Refluxo gastroesofágico: sintomas, causas e tratamentos explicados

O refluxo gastroesofágico é um distúrbio digestivo em que o conteúdo do estômago retorna para o esôfago, provocando sintomas que podem ir de desconforto leve a quadros mais persistentes. Veja quais são eles, as causas e tratamentos da condição.

8 mar 2026 - 14h03

O refluxo gastroesofágico é um distúrbio digestivo em que o conteúdo do estômago retorna para o esôfago, provocando sintomas que podem ir de desconforto leve a quadros mais persistentes. Esse retorno do ácido gástrico acontece porque a barreira natural entre o esôfago e o estômago não funciona adequadamente. No caso de figuras públicas, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, a condição chama atenção por interferir na rotina e exigir acompanhamento médico contínuo.

Embora muita gente associe o problema apenas à azia, o refluxo gastroesofágico é mais complexo. Afinal, ele pode ligar-se ao estilo de vida, a hábitos alimentares, ao uso de certos medicamentos e até a condições anatômicas, como hérnia de hiato. Por isso, médicos costumam avaliar o quadro de forma ampla, considerando histórico clínico, exames específicos e a frequência dos sintomas.

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Esse retorno do ácido gástrico acontece porque a barreira natural entre o esôfago e o estômago não funciona adequadamente – depositphotos.com / Tharakorn
Esse retorno do ácido gástrico acontece porque a barreira natural entre o esôfago e o estômago não funciona adequadamente – depositphotos.com / Tharakorn
Foto: Giro 10

O que é exatamente o refluxo gastroesofágico?

A palavra-chave principal aqui é refluxo gastroesofágico, termo que define o movimento anormal de retorno do conteúdo ácido do estômago para o esôfago. Essa região é protegida por um anel muscular chamado esfíncter esofágico inferior, que funciona como uma espécie de válvula. Assim, ele abre para a passagem do alimento e fecha para impedir o refluxo. Portanto, quando esse mecanismo falha, o ácido entra em contato com a mucosa do esôfago, que não tem preparo para suportar essa acidez.

Com o tempo, esse contato que se repete pode causar irritação e inflamação, conhecida como esofagite de refluxo. Em muitos casos, a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) se manifesta com queimação no peito, sensação de líquido subindo para a garganta e gosto amargo ou ácido na boca. Porém, há pessoas que apresentam sintomas atípicos, como tosse crônica, rouquidão, pigarro constante ou sensação de "bolo" na garganta, o que leva a confusões diagnósticas com problemas respiratórios ou alérgicos.

Quais são as causas e fatores de risco do refluxo gastroesofágico?

As causas do refluxo são multifatoriais. Em grande parte dos casos, há relaxamento excessivo ou fraqueza do esfíncter esofágico inferior, permitindo a subida do conteúdo gástrico. Situações que aumentam a pressão dentro do abdômen, como obesidade, gestação ou roupas muito apertadas na região da cintura, também podem facilitar o refluxo ácido. A presença de hérnia de hiato, em que uma parte do estômago sobe para o tórax através do diafragma, é outro elemento frequentemente associado.

Alguns hábitos diários funcionam como gatilhos para a doença do refluxo gastroesofágico. Entre os fatores de risco mais relatados estão:

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  • Alimentação rica em gorduras, frituras e ultraprocessados;
  • Consumo frequente de bebidas alcoólicas e refrigerantes;
  • Ingestão de café em excesso, chocolate e alimentos muito ácidos;
  • Tabagismo, que altera o funcionamento do esfíncter;
  • Deitar-se logo após grandes refeições;
  • Uso prolongado de certos medicamentos, como anti-inflamatórios, sem orientação.

Em figuras públicas submetidas a rotina intensa, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, a combinação de estresse, horários irregulares e alimentação fora de casa pode contribuir para o agravamento do refluxo esofágico. Médicos costumam reforçar que o controle dos fatores de risco é parte central do tratamento e da prevenção de complicações.

Como o refluxo gastroesofágico é diagnosticado e tratado?

O diagnóstico geralmente começa com a descrição detalhada dos sintomas de refluxo e da frequência com que aparecem. A partir daí, o especialista em aparelho digestivo pode solicitar exames para confirmar a doença do refluxo gastroesofágico e descartar outras causas. Os principais exames incluem a endoscopia digestiva alta, que permite visualizar o esôfago e o estômago, e a pHmetria esofágica, que mede a quantidade de ácido que sobe para o esôfago ao longo de 24 horas.

O tratamento costuma envolver uma combinação de mudanças de hábito e uso de medicamentos. As orientações mais comuns incluem:

  1. Realizar refeições menores e mais frequentes, evitando exageros;
  2. Esperar pelo menos duas a três horas antes de se deitar após comer;
  3. Elevar a cabeceira da cama em alguns centímetros para reduzir o refluxo noturno;
  4. Reduzir o consumo de álcool, café, gordura, frituras e alimentos muito condimentados;
  5. Parar de fumar, quando houver tabagismo;
  6. Buscar redução de peso, nos casos de sobrepeso ou obesidade.

Em relação aos medicamentos, são usados com frequência inibidores de bomba de prótons (IBP) e antiácidos, sempre com prescrição e acompanhamento médico. Em situações específicas, quando o tratamento clínico não controla bem o refluxo gástrico ou quando há complicações, pode ser indicada cirurgia para reforço da válvula entre esôfago e estômago, conhecida como fundoplicatura.

Embora muita gente associe o problema apenas à azia, o refluxo gastroesofágico é mais complexo – depositphotos.com / 9nong
Foto: Giro 10

Refluxo gastroesofágico pode gerar complicações a longo prazo?

Quando não tratado adequadamente, o refluxo gastroesofágico crônico pode provocar irritação contínua da mucosa do esôfago. Isso favorece o surgimento de esofagite erosiva, estreitamentos (estenoses) que dificultam a passagem do alimento e, em alguns casos, a chamada esôfago de Barrett, alteração considerada pré-maligna. Por esse motivo, médicos reforçam a importância do acompanhamento regular em pacientes com sintomas persistentes, especialmente acima dos 40 ou 50 anos.

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A atenção ao refluxo também é importante em pessoas que já passaram por outras cirurgias abdominais ou que possuem doenças associadas, como diabetes, apneia do sono ou distúrbios cardiovasculares. Em personagens públicos como Jair Bolsonaro, o tema costuma ganhar visibilidade justamente porque qualquer agravamento de quadro clínico exige avaliação rápida e comunicação transparente à sociedade. Em todos os casos, o manejo adequado do refluxo ácido ajuda a reduzir desconfortos, preservar a saúde do esôfago e evitar complicações ao longo dos anos.

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