França: empresas de delivery vão suspender entregas em caso de calor extremo

Diante da onda de calor na França, duas das principais plataformas de entrega por aplicativo do país, Uber Eats e Deliveroo, anunciaram nesta quarta-feira (8) que suspenderão as entregas nas regiões onde as temperaturas atingirem níveis extremos. A medida, adotada após reivindicações do setor, busca proteger os entregadores e será aplicada apenas nos departamentos que eventualmente entrarem em alerta vermelho.

8 jul 2026 - 14h16

"Esta decisão representa um passo importante, e peço aos restaurantes parceiros que demonstrem solidariedade, fornecendo a esses trabalhadores acesso a água e áreas com ar-condicionado", declarou o ministro do Trabalho, Jean-Pierre Farandou.

Entregador da Deliveroo se refresca com uma garrafa de água, enquanto uma onda de calor atinge a França, em 18 de junho de 2026.
Entregador da Deliveroo se refresca com uma garrafa de água, enquanto uma onda de calor atinge a França, em 18 de junho de 2026.
Foto: REUTERS - Abdul Saboor / RFI

Na semana passada, Farandou havia entrado em contato com as duas empresas de entrega, que é feita principalmente de bicicleta, orientando-as a tomar medidas para proteger os trabalhadores do calor extremo.

Publicidade

Atendendo ao pedido, nesta quarta-feira, a Uber Eats e a Deliveroo indicaram que suspenderiam as entregas nos departamentos em alerta vermelho de onda de calor (o mais alto), no horário entre 14h e 18h.

A medida tem um caráter preventivo, já que nenhuma área do país está atualmente dentro desta classificação, mas 67 departamentos foram colocados sob alerta laranja (uma abaixo da vermelha).

A Météo-France, agência nacional de meteorologia, prevê "uma onda de calor severa e prolongada", que provavelmente durará "até o final do mês, ou além".

Esta intensa onda de calor é a terceira em menos de dois meses na França. A primeira veio de forma precoce no final de maio, e a segunda, no fim de junho. Esses fenômenos tornam trabalhos ao ar livre, como o dos entregadores, particularmente vulneráveis às altas temperaturas.

Publicidade

Divergências entre sindicatos

A medida foi encarada de forma controversa entre sindicatos laborais. Para Ludovic Rioux, da central sindical CGT, a maior da França, a decisão "torna esses trabalhadores, já em situação precária, ainda mais vulneráveis" devido à falta de uma renda substituta.

No final de junho, a Prefeitura de Paris enviou uma carta às plataformas de entrega solicitando a implementação de um salário mínimo quando as condições climáticas exigirem redução ou suspensão das atividades.

Já Fabian Tosolini, representante do sindicato Union-Indépendants, elogiou a decisão, mas solicitou que as zonas de entrega e os pesos dos pedidos sejam reduzidos entre o meio-dia e 14h, horário de pico para a maioria das demandas.

Com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações