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Anfavea volta a reclamar do volume de importações de carros

Associação que representa as montadoras tradicionais acredita que o volume de 160 mil unidades é um sinal preocupante

7 jun 2024 - 12h54
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Navio da BYD trouxe 5.459 carros novos para o Brasil, fato que chamou atenção da Anfavea
Navio da BYD trouxe 5.459 carros novos para o Brasil, fato que chamou atenção da Anfavea
Foto: bera.digital/BYD/Divulgação

O crescimento das importações de carros continua sendo um ponto de atenção para o setor automotivo brasileiro, na opinião da Anfavea. A entidade que representa as montadoras tradicionais mais uma vez reclamou do volume de carros importados.

Mas, segundo Márcio Lima Leite, presidente da Anfavea, não existe nenhum plano para pedir novas taxas contra importados (leia-se carros chineses) ao governo. Ele citou a chegada de um navio da BYD com mais de 5 mil carros durante sua entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira, 7. 

O volume de emplacamentos de autoveículos vindos de outros países chegou a 160 mil unidades no acumulado de janeiro a maio, ou seja, 44 mil veículos a mais do que no mesmo período de 2023, o que representa um  crescimento de 38%. 

“Os modelos elétricos e híbridos de origem chinesa, ainda usufruindo de um Imposto de Importação abaixo da média de outros veículos, representaram 82% desse crescimento das importações no ano”, disse a Anfavea em nota.

Em compensação, as exportações de carros brasileiros continuam em baixa. Em maio, foram exportadas 136,3 mil unidades. No acumulado do há uma queda (-29,7%) com o total de 193,8 mil unidades vendidas para o exterior.

Segundo a Anfavea, há dois motivos para a queda na procura de carros brasileiros: 1) “O desaquecimento dos mercados da América do Sul persiste”; 2) “O crescimento da presença de produtos asiáticos nesses países”. 

AQUECIMENTO GLOBAL 

Esta semana a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, disse que o uso de combustíveis fósseis é a base da mudança do clima, que provocou, por exemplo, uma tragédia no Rio Grande do Sul, afetando inclusive a produção e vendas de carros.

"A visão sobre o uso de combustível fóssil do Ministério do Meio Ambiente, e do governo como um todo, é de que os combustíveis fósseis são a base do problema", disse a ministra em entrevista à GloboNews.

"Tudo que está acontecendo em relação à mudança do clima tem a ver com a emissão de CO2, sobretudo em função de desmatamento e de transformação do uso da terra, mas principalmente o uso de carvão, de petróleo e de gás", acrescentou.

O presidente da Anfavea não concordou totalmente com a ministra. Ele disse que no Brasil a indústria automotiva é responsável por 10% da emissão de CO2.

“Todo esforço que a gente fizer é pouco, por isso devemos acelerar os esforços de descarbonização”, disse Marcio Lima Leite, mas completou: “O setor automotivo não é o responsável por isso”.

NÚMEROS DA INDÚSTRIA

A produção de autoveículos em maio fechou em 166,7 mil unidades, -24,9% na comparação com abril. Segundo a Anfavea, “greves de algumas fábricas e a operação-padrão de funcionários do Ibama e do Ministério de Agricultura e Pecuária (MAPA), responsáveis por liberações ambientais de veículos e contêineres de componentes, também tiveram efeito negativo sobre a produção”.

Mesmo assim a entidade destaca que “este foi o melhor maio em média diária de vendas desde 2019, com 9.250 unidades emplacadas por dia”, apesar da queda de 64% no Rio Grande do Sul (5% do mercado nacional) e do feriadão no fim do mês.

As vendas totais foram de 194,3 mil unidades (-12% em relação a abril e +10% sobre maio do ano passado). No acumulado do ano, são 930 mil unidades emplacadas (+15% sobre janeiro-maio de 2023).

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