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Crise? Concessionários Peugeot e Citroën trocam de bandeira para Leapmotor

Enquanto francesas enfrentam margens apertadas e dependência de vendas diretas, a novata chinesa seduz concessionários que buscam fugir de estigmas

15 fev 2026 - 06h00
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A Stellantis nasceu em 2021 da união entre os grupos FCA e PSA. A gigante do setor automotivo é dona de tradicionais marcas como Fiat, Ram, Jeep, Peugeot, Citroën, Opel, Chrysler, Alfa Romeo, Lancia e outras. E duas delas não vêm tendo vida fácil no Brasil.

Em janeiro, a Peugeot emplacou 1.534 automóveis e comerciais leves em nosso País. Enquanto isso, a também francesa Citroën licenciou 2.536 unidades, totalizando 4.071 veículos no mês.

Embora janeiro tradicionalmente seja um período de retração nas vendas, concessionários ouvidos pelo Jornal do Carro afirmam que "o momento das marcas exige atenção redobrada". Sobretudo, comentam, se levarmos em consideração expectativas sobre produtos efetivamente novos e com maior potencial de margem.

Procurada, a Stellantis não se posicionou sobre as mudanças de bandeiras entre os representantes de suas marcas e apontou que não divulga detalhes sobre essas movimentações.

Marcas francesas estariam estagnadas

Para alguns revendedores, as marcas de origem francesa chegaram a um ponto de estagnação. Em 2024, por exemplo, Peugeot e Citroën somaram 61.977 unidades comercializadas no Brasil. Em 2025, o total foi de 63.021 veículos. Há, claro, de se frisar que são números muito superiores aos da era pré-Stellantis quando, juntas, chegaram a vender cerca de 25 mil unidades.

Com vendas algo estagnadas e uma luta para ficar no break-even, concessionários têm "talaricado" a Leapmotor — "irmã" chinesa de Peugeot e Citroën. Desse modo, ou trocam de casa, adotando nova bandeira, ou cedem a operação para outro.

É o caso, por exemplo, de unidade da Citroën que ficava localizada à Avenida das Américas, na Barra da Tijuca. Atualmente tem bandeira Leapmotor e é operada por outra empresa do ramo, que também tem lojas de outras marcas da Stellantis.

Redes de Peugeot e Citroën encolhem; Leapmotor cresce

Dados oficiais mostram um leve enxugamento das redes das marcas francesas ao longo de 2025. A Peugeot encerrou o ano com 168 concessionárias, contra 171 ao fim de 2024. Já a Citroën fechou 2025 com 170 pontos de venda, frente a 174 no ano anterior, redução de quatro lojas.

Enquanto isso, a Leapmotor soma 36 concessionárias no Brasil e pretende ampliar sua presença nacional. É justamente por isso que alguns concessionários fazem avaliação estratégica. Para eles, é mais interessante fechar uma operação de Peugeot e Citroën para abrir espaço à nova bandeira, apostando no crescimento do mercado de eletrificados e na construção de um portfólio sólido da empresa de origem chinesa.

Procurada, a Stellantis afirma que os ajustes na rede Peugeot e Citroën fazem parte de uma análise contínua de cobertura e conveniência da rede. Veja a resposta da companhia abaixo, na íntegra:

"A Stellantis avalia de forma contínua a dimensão, a cobertura, a estrutura física e a conveniência para os clientes. A Peugeot fechou 2025 com 168 concessionárias, enquanto a marca Citroën com 170 unidades, sem variação significativa, portanto. A Stellantis segue acompanhando a dimensão de suas redes de acordo com as demandas de mercado."

Ritmo acelerado

Se levarmos, claro, em consideração números de outrora, as francesas mantêm redes sólidas. Em 2022, a Peugeot inaugurou quase 50 lojas, chegando a 168 revendas. A Citroën amargurava 148 concessionárias em meados do mesmo ano, e à época estabeleceu meta de 180 unidades abertas até o fim do período. Trocando em miúdos, a debandada trata-se mais, de fato, de uma estagnação do que de um fracasso na estratégia das empresas.

Hoje, porém, Daemon comanda a operação da Leapmotor no Brasil. Não à toa, concessionários que confiam em seu trabalho apostam no sucesso da marca e anseiam por uma fatia deste bolo mesmo que signifique deixar para trás migalhas de Peugeot e Citroën.

O cenário, portanto, é de transição. De um lado, as marcas francesas apresentam volumes ainda modestos em janeiro e forte dependência de vendas diretas. De outro, crescimento acumulado nos últimos anos e redes sendo redesenhadas para acomodar novas estratégias — inclusive com o avanço da Leapmotor dentro do próprio grupo.

O momento atual coloca Peugeot e Citroën em uma encruzilhada estratégica onde o "custo do passado" começa a cobrar juros altos frente ao frescor tecnológico da Leapmotor. Enquanto as marcas francesas lutam para convencer o consumidor de que seus problemas crônicos ficaram nos anos 2000, a nova "irmã" chinesa entra em campo sem bagagem negativa e com a promessa de margens mais saudáveis no oceano azul dos eletrificados.

Para o concessionário, a escolha é meramente pragmática. Entre insistir em um portfólio que hoje sobrevive à base de vendas diretas e margens apertadas ou apostar no "sangue novo" comandado por nomes de confiança, a balança pende para onde o lucro é mais provável. Se a Stellantis não acelerar a limpeza de imagem e a rentabilidade do varejo de suas veteranas, corre o risco de ver a Leapmotor não apenas crescer em sua rede, mas canibalizar o entusiasmo de quem, no fim do dia, é quem faz a roda do negócio girar no showroom.

Estadão
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