Paris 2024: 24 pessoas julgadas por suposta participação em rede de trabalho ilegal
Vinte e quatro pessoas e três empresas estão sendo julgadas a partir desta segunda-feira (2) em Bobigny, subúrbio de Paris, por suposta participação em uma rede de trabalho ilegal que empregava trabalhadores malianos no canteiro de obras da Vila Olímpica de Paris-2024, um dos últimos grandes canteiros de obras da região parisiense.
Um trabalhador, Tidiane (nome modificado), relatou ter sido forçado por seu chefe a ficar mais de uma hora escondido sob um edifício, durante uma fiscalização realizada em março por agentes da inspeção do trabalho.
Seu superior conhecia sua situação irregular e lhe havia proposto trabalhar sob a identidade de seu irmão, detentor de um visto de permanência na França.
A investigação revelou um sistema de trabalho dissimulado utilizando várias empresas, frequentemente efêmeras.
De acordo com um relatório da polícia, Mehmet B. seria o principal organizador, atuando como intermediário entre as empresas subcontratadas dirigidas por "gerentes de fachada", um dos quais, trabalhador no canteiro, "não sabe ler nem escrever em francês", aponta o documento.
Assim como Tidiane, centenas de trabalhadores foram remunerados ao longo dos meses "indiferentemente por uma ou outra das empresas", especifica o relatório.
Medo de represálias
Os trabalhadores denunciantes indicaram que não compareceriam à audiência por medo de represálias.
O grupo GCC, responsável pela construção de seis edifícios da Vila Olímpica, é acusado pela justiça de ter falhado na fiscalização de seus subcontratados.
Três executivos da empresa, incluindo um diretor de agência, estão sendo processados.
A maioria dos outros réus que comparecem perante a justiça "têm laços familiares ou são originários da mesma província ou até da mesma cidade na Turquia", observam os investigadores.
O prejuízo financeiro para o organismo de proteção social francês (Urssaf) é estimado em mais de € 8 milhões (R$ 49,6 milhões) .
O julgamento, por trabalho dissimulado em organização criminosa, emprego de estrangeiros sem autorização ilegal, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta, deve durar até 20 de fevereiro.
Com AFP