Mensagens de Epstein embaraçam princesa norueguesa: "você é charmoso"
A princesa Mette-Marit, futura rainha da Noruega, enfrenta mais uma tormenta desde a revelação de novos documentos do caso do criminoso sexual americano Jeffrey Epstein. As mensagens revelam uma relação inesperadamente próxima entre ela e o financista - em um momento em que a reputação da realeza já está abalada pelo julgamento do filho da princesa, acusado de estupro.
O nome de Mette-Marit, esposa do príncipe herdeiro Haakon, aparece repetidamente - pelo menos mil vezes, segundo o jornal norueguês Verdens Gang (VG) - nas milhões de páginas divulgadas na sexta-feira (30) pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. O conteúdo e o tom das mensagens, trocadas entre 2011 e 2014, atestam cumplicidade entre Mette-Marit e Jeffrey Epstein, que cometeu suicídio na prisão em 2019.
As conversas ocorreram depois de o americano já ter sido condenado, em 2008, a pouco mais de um ano de prisão por aliciar prostitutas menores de idade.
Em um dos e-mails, a princesa pergunta a Epstein se seria "inapropriado para uma mãe sugerir, como tela de fundo de seu filho de 15 anos, a imagem de duas mulheres nuas segurando uma prancha de surfe". Em outra, ela afirma que o americano é "muito charmoso".
Em 2012, quando Jeffrey Epstein disse estar em Paris "à procura de uma esposa", ela respondeu que a capital francesa era "boa para adultério", mas que "as mulheres escandinavas são melhores".
Princesa diz se arrepender
Em resposta a essas revelações, publicadas na imprensa norueguesa, Mette-Marit enfatizou que "apenas Jeffrey Epstein deveria responder por seus atos". Mas não deixou de expressar seu arrependimento.
"Cometi um erro de julgamento e lamento profundamente ter tido qualquer contato com Epstein. É simplesmente constrangedor", disse ela, em um comunicado divulgado pelo Palácio Real à AFP. A princesa de 52 anos também admitiu sua responsabilidade "por não ter verificado o histórico de Epstein com mais cuidado e por não ter entendido rapidamente que tipo de pessoa ele era".
Em 2011, no entanto, ela escreveu a Epstein dizendo que havia "pesquisado no Google" sobre ele. "Sim, não causou uma boa impressão", acrescentou ela, pontuando a frase com um emoji sorrindo, embora não esteja claro a que se referia. Segundo o Palácio, Mette-Marit encerrou o contato com Epstein porque sentiu que ele estava "tentando explorar seu relacionamento passado com a Princesa Herdeira com outras pessoas". A última comunicação escrita entre eles data de janeiro de 2014.
"Quase dá a impressão de que eram amigos íntimos", disse o historiador Ole-Jørgen Schulsrud-Hansen, especialista na monarquia norueguesa, salientando que o contexto em que essas mensagens foram escritas é desconhecido.
"Uma princesa herdeira nunca é uma pessoa 'privada'. Isso demonstra uma falta de bom senso e que todas as 'válvulas de segurança' ao seu redor também falharam", acrescentou.
Filho acusado de estupro
O momento das revelações é péssimo para Mette-Marit. Na terça-feira, em Oslo, começa o julgamento de seu filho, Marius Borg Høiby, fruto de um breve relacionamento anterior ao seu casamento com o príncipe Haakon. O jovem de 29 anos enfrenta 38 acusações, incluindo quatro por estupro e violência contra ex-parceiras, que podem resultar em uma pena de vários anos de prisão, caso ele seja condenado.
O casal real não comparecerá ao julgamento, que deve durar sete semanas. Mette-Marit - dividida entre seus papéis de mãe e futura rainha - fará uma viagem particular durante esse período, anunciou o príncipe Haakon.
Os problemas se somam aos graves problemas de saúde da princesa, que sofre de uma forma rara de fibrose pulmonar, uma doença incurável. Em dezembro, o palácio anunciou que ela provavelmente precisaria de um transplante de pulmão, uma operação arriscada que, segundo especialistas, geralmente é o último recurso. "Esperemos que a princesa tenha uma boa rede de apoio. Não deve ser fácil lidar com tudo isso ao mesmo tempo", enfatizou Ole-Jørgen Schulsrud-Hansen. "Ela precisa travar várias batalhas simultaneamente, mas isso não deve nos impedir de fazer críticas, se elas forem justificadas pelos fatos."
Com AFP