Alunos buscam apoio psicológico após professora ser esfaqueada em escola na França
A escola La Guicharde, em Sanary-sur-Mer, no sul da França, permanece fechada para aulas nesta quarta-feira (4), um dia após a agressão que deixou uma professora de artes gravemente ferida dentro da sala. A direção suspendeu as atividades para que alunos, pais e profissionais possam recorrer à unidade de suporte psicológico ativada após o ataque.
Desde cedo, familiares chegaram em busca de orientação. Emilie Prigent, mãe de uma aluna do ensino fundamental, contou que a filha "parecia bem" inicialmente, mas desabou ao chegar em casa e precisou de atendimento psicológico. Outra estudante, de 13 anos, relatou ainda estar em choque após testemunhar a violência. "Vi minha professora coberta de sangue. Agora estou traumatizada", disse. Um colega, também atendido pela equipe de apoio, afirmou que ainda revive mentalmente as cenas e que não se sente mais seguro na escola.
Nesta quarta-feira, o Ministério Público francês afirmou que o aluno "premeditou" o ato e tinha "muito ódio".
Estado da vítima é "estável, mas preocupante"
A vítima, de 60 anos, única professora de artes da instituição e funcionária há 28 anos, foi esfaqueada três vezes por um aluno de 14 anos, do ensino médio, na frente de 22 estudantes. O ministro da Educação francês, Edouard Geffray, que esteve no local na manhã de hoje, informou que o estado de saúde da docente permanece estável, porém ainda muito preocupante.
O agressor segue sob custódia policial, suspeito de tentativa de homicídio. Segundo o promotor Raphaël Balland, o adolescente tem se mostrado pouco comunicativo e, até o momento, não há indícios de motivação religiosa ou política para o ataque. Em março, a escola havia registrado um boletim por suspeita de violência dos pais contra a irmã mais nova do jovem. A investigação foi encerrada sem consequências, mas em setembro foi determinada uma medida de apoio educacional. Uma audiência com o Serviço de Proteção Judiciária da Juventude estava marcada para 5 de fevereiro — um intervalo considerado excessivo pelo ministro da Justiça Gérald Darmanin.
Cerca de vinte policiais permaneciam posicionados do lado de fora da escola, localizada em uma avenida arborizada com oliveiras e pequenas casas. O clima entre alunos e professores é de abalo profundo. "Ela era rigorosa, mas gentil, e isso transparecia", disse um estudante, emocionado. Segundo ele, apesar do apoio psicológico, muitos ainda lutam para entender o que aconteceu.
As aulas devem ser retomadas na quinta-feira (5), mas a comunidade escolar sabe que o retorno será gradual — e marcado pela tentativa de reconstruir um sentimento básico de segurança.
Com AFP