Influenciador Toguro tira vídeo da BYD do ar a pedido de CBF e Volkswagen
Clima de hostilidade entre VW e BYD ganha novo capítulo com vídeo envolvendo treinador da seleção; CBF diz que protege seus patrocinadores, Toguro atende pedido
Um vídeo envolvendo Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira, voltou a esquentar a briga entre Volkswagen e BYD. A montadora alemã, patrocinadora da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), viu a fabricante chinesa invadir seu território publicitário ao se aproveitar da imagem do treinador em conteúdo publicado pelo influenciador Tiago Toguro em suas redes sociais.
Pressionado por CBF e Volkswagen, o empresário acabou removendo o conteúdo de seus perfis. O influenciador tem 11 milhões de seguidores no Instagram e 5,7 milhões no Tiktok.
O Jornal do Carro procurou as assessorias de Toguro, CBF, Volkswagen e BYD. Apenas a CBF e a equipe do empresário e influenciador se pronunciaram até a publicação desta reportagem. As montadoras não enviaram seus posicionamentos, mas o espaço continua aberto para manifestações.
A assessoria de Toguro confirmou que foi notificada extrajudicialmente pela CBF, que solicitou a remoção do conteúdo. Segundo a equipe do empresário, o pedido foi feito "pelo fato da Volkswagen ser patrocinadora da seleção brasileira, enquanto a BYD não possui vínculo de patrocínio".
A CBF, por sua vez, disse ao JC que "continuará adotando todas as medidas necessárias para proteger e preservar" os direitos de seus patrocinadores.
Importante salientar que o vídeo publicado por Toguro menciona ainda a Cimed, na camiseta utilizada pela figura animada do influenciador. O uso da farmacêutica na peça, contudo, não causou nenhum tipo de dor de cabeça. A empresa é patrocinadora da CBF e suas seleções.
Vídeo publicado por Toguro foi endossado pela BYD
Toguro postou, no último dia 30, conteúdo envolvendo Carlo Ancelotti e a BYD. Na peça, o técnico está atrasado para a final da Copa do Mundo de 2026 e o influenciador, por meio de um Seal, sedã elétrico da montadora chinesa, tem de ajudá-lo a chegar ao destino final.
O vídeo traz ainda outros influenciadores ligados a Tiago Toguro e à Mansão Maromba — projeto focado na produção de conteúdos voltados ao mundo fitness e ao humor e na venda de bebidas e alimentos. Também faz referência ao "beijo triplo de Ancelotti" no carnaval de Salvador, criado por Inteligência Artificial.
Até aí, apenas mais uma peça oportunista, dessas que tentam surfar no hype esportivo com verniz publicitário. Mas não foi o caso. O material, que acabou sendo removido dias após a publicação, foi endossado pela própria BYD.
O perfil institucional da fabricante no Instagram comentou no post. "Vamos buscar o professor?", indagou a BYD na publicação. Além disso — e do já citado Seal —, o logotipo da fabricante de origem chinesa aparece ao fim do vídeo. E aí o caldo entornou.
A Confederação Brasileira de Futebol mantém contrato de patrocínio com a Volkswagen. Isso simplesmente impede associações comerciais envolvendo a imagem da entidade, de suas seleções e seus representantes com marcas concorrentes.
Ao colocar Ancelotti em um contexto promocional ligado à BYD, o conteúdo publicado por Toguro entrou, para CBF e Volkswagen uma em uma zona cinzenta que pode ser interpretada como uso indevido de imagem. Até mesmo porque, em contratos desse porte, exclusividade é cláusula com consequência.
Nos bastidores, o episódio gerou desconforto imediato. Não apenas pelo envolvimento direto de uma marca rival da patrocinadora oficial, mas pelo fato de o conteúdo ter sido amplificado, ainda que por pouco tempo, com chancela institucional da própria BYD.
Vale frisar ainda que a companhia chinesa trava um duelo direto com a Volkswagen, uma "trocação franca" de chutes e pontapés, por causa das cotas para veículos SKD e CKD. Chamou, em mais de uma ocasião, a fabricante alemã e outras montadoras tradicionais de ultrapassadas. Também as comparou com "dinossauros".
Por isso, a chancela da BYD à peça publicada por Toguro ganha leitura distinta. Além do desalinhamento em um território onde cada aparição pública é, essencialmente, mídia paga, tem ares, segundo interlocutores, de provocação.
A remoção do vídeo indica tentativa clara de contenção de danos por parte do influenciador. Mas, como costuma acontecer nesse tipo de caso, o problema não é o post; é o print. Quando o conteúdo já circulou, o controle passa a ser narrativo, não mais técnico.
O episódio, inclusive, não representa um deslize de comunicação. Ilustra uma disputa muito maior. De um lado, a Volkswagen defende seu território em um dos ativos de marca mais valiosos do mundo. Do outro, a BYD tenta avançar com apetite sobre espaço que tem dono claro. Quando essa disputa transborda para a seleção brasileira, em ano de Copa, é briga por relevância, por presença e, principalmente, por quem dita as regras do jogo fora de campo.