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O que se sabe sobre o estupro de uma criança de 5 anos sob efeito de drogas em noite de 'chemsex' na França

Em Lille, no norte da França, uma criança de cinco anos foi vítima de estupro durante uma noite de "chemsex" organizada por um casal. Dez homens foram indiciados, nove deles em prisão preventiva, incluindo o pai da criança, que também estava presente. O menino recebeu acompanhamento especializado e foi confiado à mãe. As agressões foram cometidas sob efeito de drogas sintéticas e registradas em vídeo, que circulou em redes de exploração sexual infantil.

4 fev 2026 - 12h52
(atualizado às 12h55)
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Aviso: o texto a seguir trata de abuso infantil

Foto ilustrativa: os riscos associados a noitadas de chemsex são significativos e vão além da dependência química. O consumo de drogas pode levar a overdoses, problemas cardíacos e outros danos físicos graves. A criança abusada em Lille,no norte da França, precisará a partir de agora de acompanhamento psicológico e psiquiátrico completo.
Foto ilustrativa: os riscos associados a noitadas de chemsex são significativos e vão além da dependência química. O consumo de drogas pode levar a overdoses, problemas cardíacos e outros danos físicos graves. A criança abusada em Lille,no norte da França, precisará a partir de agora de acompanhamento psicológico e psiquiátrico completo.
Foto: AFP/Archivos / RFI

Um ano após os fatos em Lille, os elementos do caso começam a se esclarecer. Dez homens foram indiciados no âmbito de uma investigação sobre o estupro de uma criança de cinco anos sob efeito de substâncias químicas durante uma dessas noites de chemsex, segundo comunicado do Ministério Público de Lille, na terça-feira (3). Antoine Chaudey, advogado de um dos indiciados, confirmou ao canal de televisão France 3 as informações do Ministério Público, mas não quis comentar além disso.

Uma noitada de chemsex é caracterizada pelo encontro de pessoas com o objetivo de praticar sexo acompanhado do consumo de drogas psicoativas. As sessões podem durar várias horas, ou até dias, e envolvem o uso de substâncias que aumentam a excitação, a resistência ou a sensação de prazer, como metanfetaminas, GHB ou mefedrona. Durante a festa em Lille, foi consumida 3-MMC, droga sintética utilizada como estimulante sexual.

Segundo informações apuradas pela imprensa francesa, os fatos ocorreram durante uma festa de chemsex organizada em 14 de fevereiro de 2025 por um casal homossexual em Lille, em um imóvel alugado via Airbnb no centro histórico da cidade do norte da França. Vários homens estavam presentes naquela noite, incluindo um pai acompanhado de seu filho de cinco anos.

De acordo com o Ministério Público, a criança teria sido "colocada em contato com adultos do sexo masculino pelo próprio pai" e teria sofrido, durante essa noite, "violência sexual agravada pelo uso de substâncias químicas". Segundo os elementos levantados pela investigação, ela foi drogada, submetida a efeitos químicos e estuprada pelos adultos presentes. Os atos foram filmados e as imagens posteriormente disseminadas online, circulando por aplicativos de mensagens utilizados em redes de pedofilia.

Organizador da festa cometeu suicídio na prisão

O Ministério Público de Lille confirmou que as investigações "comprovaram a realidade dos fatos". Dez homens, com idades entre 29 e 50 anos, foram indiciados, nove deles em prisão preventiva. Esses indiciamentos ocorreram entre 23 de fevereiro de 2025 e 22 de janeiro de 2026.

Um dos organizadores da festa cometeu suicídio na prisão em agosto passado. Pelo menos um dos indiciados já possuía histórico de envolvimento com crimes de exploração sexual infantil.

Segundo o jornal Dernières Nouvelles d'Alsace, um caminhoneiro de 30 anos, natural da Alsácia, que não estava presente na festa, mas recebeu um vídeo dos fatos ocorridos sem notificar as autoridades, também foi indiciado e preso em janeiro.

Criança contou para a mãe

No dia seguinte aos fatos, 15 de fevereiro, a polícia judiciária abriu investigação após receber um alerta de que a criança havia sido hospitalizada. Poucos dias depois, em 22 de fevereiro, um juiz de instrução foi acionado pelo Ministério Público de Lille para apurar atos ocorridos em Lille entre novembro de 2024 e 14 de fevereiro de 2025.

Foram registradas dez qualificações jurídicas, incluindo "estupro e agressão sexual com administração de substância à vítima, sem seu conhecimento, para alterar seu discernimento ou controle de suas ações".

Os pais da criança são separados e o menino está agora sob os cuidados da mãe, a quem relatou os fatos. O pai teve sua autoridade parental (equivalente do "poder familiar" no Brasil), e direitos de visita e convivência suspensos.

Segundo o Ministério Público de Lille, o pai, indiciado por "agressão sexual incestuosa e cumplicidade em estupros e agressões sexuais agravadas contra o próprio filho", também foi vítima de "estupros e agressões sexuais com substância química" na mesma noite. As investigações continuam.

"Nem um animal não faria isso com seu filhote"

Isabelle Debré, presidente da associação francesa do proteção à infância L'Enfant Bleu, disse estar profundamente abalada. "São monstros, não há outra forma de definir. Confesso que não consigo entender", desabafou a militante, que há 35 anos atua em defesa de vítimas de violência infantil. "Talvez se trate de um problema psiquiátrico, porque fazer isso com o próprio filho… Eu me pergunto: para onde vai nossa sociedade? Para onde vai a perversão dos adultos? Mesmo um animal não faria isso com seu filhote. Estamos atônitos na associação", afirmou.

O uso de substâncias químicas para submeter uma criança de cinco anos remete a outros casos recentes, como o de Gisèle Pélicot, embora poucos tenham envolvido menores dessa idade até agora. Debré destacou que esses episódios são raros, mas enfatizou suas consequências irreversíveis: "Com ou sem substância química, a criança sofre sequelas".

A psicoterapia de longo prazo é indispensável, mesmo que ainda existam muitas lacunas no acompanhamento das famílias afetadas. "É abominável. Simplesmente abominável", concluiu.

Com agências

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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