Busca e apreensão na sede do X na França; Elon Musk é convocado pelo Ministério Público de Paris
Uma busca e apreensão está em curso, nesta terça-feira (3), nas instalações francesas da rede social X, informou a Promotoria de Paris em suas redes sociais. A operação é conduzida pela seção de combate à cibercriminalidade do Ministério Público parisiense. O proprietário da plataforma, Elon Musk, e a ex-diretora-geral do X, Linda Yaccarino, foram convocados para audições livres marcadas para 20 de abril, segundo comunicado oficial.
De acordo com a procuradora da República de Paris, Laure Beccuau, Elon Musk e Linda Yaccarino são chamados a depor "na qualidade de gestores de fato e de direito da plataforma X no momento dos fatos". Em paralelo, a magistrada confirmou que "uma busca e apreensão está sendo realizada hoje [terça-feira (3)] nas instalações francesas da plataforma X".
As medidas fazem parte de uma investigação aberta no início de 2025. O inquérito teve origem em denúncias apresentadas por deputados franceses, que acusaram o X, sob a direção de Elon Musk, de operar com algoritmos enviesados, capazes de comprometer o funcionamento regular da rede social.
Desde então, o escopo das investigações foi expandido para incluir possíveis crimes graves, entre eles: cumplicidade na posse de imagens de menores com caráter pedopornográfico; cumplicidade na difusão, oferta ou disponibilização organizada desse tipo de conteúdo; produção e disseminação de deepfakes de natureza sexual; práticas de negacionismo; e contestação de crimes contra a humanidade, após a divulgação de mensagens negacionistas pelo perfil Grok na plataforma.
Além de Musk e Yaccarino, funcionários da plataforma X também foram convocados para prestar depoimento na semana de 20 a 24 de abril de 2026, na condição de testemunhas. Segundo Laure Beccuau, as audições livres dos dirigentes têm como objetivo permitir que eles exponham sua versão dos fatos e, se for o caso, apresentem medidas de adequação às normas legais.
A escolha pelo regime de "audição livre" reflete, segundo o Ministério Público, o espírito que orienta a investigação neste estágio. "A condução deste inquérito se inscreve, neste momento, em uma abordagem construtiva, com o objetivo de garantir, ao final, a conformidade da plataforma X com as leis francesas, na medida em que ela opera em território nacional", afirmou a procuradora.
O inquérito, inicialmente aberto em novembro de 2025, também abrange investigações por administração de plataforma online ilícita em associação criminosa, extração fraudulenta de dados e manipulação do funcionamento de sistemas automatizados de tratamento de informações, e foi ampliado progressivamente à medida que novos elementos surgiram.
A busca e apreensão ocorre com o apoio da unidade nacional cibernética da polícia nacional francesa e conta com a presença da Europol, a agência de cooperação policial da União Europeia.
Em contraste, no caso da plataforma Kick, alvo de uma investigação judicial após a morte, transmitida ao vivo, do streamer Jean Pormanove, a postura do Ministério Público foi mais dura. No fim de janeiro, a seção de combate à cibercriminalidade da Promotoria de Paris expediu mandados de prisão contra os três gestores de fato e de direito da plataforma, que também responde como pessoa jurídica.
Segundo o Ministério Público, essa medida extrema foi necessária porque os envolvidos, apesar de convocados, não compareceram à Justiça francesa.
RFI com AFP