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Reganho de peso após uso das canetas para obesidade: por que ocorre e 6 formas de evitar

Especialista explica por que o reganho de peso é comum após a suspensão de medicamentos para emagrecer e quais estratégias ajudam a manter os resultados a longo prazo

21 jan 2026 - 14h10

Quando o peso corporal diminui rapidamente, o organismo ativa mecanismos para restaurá-lo. Isso ocorre porque a obesidade tem um componente neuroendócrino e metabólico forte, e o corpo tende a 'lutar' contra a perda de peso. Muitas pessoas já perceberam que, ao descontinuar o uso de medicamentos análogos de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, experimentaram o que é conhecido como reganho de peso.

Entenda por que o peso pode voltar após interromper o uso de análogos de GLP
Entenda por que o peso pode voltar após interromper o uso de análogos de GLP
Foto: 1 e veja orientações médicas para evitar o efeito rebote - Reprodução: Canva/CR de Getty Images / Bons Fluidos

"A obesidade é um problema de saúde pública global, associado a diversas comorbidades, incluindo diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e hipertensão. Os análogos do GLP-1 demonstraram eficácia na perda de peso ao reduzir o apetite e aumentar o gasto energético, mas a descontinuação desses agentes leva ao reganho de peso, o que é um grande desafio clínico. Isso reforça a necessidade de estratégias terapêuticas a longo prazo para manter os benefícios do tratamento", explica a Dra. Patricia Magier, ginecologista com especialização em Medicina Integrativa e Funcional.

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Por que isso acontece?

De acordo com a médica, estudos identificaram três principais mecanismos responsáveis pelo reganho de peso após a suspensão dos medicamentos: ajustes hormonais transitórios, incapacidade do sistema nervoso central de regular o peso e disfunção das células beta pancreáticas. "No primeiro caso, a retirada do medicamento pode gerar alterações compensatórias nos hormônios reguladores do apetite e do metabolismo energético, incluindo a leptina e a grelina. Além disso, o sistema nervoso central perde a influência do medicamento sobre os centros de controle do apetite e do gasto energético, resultando em maior ingestão alimentar. E, por fim, a exposição crônica aos análogos de GLP-1 pode levar à dependência da sinalização deste hormônio para manter a homeostase glicêmica e a regulação do peso", destaca.

O que fazer para evitar?

E como evitar isso? Mudanças no estilo de vida são fundamentais. "A obesidade, como uma doença crônica, requer controle contínuo, por isso modificações dietéticas, prática regular de atividade física e melhora do sono são mudanças inegociáveis para manutenção do peso perdido", explica a ginecologista. Abaixo, ela dá as principais dicais para evitar o reganho de peso:

1. Desmame gradual do medicamento

Caso haja a necessidade realmente de retirar, o ideal é fazer isso gradativamente. "A retirada abrupta pode causar hiperfagia compensatória. Reduzir progressivamente a dose ao longo de algumas semanas pode minimizar esse efeito. Alternar para medicamentos com meia-vida mais longa (como tirzepatida) pode ser uma opção para uma transição mais suave", explica a Dra. Patricia.

2. Ajuste nutricional personalizado

"A dieta deve ser adaptada para manter a saciedade e evitar oscilações glicêmicas. É recomendável o aumento da ingestão proteica, que pode compensar a queda na saciedade induzida pelo GLP-1. Além disso, uma dieta rica em fibras mantém o efeito positivo do GLP-1 na microbiota intestinal", diz a médica.

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3. Introdução de terapias hormonais adjuvantes

Para mulheres no climatério (perimenopausa, menopausa e pós-menopausa), hormônios podem ser indicados para preservar a massa magra e evitar perda metabólica. "Além disso, a modulação do eixo testosterona/estrogênio pode ajudar no controle da composição corporal e evitar a regulação negativa do gasto energético".

4. Estratégias para manutenção da microbiota.

"O uso de probióticos e prebióticos pode ajudar a preservar as adaptações benéficas induzidas pelos medicamentos. Dietas que favorecem a fermentação de fibras e produção de ácidos graxos de cadeia curta ajudam na manutenção do metabolismo energético", explica.

5. Estímulo da atividade física

Exercícios resistidos ajudam a manter a taxa metabólica basal elevada e evitam perda de massa muscular, um fator crítico para evitar o efeito rebote. "Exercícios aeróbicos também são indicados, pois melhoram a capacidade cardiovascular e ajudam a aumentar o gasto energético", diz.

6. Suporte comportamental e psicológico

Segundo a médica, terapias cognitivas comportamentais ajudam na reeducação alimentar e controle do apetite, enquanto o monitoramento contínuo evita deslizes e ajusta estratégias.

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Por fim, a médica lembra que a obesidade é uma doença crônica e multifatorial. "O sucesso no controle do peso vai além de qualquer medicamento isolado, e a abordagem personalizada e multidisciplinar é essencial para evitar o efeito rebote", finaliza.

Sobre a especialista

Dra. Patricia Magier (CRM-RJ 54925-6 | RQE 34538) é ginecologista formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com residência médica pelo IASERJ e pós-graduação pela Universidade do Rio de Janeiro - UNIRIO, e Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia - TEGO; também possui especialização em Medicina Integrativa e Funcional. Criadora do Método Plena para cuidado da mulher de forma completa, profunda e individualizada. 

*Fonte: Holding Comunicação

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