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França: partido da esquerda radical é apontado por opositores como responsável por morte de estudante em Lyon

O partido França Insubmissa (LFI), da esquerda radical, está na corda bamba, acusado pelo governo francês e opositores de ter alimentado a "violência política" que resultou na morte do estudante Quentin D., de 23 anos. O jovem, filiado a um coletivo da ultradireita, não resistiu aos ferimentos e morreu após confrontos entre grupos rivais na quinta-feira (12), durante um tumulto no Instituto de Estudos Políticos de Lyon.

15 fev 2026 - 12h44
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"Foi a ultraesquerda quem o matou, isso é incontestável", afirmou neste domingo (15) o ministro francês do Interior, Gérald Darmanin em entrevista na TV. "Há discursos políticos — especialmente os da França Insubmissa e da ultraesquerda — que infelizmente resultam em uma violência muito descontrolada nas redes sociais e no mundo real", reiterou.

Manifestante exibe cartaz com os dizeres "Justiça para Quentin", em ato realizado em Montpellier, no sul da França, neste domingo, 15 de fevereiro de 2026.
Manifestante exibe cartaz com os dizeres "Justiça para Quentin", em ato realizado em Montpellier, no sul da França, neste domingo, 15 de fevereiro de 2026.
Foto: AFP - SYLVAIN THOMAS / RFI

Segundo o Ministério Público de Lyon, Quentin D. foi gravemente ferido na noite de quinta‑feira, perto do Instituto de Estudos Políticos de Lyon, à margem de uma conferência da deputada europeia Rima Hassan, do partido França Insubmissa. O jovem era membro do serviço de segurança do coletivo ultranacionalista "Némésis" e teria sido espancado no confronto de grupos de extrema direita e da esquerda radical.

Quentin D. foi hospitalizado em estado grave, com o prognóstico vital comprometido, e morreu no sábado (14). Uma investigação foi aberta por homicídio agravado e violência agravada, informou o Ministério Público de Lyon. O advogado da família do jovem, Fabien Rajon, denunciou um "crime" e "uma emboscada metodicamente preparada". 

Vários representantes da extrema direita francesa afirmam que entre os agressores de Quentin havia integrantes do grupo antifascista "Jeune Garde" — criado pelo deputado Raphaël Arnault, do LFI, e dissolvido pelo governo em 2025. No entanto, o Ministério Público de Lyon ainda não estabeleceu tal vínculo nesta etapa das investigações.

Macron acusa LFI de antissemitismo

A polêmica em torno da responsabilidade do LFI na morte do estudante aumentou com o envolvimento do presidente Emmanuel Macron no debate. O líder centrista denunciou o surgimento de "expressões antissemitas", dentro da legenda, que "devem ser combatidas".

"Eu acredito que não há muito mistério em dizer que eles [LFI] estão na extrema esquerda", delcarou Macron à Radio J, veículo da comunidade judaica francesa. "Constato que, nas posições que eles adotam — especialmente sobre o antissemitismo — eles contrariam princípios fundamentais da República", prosseguiu.

A França Insubmissa contesta a classificação "extrema esquerda", adotada recentemente pelo Ministério do Interior do país a poucas semanas das próximas eleições municipais. Em entrevista ao canal LCI, o coordenador do partido, Manuel Bompard, afirmou neste domingo que "não cabe ao presidente da República classificar seus opositores políticos". 

Para ele, Macron "age como Donald Trump: quando não concordamos com ele, somos chamados de extremistas", disse. Bompard rejeitou as acusações e ressaltou que "nenhum militante da França Insubmissa jamais foi condenado por antissemitismo".

Instrumentalização da morte de Quentin

Várias personalidades políticas da extrema direita e da direita responsabilizaram o LFI pela morte de Quentin. Entre elas, Marine Le Pen, líder do partido Reunião Nacional, e o senador e ex-ministro Bruno Retailleau, presidente da legenda conservadora Os Republicanos. 

"A França Insubmissa cria o terreno fértil para essa ultraviolência", afirmou o secretário‑geral dos Republicanos, Othman Nasrou, à emissora Franceinfo.

Até o momento, Rima Hassan não se pronunciou sobre a morte de Quentin D. Já o líder da LFI, Jean-Luc Mélenchon afirmou no X que as sedes e escritórios do partido foram atacados após as declarações de Le Pen e Retallieau, "que sustentaram e repetiram acusações totalmente infundadas". 

Vários candidatos à eleição municipal em Lyon anunciaram neste domingo a suspensão temporária de suas campanhas, em respeito à morte do estudante. "Não me vejo fazendo campanha nessas condições. Peço a todos que tirem um tempo para compreender a gravidade do momento que estamos vivendo juntos", declarou à emissora France 3 o candidato Alexandre Dupalais, da coligação de extrema direita UDR‑Reunião Nacional.

O ex-presidente do clube Olympique Lyonnais, Jean‑Michel Aulas, candidato da direita e do centro, e a candidata da LFI, Anaïs Belouassa‑Cherifi, seguiram o mesmo caminho e também anunciaram a suspensão de suas campanhas neste domingo.

O atual prefeito ecologista, Grégory Doucet — candidato à reeleição — lamentou "uma tragédia" e destacou que "um tal surto de violência no coração da cidade é inaceitável". "A cidade de Lyon colocará todos os seus meios à disposição da Justiça para identificar os indivíduos envolvidos", acrescentou em um comunicado. 

RFI com AFP 

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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