Na noite de terça-feira (20), Aline Campos foi a primeira eliminada do BBB 26. Durante sua estadia na casa, a artista afirmou que possui inteligência emocional para lidar com conflitos, pressões e relações intensas do confinamento. E sua fala não passou despercebida pelo público. Nas redes sociais, muitos questionaram se o comportamento da participante condiz com o conceito que ela defende. A dúvida levantada pelo reality acaba abrindo espaço para uma discussão mais ampla: afinal, o que é inteligência emocional e como ela se manifesta no dia a dia?
Visão de especialista
Para a psicanalista e hipnoterapeuta clínica Gláucia Santana, do Espaço Hi, em São Paulo, o termo vai muito além de manter a calma em situações difíceis ou evitar conflitos. "Inteligência emocional não é não sentir, nem fingir equilíbrio o tempo todo. Ela está ligada à capacidade de reconhecer o que se sente, compreender por que aquela emoção surge e escolher como agir a partir disso", explica.
Segundo a especialista, o autoconhecimento é a base de todo esse processo. Identificar emoções, perceber gatilhos e reconhecer padrões de reação ajuda a pessoa a sair do modo automático. "Quando alguém entende seus próprios movimentos emocionais, deixa de reagir apenas por impulso e passa a responder com mais consciência", afirma Gláucia.
Inteligência emocional no BBB
No contexto de um reality show como o BBB, onde emoções são intensificadas pelo confinamento, pela exposição e pela pressão constante, a inteligência emocional é colocada à prova o tempo todo. "Ambientes de estresse elevado funcionam como um espelho. Eles mostram exatamente onde a pessoa ainda não consegue se regular", observa a especialista.
Outro ponto central é aprender a nomear sentimentos. Muitas reações consideradas exageradas ou incoerentes têm origem em emoções não reconhecidas. "Raiva, frustração, medo e insegurança costumam aparecer disfarçados de ironia, silêncio ou explosões emocionais. Dar nome ao que se sente ajuda a organizar o mundo interno", destaca Gláucia Santana.
Pontos importantes
A regulação emocional também é frequentemente mal interpretada. Para ela, ter inteligência emocional não significa evitar emoções difíceis. "Sentir faz parte da experiência humana. A diferença está em não transformar essa emoção em atitudes que machucam a si mesmo ou ao outro", pontua.
A empatia surge como outro pilar importante, especialmente em contextos de convivência intensa, como o de Aline Campos no BBB 26. "Empatia não é concordar com tudo, mas conseguir reconhecer a emoção do outro sem invalidá-la. Isso reduz conflitos e melhora a qualidade das relações", explica.
A comunicação assertiva completa esse conjunto de habilidades. Saber expressar sentimentos de forma clara, sem agressividade ou culpa, evita ruídos e acúmulo de ressentimentos. "Grande parte dos conflitos nasce daquilo que não foi dito ou foi comunicado de forma atravessada", afirma Gláucia Santana, do Espaço Hi.
Lidar com frustrações também é parte fundamental da inteligência emocional. Nem sempre as coisas acontecem como o esperado, e saber tolerar limites e perdas faz parte do amadurecimento. "A frustração não é sinal de fracasso, mas uma etapa natural do crescimento emocional", ressalta.
Processo contínuo
Por fim, a especialista lembra que desenvolver inteligência emocional é um processo contínuo e que, muitas vezes, exige apoio profissional. "A terapia oferece um espaço seguro para revisar padrões, elaborar emoções e construir respostas mais saudáveis. Cuidar da saúde emocional impacta todas as áreas da vida", conclui.
O debate levantado por Aline Campos dentro do BBB 26 mostra que inteligência emocional não é um rótulo, mas uma prática diária. Mais do que um discurso, ela se revela nas atitudes, na forma de lidar com conflitos e na capacidade de aprender com as próprias emoções.
*Fonte: Sarah Carvalho