Carros chineses podem chegar a 18% do mercado brasileiro até 2030
Estudo aponta crescimento acelerado das marcas chinesas, impulsionado por elétricos mais baratos e mudança no perfil do consumidor
A participação das marcas chinesas no Brasil pode quase dobrar até 2030, como destaca o Mundo do Automóvel para PCD, passando dos atuais 10% para cerca de 18% do mercado nacional. A projeção faz parte de estudo encomendado pela Abeifa e realizado pela Bright Consulting.
Segundo a análise, esse avanço acontece porque outros mercados estão fechando espaço para os veículos chineses. Assim, o Brasil passa a ser visto como destino estratégico. Além disso, restrições nos Estados Unidos e na Europa redirecionam exportações para países emergentes.
No fechamento de 2025, as marcas ligadas à Abeifa venderam cerca de 137,9 mil veículos no país. O crescimento anual superou 30%. Nesse cenário, BYD e GWM ganharam espaço rapidamente, puxadas principalmente por modelos híbridos e elétricos.
Os eletrificados foram decisivos para esse avanço. Isso acontece porque atraem consumidores interessados em tecnologia, economia e menor custo de uso diário. Dessa forma, o ritmo de crescimento chinês supera o de grupos tradicionais, ainda focados em motores a combustão.
Outro fator importante é a redução da desvalorização dos carros elétricos no mercado de usados. Hoje, a perda de valor se aproxima dos modelos a combustão. Assim, uma das principais barreiras psicológicas começa a desaparecer entre os consumidores.
No cenário global, as marcas chinesas já respondem por cerca de 25% das vendas de veículos. Em países como Chile, Peru e Equador, a participação já supera 30%, mostrando expansão ainda mais agressiva fora do Brasil.
Para os próximos anos, a queda no custo das baterias será decisiva. Desde o fim de 2025, o preço já ficou abaixo de US$ 100 por kWh. Com isso, carros elétricos compactos devem se tornar ainda mais competitivos.
Apesar do cenário positivo até 2030, a Abeifa alerta que 2026 pode ter crescimento mais moderado. Juros altos, câmbio instável e cautela financeira podem frear decisões de compra no curto prazo. Ainda assim, a tendência de longo prazo indica avanço consistente das marcas chinesas.