Vendas de caminhões e ônibus reagem em fevereiro, mas não revertem queda em 2026
Emplacamentos avançam em fevereiro na comparação com janeiro, mas acumulado do ano ainda registra retração de até 33%
As vendas de caminhões voltaram a crescer em fevereiro na comparação com janeiro, mas seguem em forte queda no acumulado de 2026, indicando um início de ano ainda fraco para o segmento de pesados. Os dados são da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Foram emplacadas cerca de 6,7 mil unidades em fevereiro, alta de 3,3% em relação ao mês anterior. Apesar da reação pontual, o volume representa uma queda de 25,7% na comparação com fevereiro de 2025. No primeiro bimestre, o recuo chega a 28,7%.
A retração já havia sido observada na virada do ano. Em janeiro, os emplacamentos de caminhões haviam recuado 31,5% na comparação anual, sinalizando um enfraquecimento da demanda por veículos pesados mesmo diante de um mercado geral mais estável.
Do lado da indústria, a produção de caminhões cresceu 14,5% na passagem de janeiro para fevereiro, mas ainda acumula queda frente ao ano passado, sugerindo um ritmo de recuperação ainda incerto.
Vendas de ônibus
O segmento de ônibus apresentou movimento semelhante, com alta na comparação mensal, mas retração relevante no acumulado do ano. Foram 1.306 unidades emplacadas em fevereiro, avanço de 10,7% frente a janeiro.
Na comparação com fevereiro de 2025, porém, houve queda de 33,1%. No acumulado de 2026, a retração é de 33,4%, mantendo o setor em patamar inferior ao do ano passado.
Em janeiro, as vendas de ônibus já haviam registrado recuo de 33,9% na comparação anual, reforçando a tendência de desaceleração no segmento.
A produção, por outro lado, avançou 48,5% na passagem mensal e acumula leve alta no ano, indicando um descompasso entre o ritmo de fabricação e o de vendas.
O desempenho dos veículos pesados neste início de ano ocorre em um contexto de atividade econômica ainda moderada e de cautela por parte das empresas na renovação de frota. O cenário externo também adiciona incertezas, com tensões geopolíticas — como os conflitos no Oriente Médio, incluindo o Irã — e seus possíveis efeitos sobre custos logísticos e preços de combustíveis, fatores que influenciam diretamente as decisões de investimento no setor.