Royal Enfield Bear 650 chega com preço igual a de rival da Triumph para ganhar mercado; veja teste
Nova moto de média cilindrada combina visual retrô, motor de 650 cilindradas revisado e proposta voltada para off-road leve
A Royal Enfield ampliou sua linha de médias cilindradas no Brasil com a chegada da Bear 650, modelo que aposta no estilo scrambler e em uma proposta mais versátil de uso. A motocicleta combina referências históricas e passa a ocupar um espaço deixado pela Scram 411, moto que foi descontinuada em 2024 e que já não fazia mais sentido após a chegada da nova Himalayan - moto trail que estreou o motor de 450 cilindradas da marca, muito mais eficiente e tecnológico.
Em vez de optar por derivar uma scrambler a partir da Himalayan, a Royal Enfield criou a Bear a partir da Interceptor 650, com o intuito de mostrar que ela pode ser mais do que a sua principal rival, a Triumph Scrambler 400, sendo uma opção para quem busca uma condução mais aventureira, tanto no asfalto quanto em pisos irregulares leves.
Mas antes de começar a apresentação da moto, vale um contexto sobre a categoria scrambler. Este tipo de motocicleta nasceu inspirado nas Cafe Racer, que são um tipo de motocicleta voltada para corridas em ruas pavimentadas. As scrambler, por sua vez, foram adaptadas para corridas no fora-de-estrada, ou seja, tinham suspensões mais altas para suportar os solavancos das estradas de terra e pneus com sulcos maiores para dar mais aderência na lama.
Elas não são tão altas e capazes quanto às trail, mas conseguem trazer certa diversão para seus compradores.
Baseada na já conhecida plataforma bicilíndrica da marca, a Bear 650 traz motor de dois cilindros que entrega 47 cv a 7.250 rpm e torque de 5,76 kgfm a 5.150 rpm. A calibração foi revista para priorizar respostas em médias rotações, enquanto o novo escapamento 2 em 1 — por ora inédito nas 650 da fabricante — contribui para aumentar ligeiramente o torque (que nas demais 650 é de 5,3 kgfm).
Além do motor, a ciclística também foi alterada. O modelo adota chassi mais rígido e suspensão dianteira invertida Showa, além de conjunto traseiro biamortecido. A proposta é oferecer maior controle e estabilidade, principalmente em terrenos variados. E nesse quesito a Bear 650 se destaca quando comparada às outras 650 da Royal Enfield.
Ela é confortável e a suspensão trabalha bem na terra. É preciso ressaltar, porém, que não é uma motocicleta que vai aguentar desafios muito profundos no fora de estrada.
A altura em relação ao solo de 184 mm e o conjunto de rodas com aro 19" na dianteira e 17" na traseira, calçadas com pneus de uso misto, reforçam essa característica. Uma trail de média cilindrada normalmente tem rodas de 21 polegadas na frente e de 18 ou 19 na traseira, evidenciando que a Bear deve ser utilizada em pavimentos de média ou baixa dificuldade.
A ergonomia segue a lógica das scramblers. O guidão largo, a posição neutra das pedaleiras e o banco com desenho contínuo permite pilotar tanto sentado quanto em pé, dependendo da necessidade. Os freios contam com disco de 320 mm na dianteira e 270 mm na traseira, com possibilidade de desativação do ABS traseiro em trechos fora de estrada.
No pacote tecnológico, a Bear 650 passa a ser a primeira da linha 650 com o painel Tripper Dash, um display TFT redondo com 5 polegadas que possui navegação integrada via Google Maps, mas que precisa do celular para espelhar. A moto também traz iluminação em LED tanto na dianteira quanto na traseira.
Visualmente, o modelo reforça a identidade scrambler com elementos como escape elevado, rabeta curta, pneus mistos e grafismos que remetem ao universo das competições. As cores disponíveis — Wild Honey, Golden Shadow e Two Forty Nine — fazem referência direta ao estilo das corridas no deserto americano.
Ao comparar a potência com sua principal rival, a Triumph Scrambler 400 X tem uma cavalaria bastante similar a da Bear: são 40 cv na moto inglesa contra 47,4 cv na moto indiana. Só que o modelo da Triumph é 35 kg mais leve.
Contudo, ao comparar a relação entre peso e torque, a Bear sai na frente. Enquanto a relação peso/torque é de 48 kg/kgfm na Scrambler 400 X, na Bear é de 38 kg/kgfm. O que pode indicar uma arrancada mais vigorosa.
A Bear 650 chega ao Brasil em três versões. A Wild Honey tem preço sugerido de R$ 33.990, enquanto a Golden Shadow parte de R$ 34.490. Já a versão topo, Two Forty Nine, custa R$ 34.990.
Já a Triumph Scrambler 400 X é vendida em três cores. E tem os seguintes preços:
- Phantom Black Silver Ice: R$ 33.990;
- Baja Orange and Aluminium: R$ 34.490;
- Matt Khaki Green Fusion White: R$ 34.490.
Segundo a Royal Enfield, o modelo busca atender a um público que valoriza não apenas desempenho, mas também identidade visual e experiência de uso, mantendo a proposta de simplicidade mecânica característica da marca.
Bear: origem
A inspiração da Bear 650 vem de um episódio histórico do motociclismo. Em 1960, o deserto de Mojave, nos Estados Unidos, foi palco da Big Bear Run, uma das corridas mais exigentes da época. Na ocasião, o jovem Eddie Mulder, então com 16 anos, venceu a prova pilotando uma moto de 500 cilindradas, superando centenas de competidores.
O feito marcou a história das competições off-road e influenciou diretamente o conceito da nova moto, que busca resgatar esse espírito mais instintivo e menos dependente de tecnologia na pilotagem.
Ficha técnica - Royal Enfield Bear 650
- Motor: bicilíndrico em linha, 4 tempos, SOHC, 648 cc;
- Transmissão: manual de 6 velocidades, embreagem multidisco em banho de óleo;
- Potência: 47,4 cv a 7.150 rpm;
- Torque: 56,3 Nm (5,76 kgfm) a 5.150 rpm;
- Comprimento: 2.216 mm;
- Largura: 855 mm;
- Altura: 1.160 mm;
- Entre-eixos: 1.460 mm;
- Freios: disco de 320 mm na dianteira e 270 mm na traseira, com ABS de dois canais comutável;
- Pneu dianteiro: 100/90-19;
- Pneu traseiro: 140/80-17;
- Curso da suspensão dianteira: 130 mm;
- Curso da suspensão traseira: 115 mm;
- Peso (ordem de marcha): 214 kg;
- Tanque: 13,7 litros.