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Teste: Porsche Macan GTS é a prova de que o tradicional também é capaz de inovar

Nova versão do SUV elétrico de 571 cv combina desempenho, tecnologia e símbolos históricos da marca

14 fev 2026 - 10h00
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(De Nice, França) - A tradição para os tradicionais. Assim é grande parte do Velho Continente. E aqui não há juízo de valor — se a tradição é conservadora ou não. Porém, é necessário entender que ela existe. No caso do teste de hoje, dá para comparar o carro com regiões bem definidas da França, por exemplo.

Em solo francês, a capital Paris é lugar de inovação e luz; Bordeaux é a região dos vinhos; Champagne nem é preciso dizer — é uma região do país na qual se produzem espumantes. Inclusive, os únicos do mundo que podem ser chamados de "champanhe". Todo espumante que for feito fora dessa região, mesmo que na própria França, não merece o supracitado título.

E Nice é a região para curtir uma praia. Essas localidades deixam bem claras as suas diferenças culturais, mesmo fazendo parte de um único país e um dos mais tradicionais do mundo.

Porsche Macan GTS 2026
Porsche Macan GTS 2026
Foto: Divulgação | Porsche / Estadão

Marcas de carro também são assim. A Porsche, por exemplo, deixa claro qual é o seu intuito com seus modelos mais icônicos: o 911 é o suprassumo da fabricante, com tudo o que há de melhor em termos de esportividade.

O Panamera é o Porsche de quem precisa de espaço para uma família grande, sem abrir mão de performance e tecnologia. O Cayenne é o SUV de maior sucesso.

Mas tradição não significa imutabilidade. Foi o que a Porsche fez com a sigla GTS (Gran Turismo Sport), uma versão que historicamente carrega um DNA esportivo e é voltada para oferecer prazer ao dirigir em viagens longas.

Porsche Macan GTS 2026
Porsche Macan GTS 2026
Foto: Divulgação | Porsche / Estadão

Com a introdução de modelos eletrificados, a versão GTS passou a concentrar tecnologia e desempenho sem abrir mão de estilo e arrojo. É isso que se encontra no Macan GTS, nova versão já disponível no Brasil por preço inicial de R$ 800 mil — um SUV 100% elétrico pensado para entregar impacto imediato.

A origem da versão GTS se deu com o 904, em 1963. Desde então, tornou-se sinônimo de alto desempenho, com potência mais elevada e suspensão mais esportiva, mas ainda utilizável no dia a dia (se você morar na França, claro). Como o carro ainda não foi testado em ruas brasileiras, é cedo para dizer se ele aguenta o asfalto castigado daqui. Veja onde o GTS se encaixa no portfólio do Macan:

A versão GTS, como é possível ver na tabela acima, eleva a esportividade sem ultrapassar as configurações Turbo (que mantêm a mesma nomenclatura também para os modelos elétricos — sinceramente, sem muito sentido).

Voltando à tradição, é nessas nomenclaturas engessadas, oriundas de certo conservadorismo histórico, que o nome do carro deixa de ser tão disruptivo quanto sua proposta. Uma marca tão magnética quanto a Porsche poderia adotar uma identificação específica para seus elétricos. Mas isso fica para outra pauta.

Porsche Macan GTS 2026
Porsche Macan GTS 2026
Foto: Divulgação | Porsche / Estadão

O que diferencia o Macan GTS das versões 4 e 4S é a entrega superior de potência — 571 cv com controle de largada e 516 cv no modo tradicional —, a suspensão 1 cm mais baixa já na configuração padrão e um apelo visual marcado por elementos escurecidos e detalhes exclusivos da Gran Turismo Sport (veja, adiante, os preços dos opcionais).

Na frente, o capô característico de Porsche avança sobre as luzes diurnas de LED com os tradicionais quatro pontos. Os faróis ficam logo abaixo, com contornos pretos que reforçam a identidade. No pacote Sport Design, de R$ 4.665, o spoiler dianteiro é mais pronunciado e deixa o conjunto visualmente mais agressivo.

As rodas de liga leve de 22 polegadas são opcionais e podem receber acabamento brilhante. As de 21 polegadas também cumprem bem o papel, mas as maiores reforçam a proposta esportiva.

Porsche Macan GTS 2026
Porsche Macan GTS 2026
Foto: Divulgação | Porsche / Estadão

Na lateral, saias e acabamentos escurecidos contribuem para a aerodinâmica e o visual. Na traseira, a asa no mesmo acabamento fecha o pacote GTS.

Como em outros Porsche, a lista de opcionais é extensa. No modelo testado, o preço subiu mais de R$ 75 mil apenas com esses itens:

  • Rodas de 22 polegadas: R$ 20.988;
  • Rodas pintadas em preto: R$ 9.715;
  • Pneus de performance: R$ 4.858;
  • Pacote com itens em couro: R$ 20.306;
  • Pacote Sport Design: R$ 4.665;
  • Direção do eixo traseiro: R$ 15.157;
  • Total: R$ 875.698
Porsche Macan GTS 2026
Porsche Macan GTS 2026
Foto: Divulgação | Porsche / Estadão

Os faróis Matrix LED fazem mais do que carregar um nome de filme. Com o facho alto ativado, conseguem recortar o carro à frente para não ofuscar o motorista pelo retrovisor. Não é novidade, mas está presente no Macan.

Interior do Porsche Macan GTS

Atrás, há espaço suficiente para dois adultos que não sejam muito altos. Existe bom espaço para as pernas, mas o teto solar panorâmico limita a área para a cabeça. Três adultos viajam com desconforto, sobretudo pela largura para acomodar os ombros.

O acabamento compensa. A forração das portas, com Alcantara nos puxadores e apoios, reforça o caráter esportivo sem perder aconchego.

Porsche Macan GTS 2026
Porsche Macan GTS 2026
Foto: Divulgação | Porsche / Estadão

Na frente, são três telas. Painel de instrumentos e multimídia são de leitura simples para o motorista. A terceira, voltada ao passageiro, permite visualizar rota, música ou até jogar videogame enquanto o carro carrega. O sistema aceita controle da Sony (PlayStation) ou iPhone.

É possível instalar diferentes jogos. O Jornal do Carro testou um deles — vale conferir no vídeo do YouTube.

O volante tem ajuste elétrico de altura e distância e concentra os comandos da multimídia e dos sistemas de assistência à condução (ADAS), como piloto automático adaptativo, frenagem autônoma, permanência em faixa, monitoramento de ponto cego e park assist.

Porsche Macan GTS 2026
Porsche Macan GTS 2026
Foto: Divulgação | Porsche / Estadão

Também no volante fica o seletor dos modos de condução: Offroad, Normal, Sport e Sport+. A seguir, falamos dos efeitos práticos desses modos.

Os comandos do ar-condicionado permanecem físicos, logo abaixo da tela central. Um acerto. Em tempos de central multimídia sobrecarregada, tradição aqui funciona a favor da usabilidade.

Os bancos são elétricos, com até 18 ajustes. O Macan leva até 624 litros de bagagem: 540 litros no porta-malas e 84 litros no compartimento dianteiro.

Porsche Macan GTS 2026
Porsche Macan GTS 2026
Foto: Divulgação | Porsche / Estadão

Dinâmica

Com 516 cv — ou 571 cv com o controle de largada —, o Macan GTS acelera de 0 a 100 km/h em 3,8 segundos. Os 97,3 kgfm de torque chegam às quatro rodas de forma imediata.

A velocidade máxima é limitada a 250 km/h. Ele só fica atrás da versão Turbo, que cumpre a prova em 3,3 segundos.

Nos Alpes franceses, trechos com neve aumentaram o grau de diversão. Mesmo com tração integral, há leves escapadas de traseira, sempre controladas pela eletrônica.

Porsche Macan GTS 2026
Porsche Macan GTS 2026
Foto: Divulgação | Porsche / Estadão

No modo Sport, um som artificial invade a cabine. Ele simula um motor a combustão e fica mais intenso no Sport+. Funciona no começo, mas cansa rápido por ser claramente artificial.

O que não cansa é a resposta do conjunto. Direção mais direta, acelerador sensível e suspensão pneumática no ajuste mais baixo deixam claro que se trata de um Porsche. Nas ruas francesas, o conforto foi preservado. No Brasil, isso ainda é uma incógnita.

Mesmo sem chegar ao nível dos esportivos da linha 911, o Macan GTS mantém comportamento consistente.

Mas nem por isso ele deixa de fazer curvas com precisão. Uma atrás da outra, todas ficaram para trás sem sinal de cansaço. Havia margem para ir além: bastava apontar que ele respondia. E o carro instiga tanto a atacar curvas de forma mais acentuada que seria interessante deixar uma caixa de antieméticos para os passageiros no porta-luvas. É inegável o prazer ao dirigir o Macan GTS em sua forma mais "pura".

Carregamento

O Macan GTS utiliza bateria de 100 kWh. Para comparação, muitos SUVs elétricos médios usam baterias em torno de 60 kWh.

O sistema de 800V permite carregamento em corrente contínua de até 270 kW. Em carregadores rápidos, ainda raros no Brasil, é possível recarregar de 10% a 80% em 21 minutos.

Em carregadores convencionais, a carga completa leva cerca de 10 horas. A autonomia declarada é de 586 km pelo ciclo europeu WLTP, menos rigoroso que o Inmetro. Os dados para o Brasil ainda não foram divulgados.

Tradição e inovação que se complementam

No fim das contas, o fato de a Porsche ter utilizado a sigla GTS no Macan elétrico mostra que tradição não é sinônimo de imobilismo. Ela pode ser método, identidade e continuidade — apesar deste repórter ainda acreditar que poderia utilizar outra nomenclatura e deixar a tradição para os tradicionais.

A Porsche segue fazendo o que sempre fez: pegar um conceito consagrado, adaptá-lo ao seu tempo e entregar um carro que, mesmo rompendo com o passado técnico ao abandonar o motor a combustão, ainda carrega um DNA reconhecível.

Goste-se ou não do caminho elétrico, esse talvez seja o maior mérito do Macan GTS: provar que, para marcas verdadeiramente tradicionais, mudar não significa deixar de ser quem se é.

Estadão
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