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'Viver em uma favela na França': a realidade de 4,2 milhões de pessoas sem moradia digna no país

Novo relatório da Fundação para a Habitação da França traz dados preocupantes sobre as condições de moradia no país

3 fev 2026 - 07h07
(atualizado às 07h23)
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Resumo
A crise habitacional na França afeta 4,2 milhões de pessoas, com favelas, desabrigados e moradias precárias; altos aluguéis e baixos salários agravam o problema, revelando o impacto das desigualdades sociais.
Mulher em um estacionamento transformado pela associação humanitária francesa Utopia 56 em um abrigo noturno temporário com tendas, próximo ao Arco do Triunfo, em Paris, em 1º de março de 2023.
Mulher em um estacionamento transformado pela associação humanitária francesa Utopia 56 em um abrigo noturno temporário com tendas, próximo ao Arco do Triunfo, em Paris, em 1º de março de 2023.
Foto: © EMMANUEL DUNAND / AFP / RFI

O novo relatório da Fundação para a Habitação da França traz dados preocupantes sobre as condições de moradia no país. A crise habitacional no país afeta 4,2 milhões de pessoas. O documento aponta 14 mil pessoas vivendo em 400 favelas, 590 mil alojadas em casas de conhecidos e 350 mil sem teto. Entre relatos dramáticos, moradores enfrentam problemas financeiros e de saúde, revelando o fracasso das políticas de moradia no país.

"Viver em uma favela na França" foi a manchete do jornal La Croix, que visitou o complexo de Stains, na periferia de Paris, onde cerca de 1.500 pessoas residem em condições extremamente precárias. Segundo a fundação, essas favelas não são exceção. Até dezembro de 2025, cerca de 14 mil pessoas viviam em 400 favelas na França. Entre elas, 10 mil são cidadãos de países europeus.

O relatório aponta 1.484 operações de desmantelamento entre 1º de novembro de 2023 e 31 de outubro de 2024. La Croix considera esse método ineficaz, pois desloca os moradores expulsos apenas para outros bairros periféricos.

Outro dado alarmante, destacado pelo jornal Libération, é o aumento de pessoas obrigadas a se alojar em residências de terceiros. Atualmente, 590 mil indivíduos vivem em casas de amigos ou conhecidos — excluindo familiares — um crescimento de 15% desde 2013 em todo o país e de 30% na região parisiense nos últimos cinco anos.

O jornal Le Parisien resume: "Por falta de moradia, eles são obrigados a viver com pessoas próximas". No total, a França conta com 350 mil desabrigados, enquanto quase 3 milhões aguardam por um alojamento social.

A origem do problema é clara. Na região parisiense, os aluguéis dispararam quase 60% entre 2002 e 2022, enquanto os salários tiveram apenas 33% de reajuste no mesmo período. A disparidade econômica agrava a crise, tornando a busca por moradia digna quase impossível para famílias de baixa renda.

"Vivemos em um lugar que nos deixa doentes"

Segundo a Fundação para o Habitação dos Desfavorecidos, 4,2 milhões de pessoas na França estão mal alojadas. O conceito engloba apartamentos pequenos, residências insalubres ou inadequadas, refletindo uma crise habitacional crescente. Alguns moradores aceitaram relatar suas histórias ao site de France Info, expondo desde o desconforto diário até os impactos sobre a saúde.

Issiaka, 36 anos, trabalha como artista intermitente e vive há seis anos em um antigo espaço comercial adaptado em Pantin (Seine-Saint-Denis, região parisiense). Com renda média de €1.300 por mês, ele enfrentou problemas de infiltração e mofo, conforme relatou ao veículo. "A chuva traz umidade que corrói as paredes. Em alguns pontos, elas estão pretas e cheias de fungos. Isso estragou roupas e um armário que precisei descartar", diz.

Seu pequeno estúdio de 17 metros quadrados é uma "passagem térmica" e lhe causa "problemas respiratórios, alergias e irritações de pele". Recentemente, um médico o aconselhou a deixar o local, mas encontrar uma alternativa na região parisiense é extremamente difícil. Atualmente, ele move ação judicial contra o proprietário.

Laure, de 40 anos, adquiriu uma casa de 80 metros quadrados em Dieppe (Seine-Maritime, norte da França) após passar por um divórcio. Para a compra, ela investiu €60 mil de suas economias e contraiu um empréstimo de €70 mil. No entanto, Laure logo descobriu que a construção apresentava defeitos graves, incluindo paredes de madeira corroídas por fungos e um risco iminente de desabamento, especialmente devido à proximidade com a ferrovia. Como resultado, o valor da casa despencou, sendo agora avaliada em apenas €20 mil.

Atualmente, a prefeitura realiza um monitoramento mensal das fundações da casa, mas as obras de reparação, orçadas em mais de €100 mil, estão além das suas possibilidades financeiras. Diante dessa situação, Laure se vê obrigada a buscar reparação judicial.

Fabien, 48 anos, enfrenta instabilidade desde um burnout há dez anos. Depois de viver com um primo na região de Haute-Savoie (sudeste), mudou-se para a Bretanha (oeste), em 2023. Ele passou seis meses em um pequeno veículo, dependendo de alimentos enlatados. A vergonha de sua situação o impede de receber visitas, relatou à reportagem de France Info.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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