Chevrolet vive paradoxo no Brasil: líder na preferência dos consumidores, mas perde espaço nas venda
Pesquisa evidencia força da reputação histórica, mas também os desafios para transformar preferência em vendas efetivas
Muito se fala em eletrificação, carros autônomos e na chegada de marcas menos tradicionais ao País. Ainda assim, o imaginário do consumidor brasileiro segue ancorado nas fabricantes históricas, ao menos é o que indica o levantamento anual do Webmotors Autoinsights.
O estudo ouviu mais de 1,8 mil pessoas entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026 e elencou as cinco marcas mais citadas em intenção de compra. O resultado chama atenção: à pergunta "Qual a marca de veículo você pretende comprar?", 14% dos entrevistados responderam Chevrolet.
O dado, porém, contrasta com o desempenho recente da marca no mercado. Apesar de ainda figurar entre os três carros mais vendidos em março, com o Onix, a montadora vem perdendo participação ao longo do tempo. No primeiro bimestre, as vendas da companhia diminuíram 7,3% na comparação com período equivalente de 2025 - o que mostra um sinal de descompasso entre a lembrança do consumidor e a efetivação da compra.
Na sequência, a Volkswagen aparece com 11% das menções, empatada com a Fiat, respectivamente vice-líder e líder de mercado. A lista segue com a Honda, com 10%, e a Toyota, com 6%.
Confiança é fator decisivo para a preferência
Os atributos associados a cada marca ajudam a explicar esse cenário. No caso da Chevrolet, o conforto é o principal fator de escolha, citado por 24% das pessoas entrevistadas que mencionaram a marca, seguido por confiança (22%) e custo de manutenção (19%).
Já a Volkswagen tem na confiança seu maior destaque, apontado por 34% dos consumidores, enquanto manutenção (15%) e desempenho (13%) aparecem como fatores complementares.
Entre as japonesas, a confiança se sobressai de forma ainda mais contundente. Na Honda, o atributo é citado por 56% dos entrevistados. O mesmo ocorre com a Toyota, que registra 57% das menções nesse quesito, consolidando uma imagem fortemente associada à confiabilidade.
Mas e as chinesas?
Se por um lado a tradição ainda pesa, por outro o estudo indica uma mudança em curso. Montadoras recém-chegadas ao Brasil começam a ganhar espaço na intenção de compra. A BYD registrou crescimento de 24% nas menções em relação à edição de 2025, enquanto a GWM avançou 58% no mesmo período.
Além disso, marcas como Omoda Jaecoo, Geely, GAC e Jetour aparecem pela primeira vez no levantamento, sinalizando a tendência a diversificação nas preferências de consumo.
O retrato que emerge é o de um mercado em transição. Enquanto marcas consolidadas ainda dominam a memória, novas concorrentes começam a influenciar e - aos poucos - a reconfigurar o imaginário brasileiro.