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Com ritmo acelerado de crescimento no Brasil, Royal Enfield vai abrir fábrica CKD própria no país

Em entrevista ao Jornal do Carro, o CEO da marca indiana fala sobre a estratégia de longo prazo da marca e revela planos de ampliar a rede de concessionárias e reduzir tempo entre lançamentos na Índia e no Brasil

20 mai 2026 - 11h11
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O ano de 2025 foi histórico para a Royal Enfield no Brasil. Desde que começou suas operações no país, em 2017, nunca havia vendido tantas motocicletas. Foram 31 mil emplacamentos, aumento de 80% em relação a 2024, quando 17 mil unidades foram comercializadas.

Por conta do bom desempenho, o Brasil ocupa hoje posição central na estratégia da marca indiana de origem britânica. "Exportamos para mais de 80 países. Mas se olharmos para esse ranking hoje, o Brasil está no topo, pois representa o mercado que mais cresce fora da Índia", diz o CEO da marca, B. Govindarajan, que visitou o país junto com outros executivos internacionais, como Ross Clifford, diretor da Royal Enfield nas Américas.

Criada em 1901, em Redditch, Worcestershire, na Inglaterra, a Royal Enfield é a mais antiga marca de motocicletas com produção ininterrupta em todo o mundo. Apesar da longa história, teve momentos de maior e menor sucesso. Nos anos 1990, passou por dificuldades financeiras, mas superou as adversidades ao focar seu portfólio em motocicletas de passeio. "Entendemos que podíamos trabalhar no segmento de médias cilindradas, entre 250cc e 750cc, que não era bem atendido pelo mercado", afirma Govindarajan.

Royal Enfield Bear 650
Royal Enfield Bear 650
Foto: Divulgação | Royal Enfield / Estadão

Assim, deixou o segmento de entrada, composto por motocicletas de menor cilindrada, com foco no deslocamento diário, e o segmento de alta cilindrada para outras companhias, já mais consolidadas. O resultado foi positivo. Hoje, vende cerca de 2 milhões de unidades somente na Índia, e outras 200 mil em mercados internacionais.

É essa estratégia de longo prazo que estão aplicando no Brasil. "Quando viemos para cá, começamos com um portfólio menor, para entender a demanda do mercado", diz Govindarajan. O portfólio foi ampliado e hoje conta com 11 modelos. O lançamento mais recente, Classic 650, chegou ao país no início de abril.

"Fizemos a mesma coisa com a produção. Em vez de montar uma fábrica CKD, formamos parcerias com fornecedores locais, que nos ajudaram muito", complementa o executivo. A mesma estratégia foi adotada na abertura de concessionárias. No início, foram poucas unidades, mas hoje a rede cresceu e conta com 46 lojas. A meta é fechar o ano de 2026 com 60.

"Teremos também a nossa própria fábrica CKD no Brasil. É parte de nosso compromisso de longo prazo com o mercado brasileiro", diz. Ainda não há data para a inauguração, mas o executivo afirma que ela deve operar em breve. "Estamos preparando o terreno para o nosso crescimento. A taxa de crescimento é muito boa, a velocidade é muito boa, o ecossistema é lucrativo, todos estão felizes em trabalhar conosco e a comunidade está satisfeita", afirma.

A aceleração na estratégia de vendas também está conectada à crescente competição dentro do segmento de média cilindrada. Se antes a Royal Enfield estava praticamente sozinha, agora há mais rivais no mercado. Segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), embora a produção seja dominada pelas motocicletas de baixa cilindrada, o segmento médio já representa 19,1% do total. Marcas como Honda, Triumph e BMW estão investindo mais nessa categoria.

Royal Enfield Bear 650
Royal Enfield Bear 650
Foto: Divulgação | Royal Enfield / Estadão

"A competição não é algo novo para a Royal Enfield", diz B. Govindarajan. "Mas acreditamos que estamos posicionados de uma maneira que não vendemos apenas motocicletas, mas todo um estilo de vida ligado ao ato de pilotar".

A estratégia de lifestyle da marca inclui o lançamento de produtos com o logotipo, de equipamentos de proteção e customização da moto a camisetas e outras peças para uso fora da estrada, bem como a organização de eventos para reunir clientes em passeios temáticos.

O executivo afirma ainda que a celebração de 125 anos da Royal Enfield, que acontece neste ano, terá uma série de eventos especiais. E o Brasil receberá vários deles.

Outra vertente de negócios que pode ganhar tração nos próximos anos é a entrada da marca no setor de motocicletas eletrificadas. A Flying Flea C6 foi recentemente apresentada na Índia, com um visual retrofuturista, apenas 124 quilos e autonomia de 154 quilômetros. A estratégia é usar a marca Flying Flea, uma referência a um modelo de moto leve criado na década de 1940, para desenvolver um ecossistema de produtos elétricos com visual próprio que será apoiado pela Royal Enfield, mas tratados como uma vertical separada.

B. Govindarajan não revela quais serão as próximas motocicletas da marca a chegar ao Brasil. Mas garante que o tempo entre o lançamento internacional e a chegada ao nosso mercado deve diminuir. "Estamos tentando viabilizar lançamentos globais", conclui.

Estadão
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