perigoso ou não?": essa é a manchete do jornal Libération, que estampa sua capa com a foto de um fumante atrás da densa nuvem de vapor produzida pelo vape. O diário destaca que em 2024 cerca de 8% dos indivíduos de 18 a 79 anos reconheciam usar o dispositivo, mais de 6% de forma cotidiana.
Especialistas da Anses se apoiaram em cerca de três mil publicações científicas sobre o cigarro eletrônico para esta vasta análise. Eles são categóricos em afirmar que o "vape" suscita riscos à saúde, com prováveis danos cardiovasculares, sobretudo resultando no aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca.
No que diz respeito aos efeitos respiratórios, os especialistas são ainda mais pessimistas, e apontam a probabilidade de desenvolvimento de bronquite pulmonar crônica obstrutiva, uma doença progressiva e incurável. Nas mulheres grávidas, o vape pode afetar o coração, os vasos sanguíneos e o aparelho respiratório do feto. A Anses ainda destaca que algumas publicações científicas apontam uma relação entre o cigarro eletrônico e certas mutações biológicas que favorecem as primeiras etapas de um câncer.
Mesmo que o usuário opte pelo "juice" - como é chamado o líquido do vape, sem nicotina - os riscos existem. O "vape" é menos nocivo que o cigarro convencional por não produzir nem monóxido de carbono nem alcatrão. Mas é falso afirmar que o cigarro eletrônico não apresenta nenhum perigo para a saúde, reitera o jornal Le Parisien, ainda que o vape seja usado algumas vezes por dia e em curtos períodos.
Por outro lado, há poucas evidências quanto ao uso passivo do vape e aos possíveis danos de quem esteja nos arredores e inale o vapor exalado por estes aparelhos. Por medida de precaução, médicos entrevistados pelo Le Parisien desaconselham fumar cigarros eletrônicos perto de crianças por falta de estudos suficientes até o momento sobre o tema.