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Um ano depois de discurso agressivo de Vance em Munique, Macron e Merz cobram 'clareza' dos EUA

Um ano se passou desde o discurso surpreendentemente agressivo do vice-presidente americano, J.D. Vance, na Conferência de Segurança de Munique de 2025, no qual deixou clara a mudança de postura dos Estados Unidos em relação aos seus aliados europeus. Doze meses depois, no mesmo local, o chanceler alemão, Friedrich Merz, e o presidente francês, Emmanuel Macron, responderam, rechaçando que a Europa seja "caricaturada" e pedindo a "restauração" da confiança entre o continente e Washington.

13 fev 2026 - 17h20
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"Um abismo se abriu entre a Europa e os Estados Unidos. O vice-presidente J.D. Vance afirmou isso abertamente aqui em Munique, há um ano", disse Friedrich Merz. "Ele estava certo. A guerra cultural do movimento MAGA não é nossa. A liberdade de expressão termina quando essa expressão infringe a dignidade humana e a Constituição. Não acreditamos em tarifas ou protecionismo, mas sim no livre comércio", declarou, provocando aplausos da plateia, na abertura do evento, nesta sexta-feira (13).

O chanceler alemão, Friedrich Merz (à esquerda), o presidente francês, Emmanuel Macron (segundo à direita), e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, no início da reunião do E-3, durante a Conferência de Segurança de Munique, em 13 de fevereiro de 2026, em Munique. Chefes de Estado e de governo, bem como ministros das Relações Exteriores e da Defesa participam das negociações sobre política de segurança, de 13 a 15 de fevereiro de 2026.
O chanceler alemão, Friedrich Merz (à esquerda), o presidente francês, Emmanuel Macron (segundo à direita), e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, no início da reunião do E-3, durante a Conferência de Segurança de Munique, em 13 de fevereiro de 2026, em Munique. Chefes de Estado e de governo, bem como ministros das Relações Exteriores e da Defesa participam das negociações sobre política de segurança, de 13 a 15 de fevereiro de 2026.
Foto: AFP - THOMAS KIENZLE / RFI

Diante de mais de 60 chefes de Estado e de governo, o chanceler alemão fez um apelo pelo "renascimento da confiança transatlântica", abalada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Falando em inglês, Merz dirigiu-se aos "amigos americanos" da Europa.

Em seu discurso, Emmanuel Macron pediu que a Europa seja vista como um "exemplo" em vez de "criticada" ou "caricaturada". "A Europa tem sido desdenhada como uma entidade envelhecida, lenta e fragmentada, relegada pela história", afirmou. "Como uma sociedade assolada por migrações bárbaras que corrompem suas preciosas tradições. E, ainda mais curiosamente, em alguns círculos, como um continente repressivo onde a liberdade de expressão não é permitida e onde fatos alternativos não podem reivindicar o mesmo direito de existir que a própria verdade — esse conceito ultrapassado e complexo", continuou o presidente francês.

A relação "está repleta de incertezas, mas precisamos esclarecer o que queremos para nós mesmos e o que precisamos fazer", disse ele a jornalistas, logo ao chegar em Munique. "Os Estados Unidos precisam esclarecer o que estão dispostos a fazer pelos europeus", completou.

O presidente finlandês, Alexander Stubb, também defendeu que, apesar das dificuldades nas relações entre os antigos aliados, a Europa e os Estados Unidos devem buscar a reaproximação. "Há questões em que podemos trabalhar com os americanos - Otan, defesa, tecnologia, minerais, quebra-gelos, no nosso caso. Portanto, há muitas coisas que podemos fazer, mantendo ainda divergências cordiais sobre assuntos relacionados à União Europeia ou instituições internacionais, à ordem internacional liberal e às mudanças climáticas", acrescentou posteriormente o presidente finlandês.

EUA 'não poderão agir sozinhos', diz Merz

Desde que retornou ao poder, Donald Trump promoveu uma reviravolta nas relações com a Europa, evidenciada na sua nova Estratégia de Segurança Nacional. "Na era da rivalidade entre grandes potências, nem mesmo os Estados Unidos serão suficientemente poderosos para agir sozinhos", declarou o chanceler alemão, um ano após J.D. Vance criticar os europeus por não assumirem o controle suficiente de sua própria defesa.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, considerado menos ideológico, lidera a delegação americana no evento este ano. Ele fará um pronunciamento neste sábado (14).

Merz também indicou ter "iniciado conversas confidenciais com o presidente francês sobre a dissuasão nuclear europeia". A França é o único país da Europa, ao lado do Reino Unido, a possuir armas nucleares e a poder oferecer a outros países europeus o benefício de sua dissuasão nuclear.

As intervenções ressaltam o crescente desejo entre os líderes europeus de trilhar um caminho mais independente após um ano de turbulências sem precedentes nas relações transatlânticas, enquanto, simultaneamente, se esforçam para preservar a aliança com Washington.

"Nós, alemães, respeitamos nossas obrigações legais. Consideramos isso estritamente integrado à nossa partilha nuclear na Otan, não permitiremos o surgimento de zonas de segurança diferenciadas na Europa."

O presidente francês também pediu um maior "fortalecimento" da Europa e solicitou que seus parceiros comecem desde já a se preparar para o período pós-guerra na Ucrânia, quando será necessário "definir suas regras de coexistência" com a Rússia.

"Acredito que a Europa é inerentemente forte e que pode ser ainda mais fortalecida" para ser "uma amiga melhor para nossos aliados, particularmente os Estados Unidos", declarou. "A Europa precisa aprender a se tornar uma potência geopolítica", mesmo que "não esteja em seu DNA", acrescentou.

'Uma Europa forte numa Otan forte'

Segundo o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, há uma "mudança de mentalidade" dentro da Otan e "a Europa está assumindo um papel de liderança maior" dentro da organização.

"Uma Europa forte numa Otan forte significa que o vínculo transatlântico será mais forte do que nunca", afirmou ele, no Fórum Transatlântico.

Antes de partir para Munique, o secretário Marco Rubio disse achar que "estamos em um momento decisivo". "O mundo está mudando muito rapidamente diante de nossos olhos. (Os Estados Unidos) estão profundamente conectados à Europa, e nossos futuros sempre estiveram e continuarão conectados. Precisamos simplesmente discutir qual será esse futuro", acrescentou ele.

Além das discussões oficiais, a cúpula de Munique, que se estende até domingo sob forte esquema de segurança policial, oferece uma oportunidade para intercâmbios informais e reuniões secretas entre lideranças reunidas na cidade bávara. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sybiga, escreveu no X que já havia discutido "os esforços de paz e o importante papel da China em facilitar o fim do conflito" com a Rússia com seu homólogo chinês, Wang Yi. Wang, por sua vez, afirmou que a posição da China é "coerente, (...) defendendo a objetividade e a imparcialidade e promovendo ativamente as negociações de paz".

Governos ocidentais e Kiev acusam Pequim de fornecer à Rússia apoio econômico crucial para seu esforço de guerra, incluindo componentes militares para sua indústria de defesa.

Ucrânia, Groenlândia, Irã

"É bom ter uma parceria forte com os americanos", disse o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky à margem da conferência. Mas a Europa "precisa de uma indústria de defesa muito forte e independente em parceria com os Estados Unidos", insistiu ele. "Este é o nosso continente."

Questionado em Munique, o chanceler alemão disse que está "pronto para conversar" com Moscou "se ela trouxer algo à mesa", mas observou que "a Rússia ainda não está disposta a ter uma discussão séria".

Os organizadores da conferência destacaram que "a ordem internacional está sendo devastada por golpes", particularmente em relação à Groenlândia, cobiçada pelo presidente Donald Trump. Também presente em Munique, o secretário-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, afirmou que chegar a um acordo entre a Agência e Teerã sobre inspeções do programa nuclear iraniano era "totalmente possível", mas que era necessário "andar na corda bamba" para que o diálogo avançasse.

Com AFP e Reuters

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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