Itália anuncia envio de 2 navios caça-minas para Estreito de Ormuz

Movimento é condicionado a eventual acordo de paz na guerra do Irã

13 mai 2026 - 09h54
(atualizado às 12h33)

O ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, afirmou nesta quarta-feira (13) que a Marinha italiana está deslocando dois navios caça-minas em direção ao Estreito de Ormuz, mas apenas intervirão caso seja alcançado um acordo de paz entre Estados Unidos e o Irã.

Em sessão conjunta das comissões parlamentares de Defesa e Relações Exteriores da Itália, Crosetto declarou que as embarcações só serão empregadas após a cessação das hostilidades.

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"Caso a paz seja alcançada, levaria quase um mês de navegação para que todas as unidades das nações aliadas chegassem ao Golfo", disse o ministro, destacando que o posicionamento inicial ocorrerá no Mediterrâneo Oriental, com possível deslocamento posterior ao Mar Vermelho, no âmbito das missões já em curso "Mediterraneo Sicuro" e "Aspides".

Crosetto também afirmou que 24 países manifestaram interesse em participar da operação no Estreito de Ormuz. "No total, entre outros, Alemanha, França, Reino Unido, Bélgica, Espanha, Holanda, Noruega, Estônia, Letônia, Lituânia, Eslováquia, além de Canadá, Austrália e Nova Zelândia, já se disponibilizaram para fornecer capacidades operacionais significativas", acrescentou.

Como exemplos concretos, ele citou que a Bélgica continuará com dois caça-minas, enquanto a Estônia operará um caça-minas. Já Finlândia, Letônia, Lituânia e Holanda fornecerão pessoal especializado em operações subaquáticas e de desminagem.

O ministro também explicou que a França já posicionou duas fragatas e caça-minas no Mar Vermelho, além de seu porta-aviões, e disponibilizou recursos adicionais na região. A Alemanha manterá caça-minas e unidades de apoio, enquanto a Noruega implantará sistemas especializados de contramedidas de minas.

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Já o vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, também buscou esclarecer a posição do governo de Giorgia Meloni.

"Não queremos pedir autorização para uma nova missão militar no Golfo, mas compartilhar o compromisso do governo com a paz", afirmou ele, destacando que qualquer participação em uma coalizão internacional só ocorreria após o fim definitivo das hostilidades.

Enquanto isso, do lado iraniano, a agência estatal IRNA divulgou que o vice-comandante da Marinha da Guarda Revolucionária, Saeed Siahsarani, afirmou que o controle da região e do Estreito de Ormuz estaria sob domínio do regime.

"O campo de batalha e o Estreito de Ormuz estão sob nosso controle", disse o militar, acrescentando que não permitiria a passagem de petroleiros sem autorização iraniana.

Em tom mais duro, ele afirmou ainda que, em caso de confronto com os Estados Unidos, o Golfo Pérsico poderia se tornar "o maior cemitério aquático para as forças americanas".

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Siahsarani também declarou que, caso ordenado pelas autoridades iranianas, "nem um litro de petróleo" seria autorizado a atravessar o estreito ? uma das rotas mais estratégicas do comércio global de energia. 

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