O câncer agressivo que atingiu o ex-ministro Raul Jungmann chama atenção por um motivo importante: trata-se de um tipo de tumor difícil de diagnosticar precocemente e com comportamento rápido.
No domingo (18), Jungmann faleceu em decorrência de um câncer de pâncreas, doença considerada uma das mais letais no Brasil.
Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de pâncreas ocupa a sétima posição entre os que mais causam mortes no país.
Apesar de representar cerca de 1% dos diagnósticos, ele responde por aproximadamente 5% das mortes por câncer, o que reforça sua gravidade.
O que é o câncer de pâncreas?
O câncer de pâncreas acontece quando células desse órgão passam a se multiplicar de forma desordenada, formando um tumor.
"O pâncreas é um órgão essencial para a digestão e para o controle do açúcar no sangue. Quando surge um tumor ali, ele pode crescer silenciosamente e se espalhar para outras partes do corpo, o que chamamos de metástase", explica o oncologista Dr. Ramon Andrade de Mello, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia.
Essa capacidade de evoluir sem sintomas claros no início é o que torna a doença tão perigosa.
Por que ele é considerado um câncer agressivo?
O câncer de pâncreas costuma ser diagnosticado em fases avançadas. Isso acontece porque os sinais iniciais são vagos ou confundidos com outros problemas de saúde.
Além disso:
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o tumor cresce rapidamente;
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pode se espalhar para outros órgãos;
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responde de forma limitada a alguns tratamentos.
Esses fatores dificultam o controle da doença quando o diagnóstico é tardio.
Principais fatores de risco
Algumas condições aumentam o risco de desenvolver câncer de pâncreas:
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tabagismo
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obesidade
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pancreatite crônica
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histórico familiar da doença
"Pessoas com fatores de risco precisam de acompanhamento médico regular, mesmo sem sintomas", alerta o especialista.
Sintomas mais comuns
Quando os sintomas aparecem, eles costumam indicar que a doença já está mais avançada.
Os sinais mais frequentes são:
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dor abdominal persistente
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perda de peso sem causa aparente
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pele e olhos amarelados (icterícia)
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náuseas e vômitos
"Esses sintomas não confirmam o diagnóstico sozinhos, mas merecem investigação", destaca o oncologista.
Como é feito o diagnóstico?
O primeiro passo costuma ser um exame de imagem.
Geralmente, os médicos solicitam:
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tomografia computadorizada
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ressonância magnética, quando disponível
Esses exames ajudam a identificar a presença de uma massa no pâncreas. A confirmação do câncer, porém, ocorre por meio de biópsia.
Um dos exames utilizados é a CPRE (colangiopancreatografia retrógrada endoscópica), que combina endoscopia e radiografia para coletar material para análise.
Quais são as opções de tratamento?
O tratamento depende do estágio da doença no momento do diagnóstico.
As possibilidades incluem:
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cirurgia, quando o tumor é operável
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quimioterapia antes ou depois da cirurgia
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quimioterapia isolada, nos casos em que há metástase
"Quando o câncer é detectado em fase inicial e pode ser operado, o prognóstico é melhor. Infelizmente, isso não acontece na maioria dos casos", explica o médico.
Prognóstico e sobrevida
O câncer de pâncreas tem um prognóstico reservado, especialmente quando já se espalhou pelo organismo.
Em casos metastáticos, a sobrevida média pode variar de 6 a 11 meses, dependendo da resposta ao tratamento. Já nos casos operáveis, as chances de controle da doença aumentam.
Quando procurar ajuda médica?
É importante buscar avaliação médica se houver:
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dor abdominal persistente sem causa clara
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perda de peso rápida
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icterícia
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histórico familiar associado a sintomas
O diagnóstico precoce ainda é o principal fator que pode melhorar as chances de tratamento.
Informação salva tempo e pode salvar vidas
O caso de Raul Jungmann reforça a importância de atenção aos sinais, acompanhamento médico e informação de qualidade.
O câncer de pâncreas é silencioso, mas conhecer seus riscos e sintomas pode fazer diferença.