Conheça o carro que já andou na lua: os atributos do 4x4 que desbravou o satélite
David Scott e o jipe da Apollo 15 marcaram uma das cenas mais curiosas da exploração espacial
Um pequeno passo para um homem, um grande passo para a humanidade. Essa célebre frase foi dita por Neil Armstrong, a primeira pessoa a colocar os pés na Lua. Entretanto, peço sua licença, querida audiência, para extrapolar os limites da imaginação e questionar: se os veículos falassem, o que o primeiro carro a rodar na Lua diria?
Em 1969, o mundo vibrava com a corrida espacial. Hoje, vivemos o mesmo entusiasmo ao ver a tripulação da Artemis II retornar após passar dias orbitando nosso lindo satélite natural.
Mas você sabia que a primeira visita à Lua é apenas a mais famosa? Depois dela, outras missões foram concluídas com sucesso, cada uma carregando suas próprias histórias. Hoje, vamos focar na Apollo 15 (1971), a quarta missão, que surpreendeu por um marco: carros "dando um rolê" pela Lua.
O primeiro carro lunar
Os carros, que sempre orbitam o nosso imaginário futurista, também deixaram a sua marca — literal — na missão enviada pela NASA. Chamado Lunar Roving Vehicle (Veículo Lunar Itinerante) ou apenas LRV, foi criado por uma parceria entre a Boeing e a General Motors e podia ser operado em baixa gravidade e no vácuo — ausência de luz, som e ar.
Construído em alumínio para reduzir o peso, tinha cerca de 3 metros de comprimento e pesava aproximadamente 210 kg na Terra. Sua estrutura era dobrável, permitindo o transporte no módulo lunar e a montagem pelos astronautas já na Lua. O modelo contava com quatro motores elétricos independentes, um em cada roda, alimentados por baterias de 36 volts não recarregáveis, com autonomia de até 78 horas ou cerca de 90 km de alcance.
Agora, te convido a tentar acessar a experiência de Scott. Dirigir na Terra inclui alguns desprazeres, como ouvir a buzina das motos passando pelo corredor, mas também alguns prazeres, como acelerar pelas belas estradas do nosso país.
Na Lua, a situação é um pouco diferente e inclui coisas como:
- Baixa gravidade: a gravidade lunar é cerca de 1/6 da terrestre, então o veículo "quicava" bastante ao passar por irregularidades.
- Sem ar e sem som: tudo acontecia em silêncio absoluto; a comunicação era feita por rádio dentro do traje.
- Controle delicado: o LRV tinha direção nas rodas dianteiras e traseiras, o que ajudava na estabilidade em terrenos irregulares.
- Velocidade limitada: apesar de poder chegar a cerca de 14 km/h, Scott dirigia com cautela para evitar perder o controle.
Durante a missão, Scott e o astronauta James Irwin percorreram aproximadamente 27 km na superfície da Lua.
Aliás, uma curiosidade: Scott relatou que, em alguns momentos, o veículo levantava poeira lunar que demorava a cair, formando uma espécie de "rastro suspenso", já que não há atmosfera como na Terra. Será que era a mesma sensação de dirigir em meio a neblina?
Vamos dirigir na Lua de novo?
SIM! (Talvez, calma, segura a emoção aí.) As futuras missões à Lua, lideradas pelo programa Artemis da NASA, planejam utilizar veículos novamente. Desta vez, chamados de LTV — Lunar Terrain Vehicle.
Nesse novo contexto, os veículos lunares voltam a ter papel central, mas com tecnologias muito mais avançadas do que os jipes das missões Apollo. A agência espacial estadunidense, em parceria com empresas privadas, vem desenvolvendo um "carro" elétrico capaz de operar tanto com astronautas a bordo quanto de forma autônoma.
Diferentemente do LRV das décadas de 1970, o novo veículo deve ter mais autonomia, sistemas digitais de navegação, resistência a longos períodos de escuridão e temperaturas extremas, além da possibilidade de uso contínuo entre diferentes missões. A ideia é permitir deslocamentos mais longos, apoio à construção de bases e maior eficiência científica, consolidando o veículo como peça-chave para a exploração e futura ocupação da Lua.