Ucrânia agradece Musk após bloqueio da Starlink; negociações serão retomadas
As próximas negociações trilaterais entre a Ucrânia e a Rússia, sob intermediação dos Estados Unidos, ocorrerão nos dias 4 e 5 de fevereiro em Abu Dhabi, anunciou o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky neste domingo (1°). Kiev agradeceu a Elon Musk e à sua empresa SpaceX pelas medidas tomadas para impedir que a Rússia utilize o sistema de comunicação via satélite Starlink para sobrevoar a Ucrânia com drones.
O ministro da Defesa ucraniano, Mykhailo Fedorov, acrescentou que Kiev está trabalhando "em estreita colaboração" com a SpaceX nos "próximos passos". Ele reiterou que "as medidas iniciais já estão surtindo efeito". "Obrigado por estar conosco. Você é um verdadeiro defensor da liberdade e um verdadeiro amigo do povo ucraniano", escreveu no Facebook, em referência ao bilionário Elon Musk.
A mensagem parecia uma resposta a uma publicação feita no domingo por Musk, na mesma rede: "Parece que as medidas que tomamos para impedir o uso não autorizado da Starlink pela Rússia estão funcionando. Informe-nos se forem necessárias outras medidas", escreveu Elon Musk, no Facebook.
Na quinta-feira, Mykhailo Fedorov havia anunciado que estava em contato com a SpaceX sobre o assunto. "Poucas horas depois de drones russos equipados com conectividade Starlink aparecerem sobre cidades ucranianas, a equipe do Ministério da Defesa contatou rapidamente a SpaceX e ofereceu maneiras de resolver o problema", escreveu Fedorov no X, acrescentando que estava "grato à presidente da SpaceX, Gwynne Shotwell, e pessoalmente a Elon Musk por sua rápida resposta".
Desde o final de dezembro, o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), um think tank americano, vem documentando a integração de sistemas Starlink em drones de ataque russos, o que aumentaria seu alcance para 500 quilômetros.
De acordo com a inteligência ucraniana, os terminais Starlink obtidos pelos militares russos foram adquiridos por canais não oficiais, como importações de países terceiros, e não por meio de uma venda oficial pela empresa de Elon Musk. Um desligamento completo do sistema Starlink na Ucrânia seria complicado pelo fato de que ele também é amplamente utilizado pelos militares ucranianos para suas comunicações.
Ucranianos enfrentam falta de energia e frio extremo
A pedido dos Estados Unidos, na sexta-feira, a Rússia afirmou ter concordado em suspender seus ataques à infraestrutura energética da Ucrânia até este domingo. A Ucrânia afirmou que faria o mesmo, enfatizando que essa pausa deveria durar até a próxima sexta-feira.
"A Ucrânia está pronta para discussões substanciais e queremos garantir que o resultado delas nos aproxime de um fim real e digno para a guerra", escreveu o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, no X.
Em Kiev, mil prédios residenciais ainda estavam sem aquecimento no domingo, segundo o prefeito Vitali Klitschko. A rede elétrica ucraniana sofreu uma forte interrupção no sábado, que afetou a vizinha Moldávia, embora as autoridades ucranianas não tenham relacionado diretamente o incidente aos bombardeios russos que têm como alvo a infraestrutura energética do país há meses.
A Ucrânia enfrenta um dos invernos mais rigorosos dos últimos anos. A temperatura em Kiev chegou a -15°C no domingo, e a previsão era de que caísse para -20°C na segunda-feira.
A fornecedora de energia elétrica DTEK informou no domingo que havia restabelecido o fornecimento para 300 mil residências na região de Odessa, no sul da Ucrânia, que foi particularmente afetada. A operadora da rede elétrica, Ukrenergo, alertou neste domingo que cortes de energia seriam programados em todo o país.
Questão territorial dificulta acordo
Embora não tenham sido relatados grandes ataques à infraestrutura energética da Ucrânia nos últimos dias, duas pessoas morreram entre a noite de sábado e a de domingo em um ataque com drone a um prédio residencial em Dnipro, e seis pessoas ficaram feridas em uma maternidade em Zaporizhzhia, informaram as autoridades regionais.
No fim de semana de 24 e 25 de janeiro, também em Abu Dhabi, as últimas negociações trilaterais não conseguiram avançar na questão crucial do território. A Rússia exige a totalidade da região do Donbas, no leste do país. Kiev, no entanto, se recusa a abrir mão de territórios que o Exército russo ainda não conquistou, apesar de seus lentos avanços na região.
Com AFP